Clientes entristecidos: 10 bancos que deixaram de existir no Brasil
Dez bancos que deixaram de existir no Brasil após falências, intervenções, incorporações e grandes mudanças no setor financeiro Durante décadas, alguns bancos que deixaram de existir no Brasil fizeram parte da rotina de milhões de clientes. Essas instituições marcaram diferentes…
Dez bancos que deixaram de existir no Brasil após falências, intervenções, incorporações e grandes mudanças no setor financeiro
Durante décadas, alguns bancos que deixaram de existir no Brasil fizeram parte da rotina de milhões de clientes. Essas instituições marcaram diferentes períodos da economia, ocuparam espaço nas principais cidades e também ganharam destaque em campanhas publicitárias. Com o passar dos anos, porém, crises financeiras, intervenções, compras e incorporações mudaram completamente esse cenário.
Além disso, algumas dessas marcas chegaram a figurar entre os maiores bancos do país. Outras conquistaram notoriedade por suas relações com grandes empresas, personalidades e até com o esporte. De acordo com levantamento publicado pela Veja São Paulo, dez instituições que fizeram parte da história financeira brasileira acabaram desaparecendo do mercado.
Comind chegou ao quinto lugar entre os maiores bancos
Para começar, o Banco do Comércio e Indústria de São Paulo, o Comind, construiu uma trajetória de destaque no sistema financeiro nacional. A instituição surgiu em 1889 e, ao longo das décadas, conquistou uma posição importante no mercado.
Em 1985, o banco ocupava o quinto lugar entre os maiores bancos do Brasil e mantinha cerca de 17 mil funcionários. Além disso, o Comind investia em publicidade e adotava o cachorro Snoopy como símbolo da marca.
Entretanto, uma intervenção federal mudou os rumos da instituição naquele mesmo ano. A medida encerrou as atividades do banco e colocou fim à trajetória de uma das marcas mais conhecidas daquele período.
Banco Nacional ganhou fama ao patrocinar Ayrton Senna
Outro nome que permanece na memória de muitos brasileiros é o Banco Nacional. A instituição ganhou enorme visibilidade ao se tornar um dos principais patrocinadores de Ayrton Senna durante a carreira do piloto na Fórmula 1.
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Além disso, o banco também entrou para a história da televisão brasileira. O Nacional se tornou o primeiro anunciante do Jornal Nacional, programa que estreou em 1969.
Apesar da força da marca, problemas financeiros comprometeram os negócios. Em 1995, a instituição encerrou sua trajetória após uma liquidação. Assim, um dos bancos mais conhecidos pelos brasileiros deixou de operar no mercado.
Banespa marcou a história econômica de São Paulo
Por sua vez, o Banespa manteve uma relação bastante próxima com a economia paulista. O banco surgiu em 1909 e assumiu caráter estadual em 1927. Durante sua história, a instituição teve entre suas atividades o financiamento ligado à produção de café.
Com o passar do tempo, entretanto, novas mudanças alteraram o controle da instituição. Em 2000, o Santander comprou o Banespa em um processo de privatização.
Durante algum tempo, a marca Santander Banespa continuou aparecendo nas operações. Depois, o grupo espanhol abandonou o nome tradicional e consolidou a marca Santander no mercado brasileiro.
Banco Auxiliar encerrou as atividades junto com o Comind
Outro nome que desapareceu do setor financeiro foi o Banco Auxiliar. A instituição pertencia à família responsável pelo grupo da CICA, a Companhia Industrial de Conservas Alimentícias.
Durante os anos 1980, o banco ganhou fama por apresentar recursos tecnológicos considerados avançados para aquele período. Porém, a instituição não conseguiu manter sua trajetória por muito tempo.
Em 1985, uma liquidação encerrou as operações do Banco Auxiliar junto com as do Comind. Depois disso, diferentes instituições financeiras receberam os ativos que pertenciam ao banco.
Banco Bandeirantes acabou nas mãos do Unibanco
Já o Banco Bandeirantes começou sua história em 1971. A instituição surgiu a partir do antigo Banco da Lavoura de Minas Gerais e conquistou espaço entre os consumidores brasileiros.
