Canetas para emagrecer podem causar queda de cabelo e exigem cuidados para preservar os fios e manter a saúde capilar durante o tratamento
As canetas para emagrecer ganharam espaço no tratamento da obesidade, mas também levantaram dúvidas sobre queda de cabelo. Estudos recentes associam medicamentos GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, a maior risco de alopecia.
Ainda assim, a ocorrência permanece baixa nos grandes estudos. Além disso, especialistas relacionam parte dos casos ao emagrecimento acelerado, à restrição calórica e à redução de nutrientes importantes para os fios.
Por que a queda pode acontecer
As canetas para emagrecer atuam sobre mecanismos ligados à saciedade, ao apetite e ao controle metabólico. Assim, o paciente tende a consumir menos alimentos e pode perder peso rapidamente.

Nesse cenário, o organismo pode receber menos proteínas, ferro, zinco e outros nutrientes. Consequentemente, o ciclo de crescimento dos fios pode sofrer alterações e provocar o chamado eflúvio telógeno.
Esse quadro costuma provocar queda difusa e temporária. Portanto, ele não significa necessariamente o surgimento de calvície permanente. Em muitos casos, os fios voltam a crescer após a estabilização do organismo.
O que os estudos recentes mostram
Em julho de 2026, pesquisadores relataram maior probabilidade de novo diagnóstico de alopecia entre usuários de medicamentos GLP-1. A análise comparou esses pacientes com usuários de outras classes contra o diabetes.
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Após pelo menos dois anos de tratamento, o risco relativo ficou 37% maior frente aos inibidores de SGLT-2. Em comparação com inibidores de DPP-4, a diferença chegou a 68%.
Apesar disso, as taxas absolutas permaneceram baixas, entre aproximadamente três e nove casos por mil pessoas ao ano. Portanto, os números não indicam que a maioria dos pacientes terá queda de cabelo.
Outro estudo publicado no Journal of the American Academy of Dermatology avaliou semaglutida e tirzepatida. A pesquisa reforçou a necessidade de investigar melhor a relação entre esses medicamentos e diferentes tipos de alopecia.
Como proteger os fios durante o tratamento
Quem utiliza canetas para emagrecer deve evitar dietas extremamente restritivas. Além disso, a alimentação precisa fornecer proteínas e micronutrientes suficientes para sustentar as funções do organismo.
Por isso, o acompanhamento com médico e nutricionista ajuda a controlar a velocidade do emagrecimento. Também permite identificar alterações nutricionais por meio da avaliação clínica e de exames, quando necessários.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia alerta para deficiência de vitaminas, perda muscular e afinamento dos cabelos quando o tratamento ocorre sem supervisão. Assim, refeições menores e densas em nutrientes podem ajudar pacientes com saciedade elevada.

Quando procurar avaliação médica
A queda persistente ou intensa merece avaliação profissional. Afinal, outros fatores também podem provocar alopecia, incluindo alterações hormonais, doenças da tireoide, deficiências nutricionais e condições dermatológicas.
Além disso, a Anvisa exige retenção da receita para medicamentos agonistas de GLP-1 no Brasil. A medida busca ampliar a segurança diante do uso inadequado e de eventos adversos.
Portanto, as canetas para emagrecer não devem ser usadas por conta própria. O controle da perda de peso, a ingestão adequada de nutrientes e o acompanhamento profissional ajudam a reduzir riscos.
Em síntese, as canetas para emagrecer podem aparecer associadas à queda de cabelo, mas a relação envolve diferentes fatores. Por isso, preservar os fios durante o uso de canetas para emagrecer depende de uma abordagem que considere o medicamento, o ritmo do emagrecimento e o estado nutricional.
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Autor(a):
Wellington Silva
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