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‘Araguaia’ traz referências a ‘Pantanal’, mas não repete audiência

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Arcângela Mota

Belas paisagens naturais, longos banhos de rio e imagens de um Brasil ainda pouco explorado na TV. A descrição de Araguaia, atual novela das seis da Globo, também serviria para Pantanal, trama de Benedito Ruy Barbosa exibida pela extinta Manchete em 1990. As semelhanças entre as duas, no entanto, não vão muito além da exploração da sensualidade e de um trabalho de direção centrado em tomadas externas.

Os jet skis cortando o rio, o ecoturismo e o destaque para um interior conectado tecnologicamente evidenciam a preocupação do diretor Marcos Schechtman em tornar Araguaia uma trama moderna, apesar do clima campestre. O resultado da combinação tem sido uma audiência oscilando na casa dos 23 pontos. Números que em nada lembram o sucesso de Pantanal, que chegou a marcar picos de 51, mas que, atualmente, são razoáveis para a faixa das 18h da Globo.

A mistura entre tradição e modernidade no Araguaia vem acompanhada de uma boa dose de misticismo, ingrediente que já provou força no horário com o sucesso de Escrito nas Estrelas, sua antecessora. Só que, dessa vez, o espaço dos espíritos de luz é ocupado por lendas locais e uma maldição indígena que condena à morte todos os homens da família do mocinho da história, o domador de cavalos Solano, interpretado por Murilo Rosa.

A morte – ou a iminência dela -, por sua vez, tem se revelado um recurso quase obrigatório nas produções das seis. Basta lembrar do falecido protagonista Daniel, personagem de Jayme Matarazzo em Escrito das Estrelas, e do doente terminal Alcino, de Carmo Dalla Vecchia em Cama de Gato. O corajoso Solano vem integrar o time dos mocinhos que, além de viver seus dilemas amorosos, têm de lidar com a própria finitude, carregando assim uma dose emocional e um apelo ainda mais intenso.

Araguaia traz tramas interessantes, um bom texto do autor Walther Negrão e um triângulo amoroso que cumpre bem sua função. Até mesmo a pouco experiente Milena Toscano convence como a indomável mocinha Manuela, apesar de um tanto quanto travada em cenas que exigem um pouco mais de dramaticidade.

O destaque da novela fica por conta dos bons núcleos cômicos, que contam com a impecável Laura Cardoso na pele da Dona Mariquita, os divertidos integrantes do Circo Gran Tenório e a brejeira viúva Janaína, de Suzana Pires, que garante bons momentos em sua luta contra as investidas do arquiteto Fred, de Raphael Vianna. Todos eles com um humor leve, trabalhado na medida certa para não destoar do tom interiorano da história.

Em pouco mais de um mês no ar, talvez o maior ponto fraco da trama seja ainda não ter explorado com mais intensidade o potencial do grande vilão Max, interpretado com maestria por Lima Duarte. Faltam grandes armações, planos maquiavélicos ou qualquer outra coisa capaz de chacoalhar uma história que, até hoje, parece seguir um ritmo de apresentação de primeiro capítulo.

Nesse desfile de corpos e belas paisagens que compõem Araguaia, uma trama bem movimentada é mais do que necessária para que a novela não vire um mero cartão-postal.

Araguaia – Globo – De segunda a sábado, às 18h.

Terra

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Redação TV Foco