294 milhões em dívidas: Maior shopping center de país confirma falência e vai a leilão
Entenda a crise financeira de mega shopping que acumulou € 294 milhões em dívidas e teve venda autorizada pela Justiça comercial.
Um dos maiores shoppings de país enfrentou crise societária e impasses bilionários, mas operação segue ativa após venda judicial
Falência estrutural e reviravoltas financeiras no setor de grandes empreendimentos comerciais ganharam destaque internacional nos últimos meses. Isso porque o maior shopping da Espanha desmoronou sob o peso de dívidas milionárias.
Inclusive, o caso se transformou em um exemplo clássico de estudo de insolvência no varejo global.
Trata-se do megacomplexo Oasiz Madrid, localizado em Torrejón de Ardoz, na Comunidade de Madrid, que se tornou o epicentro de uma crise histórica no mercado imobiliário.
Inclusive, tais dívidas astronômicas ingressaram o empreendimento em processos judiciais de insolvência.
Ficou na promessa
O projeto prometia ser o maior centro comercial, de lazer e gastronomia ao ar livre da região, com mais de 250 mil metros quadrados.
No entanto, a estrutura financeira ruiu após impasses societários, divergências de avaliação e o fracasso nas negociações para converter € 294 milhões de passivo em capital.
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A crise culminou na autorização judicial para a venda do ativo à sociedade Terox SPV 2025.
O sonho de Philippe Journo
A época dourada dos centros comerciais em Madrid transformou-se em um cenário de alerta.
O encerramento de grandes lojas em espaços clássicos como La Vaguada ou Alcalá Norte evidencia a fragilidade do modelo atual.
No centro dessa tempestade está o Oasiz Madrid, projetado por Philippe Journo, fundador do grupo imobiliário Compagnie de Phalsbourg.
Idealizado para ser um marco de inovação, o complexo prometia um mega centro de lazer com:
- Karting;
- Trampolins;
- Um circuito de motocross;
- Lago central;
- Áreas verdes;
- Praia e grifes renomadas como Nike, Mango e Fnac;
- 117 locais de área e 4 mil vagas de estacionamento.
Desde a sua inauguração em 2021, o empreendimento não atraiu o fluxo de visitantes esperado.
Mesmo com a gestão posterior do Eurofund e da Savills, que elevou a ocupação para 81 espaços (cerca de 75% da capacidade total).
Mas o ritmo ficou aquém do necessário para sustentar os custos bilionários de construção e operação.
Caminho da falência
Conforme citamos acima, a situação financeira da proprietária Carlotta Iberia deteriorou-se drasticamente após o fracasso nas tentativas de acordo entre os parceiros para converter € 294 milhões de dívida em empréstimos de capital.
De acordo com o portal Madrid Secreta, a crise interna aprofundou-se quando o investidor Philippe Journo recusou-se a assinar as contas de 2023.
Ele discordou da avaliação imobiliária do complexo, fixada em € 130 milhões, segundo informações do Economia Digital.
O valor contrastava com passivos totais que fontes especializadas apontam em € 318,6 milhões.
Em meio ao impasse, a administração confirmou a falência e deu inicio ao pedido de pré-insolvência (pré-concurso de credores).
Em nota oficial enviada ao Madrid Secreto, a empresa declarou:
“O objetivo da Carlotta continua a ser o de proteger os interesses de todas as partes envolvidas, incluindo credores, lojistas e colaboradores, ao mesmo tempo que maximiza o impacto econômico e social positivo do centro comercial em Torrejón de Ardoz e arredores”.
A empresa também ressaltou que a medida jurídica preventiva “responde a uma situação jurídica herdada e não afeta de forma alguma a gestão corrente da Oasiz, que continua a funcionar normalmente”.
Mas como ficou a situação atual do Oasiz Madrid?
Com o avanço do processo sob a legislação espanhola, amparado pela reforma da lei concursal introduzida pela Lei 16/2022, publicada no BOE para agilizar reestruturações, o caso evoluiu para um concurso de credores na Justiça comercial.
Conforme também citado acima, o desfecho se deu em um leilão que culminou na venda da unidade produtiva à Terox SPV 2025.
A sociedade é ligada ao fundo britânico Cale Street, que já detinha a maioria dos votos e liderava a estrutura financeira.
O negócio foi fechado por € 140,3 milhões, quantia expressivamente inferior às avaliações prévias do ativo, evidenciando a desvalorização gerada pelo endividamento excessivo.
Como destacado pela empresa, apesar da mudança de controle, as operações seguem ativas para o público.
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