Elize Matsunaga volta ao centro de uma revelação impactante após filha descobrir da forma mais dolorosa possível o crime que marcou a história da família

“Uma prostituta que esquartejou seu pai”. Foi com essa frase, dita por outra criança durante uma festa escolar, que a filha de Elize Matsunaga descobriu, da forma mais dura possível, a história que marcou sua própria família e entrou para a lista dos crimes mais conhecidos do país. A revelação, feita quando a menina tinha apenas 9 anos, voltou a chocar o público depois que o jornalista Ullisses Campbell, autor do livro Elize Matsunaga A mulher que esquartejou o marido e roteirista da série Tremembé, contou detalhes do episódio em uma entrevista recente.

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O caso reacendeu discussões sobre os impactos silenciosos que crimes de grande repercussão deixam nos familiares, especialmente nos filhos, que muitas vezes crescem longe dos pais e cercados por perguntas que ninguém consegue responder com facilidade. No centro dessa história está a filha de Elize Matsunaga e de Marcos Kitano Matsunaga, uma menina que ainda era bebê quando tudo aconteceu e que, desde então, cresceu sob os cuidados dos avós paternos, longe da mãe e cercada por uma verdade que, em algum momento, inevitavelmente apareceria.

Elize Matsunaga chorando (Foto: Reprodução/Globo)
Elize Matsunaga chorando (Foto: Reprodução/Globo)

Para entender por que esse relato causou tamanho impacto, é preciso voltar a maio de 2012. Naquele período, o Brasil acompanhou com espanto o desaparecimento de Marcos Matsunaga, herdeiro e executivo da Yoki, uma das marcas mais tradicionais do setor alimentício no país. Dias depois, a polícia encontrou partes do corpo do empresário em uma área de mata na Grande São Paulo. As investigações avançaram rapidamente e apontaram a própria esposa, Elize Matsunaga, como autora do crime.

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Segundo a apuração policial, ela matou o marido com um tiro, esquartejou o corpo e tentou ocultar os restos mortais em diferentes locais. Em 2016, Elize foi condenada pela Justiça. Anos depois, após revisões no processo e progressão de pena, ela deixou a prisão em regime aberto.

Desde então, sua vida passou a ser acompanhada com discrição, enquanto uma batalha paralela seguia nos bastidores: a tentativa de reconstruir algum tipo de vínculo com a filha, criada desde pequena pelos avós paternos.

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Foi justamente nesse contexto que Ullisses Campbell revelou um dos episódios mais delicados envolvendo a criança. Durante participação no podcast “Cortesia”, o jornalista contou que a menina descobriu quem realmente eram seus pais em um ambiente que deveria representar acolhimento: uma festa escolar.

Filha de Elize Matsunaga

“Uma criança chamou ela e perguntou: ‘Quem são seus pais?’”, relatou Campbell. Segundo ele, a menina respondeu citando os nomes dos avós, já que foram eles que assumiram sua criação desde bebê.

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Mas a conversa tomou um rumo inesperado. “Não, seu pai é o Marcos Matsunaga e sua mãe é a Elize Matsunaga, que é uma prostituta que matou e esquartejou seu pai”, teria dito a outra criança.

Elize Matsunaga (Foto: Reprodução/Globo)
Elize Matsunaga (Foto: Reprodução/Globo)

O impacto foi imediato. Ainda segundo Campbell, a menina ficou profundamente abalada e passou a receber acompanhamento psicológico após o episódio. O relato expôs não apenas o peso do passado, mas também como filhos de pessoas envolvidas em crimes famosos acabam enfrentando consequências mesmo muitos anos depois dos fatos.

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A história também trouxe novamente para o debate uma questão que nem sempre aparece com destaque: o acompanhamento psicológico infantil. O que isso significa, na prática? Quando uma criança passa por traumas emocionais intensos, psicólogos especializados ajudam a identificar sinais de ansiedade, medo, isolamento ou dificuldade de socialização.

O tratamento pode envolver conversas, atividades lúdicas e estratégias para que a criança compreenda acontecimentos difíceis sem carregar sozinha um peso emocional tão grande.

Enquanto a filha crescia longe dos holofotes, Elize tentava reconstruir a própria vida após deixar o sistema prisional. Em 2022, ela conquistou a liberdade condicional, uma modalidade em que o condenado pode cumprir o restante da pena fora da prisão, desde que siga regras determinadas pela Justiça.

Entre elas, manter endereço fixo, comprovar atividade profissional e respeitar restrições judiciais. Desde então, reportagens apontaram que Elize passou a viver de forma discreta no interior paulista.

Mesmo em liberdade, a relação com a filha permaneceu distante. Segundo Campbell, os avós paternos movem ações judiciais para impedir uma reaproximação imediata. O jornalista afirmou que Elize tenta, na Justiça, ao menos conquistar o direito de ver a filha. “Ela quer apenas o direito de ver a filha”, afirmou o autor em outra entrevista.

Elize Matsunaga (Foto: Reprodução)
Elize Matsunaga (Foto: Reprodução)

Nos últimos meses, o caso voltou ao centro das conversas públicas após o lançamento de Tremembé, produção inspirada nos livros de Campbell e focada não apenas nos crimes, mas também nas consequências deixadas por eles. O próprio roteirista explicou que a proposta da série não era reviver o crime em si, mas mostrar tudo o que veio depois.

“No nosso projeto, o crime é praticamente um detalhe. O que está mesmo em jogo é o que acontece depois dele”, afirmou.

No caso de Elize Matsunaga, o “depois” envolve justamente uma filha que cresceu cercada por silêncio, proteção e perguntas difíceis. E, quando finalmente descobriu sua própria história, não encontrou a verdade em casa, nem em uma conversa preparada pela família. Encontrou em uma frase cruel, dita sem filtro, no meio de uma festa de escola.