Globo (Foto: Reprodução)

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Uma das coisas que mais atrapalha as novelas da Globo são o excesso de personagens.

São vários núcleos, muitas vezes inúteis, que não servem nem como alívio cômico nem para o enredo da trama e no final só atrapalham. É só lembrar de Segundo Sol na Globo e aqueles núcleos insuportáveis da família do Severo (Odilon Wagner) e da Thalita Carauta.

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No entanto, falando do mesmo autor de Segundo Sol, João Emanuel Carneiro, é importante lembrar uma novela que foi totalmente nessa contramão que é a icônica Avenida Brasil. A produção focava em poucos personagens onde girava quase todos os acontecimentos da história.

Esse núcleo me tirava do sério: Clóvis (Luis Lobianco), Dodô (José de Abreu) e Gorete (Thalita Carauta) em Segundo Sol<br /> (Foto: Globo/Paulo Belote)

Esse núcleo me tirava do sério: Clóvis (Luis Lobianco), Dodô (José de Abreu) e Gorete (Thalita Carauta) em Segundo Sol
(Foto: Globo/Paulo Belote)

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Na época, se comentou que esse enredo gerava um esforço homérico aos atores, pois tinham que memorizar toneladas de texto. Diante dos fatos expostos, surge a pergunta: qual o verdadeiro motivo de não se apostar em uma novela com poucos personagens fortes, inclusive em outros horários como 18h e 19h?

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Será para não cansar muito alguns atores como aconteceu em Avenida Brasil ou é simplesmente uma decisão dos autores? As duas possibilidades são prováveis. Em relação a primeira, é importante lembrar que, como é amplamente usado nas novelas mexicanas, existe o recurso do ponto eletrônico.

Dessa forma, os atores não precisam decorar completamente os textos, que são soprados no ouvido do artista. E disso surgem outros questionamentos: a Platinada não se utiliza disso porque os atores não querem (pois tiraria “toda a arte de se interpretar”), porque isso diminuiria a qualidade das tramas ou pela ideia de que “time que está ganhando não se mexe” (de forma que se o canal nunca usou não teria motivos para usar agora)?

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Adriana Esteves e Débora Falabella em cena de Avenida Brasil. (Foto: Divulgação)

Adriana Esteves e Débora Falabella em cena de Avenida Brasil. (Foto: Divulgação)

Fato é que este recurso, ressalto novamente, é usado em todas as novelas mexicanas já que nessas tramas os personagens têm muitas falas e fica praticamente impossível decorar todas. Isso resolveria essa questão de muitos personagens nas nossas brasileiras e lembrando que novela a meu ver não é arte, é entretenimento do tipo mais clichê possível.

Existe também a possibilidade de se colocar tantos personagens ser uma simples decisão do autor, que vê nisso uma forma de pulverizar o texto em outros lugares da história em uma espécie dramatúrgica de “colocar água no feijão”. Nunca saberemos.

As opiniões expressas aqui são de responsabilidade do autor do texto, e não refletem a opinião do site TV Foco.