Em 1998, a Caixa Geral de Depósitos, instituição portuguesa, comprou o Bandeirantes. Mesmo com a troca de controle, os clientes continuaram encontrando a marca nas operações durante algum tempo.
Dois anos depois, porém, o Unibanco comprou o Bandeirantes e incorporou suas operações. A negociação encerrou a atuação independente da instituição e retirou a marca do mercado bancário.
Banco Real passou por grandes grupos internacionais
Outro banco que marcou época foi o Banco Real. A instituição também surgiu a partir do Banco da Lavoura de Minas Gerais e começou sua trajetória em 1971.
Posteriormente, o grupo holandês ABN AMRO comprou o Banco Real em 1998. A marca continuou conhecida entre os brasileiros durante anos, até que uma nova negociação mudou novamente o cenário.
Depois, o Santander adquiriu o ABN AMRO e assumiu as operações do Banco Real no Brasil. Com a integração das atividades, o grupo espanhol encerrou gradualmente a utilização da antiga marca.
Sudameris chegou ao grupo dos maiores bancos do país
O Sudameris também construiu uma longa história no Brasil. A instituição começou suas atividades em 1900 com o nome Banco Commerciale Italiano de São Paulo.
Ao longo dos anos, o banco passou por mudanças e conquistou uma posição importante no mercado. Em 2003, ocupava o nono lugar entre os maiores bancos brasileiros.
Naquele ano, o grupo holandês ABN AMRO comprou o Sudameris. A negociação colocou fim à independência da marca, que posteriormente perdeu espaço até desaparecer do sistema bancário brasileiro.
Banco América do Sul nasceu com imigrantes japoneses
O Banco América do Sul teve uma origem diferente dos demais nomes da lista. Imigrantes japoneses criaram a instituição na década de 1940, em um período de grandes transformações econômicas no país.
Embora o banco não tenha alcançado o mesmo tamanho de algumas das maiores instituições brasileiras, ele construiu uma base própria de clientes.
Em 1998, o Sudameris comprou o Banco América do Sul. A aquisição, entretanto, não apresentou os resultados esperados, já que muitos clientes da instituição adquirida não mantinham mais suas atividades.
Com a integração ao grupo, a antiga marca acabou desaparecendo do mercado.
Haspa deixou clientes tentando recuperar investimentos
Outro caso curioso envolve a Haspa, instituição ligada ao mercado de poupança. O ex-ministro Delfim Netto mantinha ligação com a empresa, que chegou a ocupar uma posição de destaque entre as maiores instituições de poupança do Brasil.
A trajetória, contudo, terminou em 1983. Naquele ano, uma liquidação encerrou as operações da Haspa.
Mesmo décadas depois, o nome da instituição ainda aparece associado a clientes que tentam recuperar valores relacionados a investimentos e títulos antigos.
Banco Geral do Comércio desapareceu após uma compra
Por fim, o Banco Geral do Comércio, conhecido como BGC, também entrou para a lista de instituições que não existem mais.
O banco integrava o grupo Camargo Corrêa e manteve uma trajetória mais curta quando comparada com outras instituições citadas.
Em 1977, o Santander comprou o Banco Geral do Comércio e incorporou suas operações. A negociação encerrou a história independente do BGC e retirou mais uma marca do cenário financeiro brasileiro.
Por que tantos bancos deixaram de existir no Brasil?
A trajetória desses 10 bancos que deixaram de existir no Brasil mostra como o sistema financeiro passou por profundas mudanças ao longo das décadas. Enquanto algumas instituições enfrentaram crises e liquidações, outras acabaram nas mãos de grupos maiores.
Além disso, as grandes aquisições e fusões reduziram a quantidade de marcas independentes no mercado. Empresas nacionais e estrangeiras passaram a concentrar operações e, em muitos casos, substituíram nomes tradicionais por suas próprias marcas.
Por isso, nomes como Comind, Banco Nacional, Banespa, Banco Bandeirantes, Banco Real e Sudameris permanecem na memória de antigos clientes. Cada instituição ajudou a construir uma parte da história bancária brasileira antes de desaparecer do mercado.