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Emissoras tentam amenizar os efeitos do horário eleitoral

Eleições transformam a grade das emissoras. Foto: TV Press

As eleições sempre transtornam a programação das emissoras. Além de pautar os principais jornalísticos, a propaganda eleitoral gratuita – e obrigatória – altera os horários e corta atrações ao meio, prejudicando suas médias gerais de audiência. E, ainda pior, algumas vezes tira os programas do ar, devido aos 100 minutos de propaganda em duas exibições diárias, às 13h e às 20h30.

Na Globo, por exemplo, o Profissão Repórter saiu da tela para não ir ao ar ainda mais tarde do que o habitual horário de 23h25. O mesmo aconteceu com o Vídeo Game, quadro da revista eletrônica Vídeo Show. Na Record, Rodrigo Faro interrompe o Vai Dar Namoro, do Melhor do Brasil, para abrir espaço aos pedidos de votos. Mas, questionadas, as emissoras preferem não discutir o assunto. “A Globo realizou algumas afinações na sua grade com o objetivo de garantir as exibições dos programas, sempre preservando a programação, o conteúdo e sem causar prejuízo aos telespectadores”, justificou a emissora, por meio de sua assessoria de imprensa, sem conceder entrevistas de sua direção.

A postura burocrática se repete na Record e na Band. SBT e Rede TV! se calam sobre o assunto. De acordo com os números do Ibope, comparando a primeira semana de horário eleitoral gratuito com a primeira quinzena de agosto, quase todos os canais abertos perderam pontos na média geral do dia, das sete da manhã à meia-noite. “A Band é a única emissora que não caiu. E, na faixa noturna, fomos a que menos perdeu”, comemorou a Band, através de sua assessoria de imprensa. Seu diretor artístico e de produção, Hélio Vargas, também prefere o silêncio. A emissora continua com 2,4 pontos de média diária, enquanto o SBT caiu de 5,9 para 4,8; a Rede TV!, de 1,8 para 1,5; a Record, de 7,7 para 6,7; e a Globo, de 16,5 para 15,3. Já na média do horário entre 18 h e 0 h, a Band desceu de 3,6 para 3,4; o SBT, de 6,9 para 5,1; a Rede TV!, de 3,5 para 2,8; a Record, de 10,2 para 9,1; e a Globo, de 26,1 para 25,1.

Já os canais por assinatura e aparelhos como DVD e games, como já era de esperar, ganharam mais adeptos. Subiram de 5,9 para 7 e de 4,1 para 4,8, respectivamente. “Esse é um fato comum nesse período. O total de televisores ligados cai demais. Só no nosso público, das classes A e B entre 15 e 29 anos, essa queda foi de quase 10%”, entregou a gerente de programação da MTV, Raquel Afonso, quebrando o silêncio quase absoluto da direção das emissoras abertas.

No lugar de tirar programas do ar ou de esquartejá-los, a Record optou por diminuir um pouco de suas minutagens e, assim, tentar preservar ao máximo sua programação. Mas aos sábados não teve jeito: precisou dividir o Melhor do Brasil. Para amenizar o impacto na audiência, o programa é interrompido justamente em seu quadro de maior sucesso, o Vai Dar Namoro. “As pessoas ficam esperando o horário eleitoral acabar para assistirem às dancinhas”, explicou Rodrigo Faro, que apesar de triste com a solução, reconhece que é difícil encontrar outra saída. “Claro que nossos números seriam melhores. Entregamos o programa com 19 pontos no primeiro sábado de horário eleitoral e recebemos com 15, mais de 20% de perda”, analisou o apresentador.

O SBT, que perdeu cerca de 25% de audiência na faixa entre 18h e 0h, preferiu “cortar o mal pela raiz”. E, pelo visto, se deu mal. Para não prejudicar sua grade durante o horário eleitoral, Sílvio Santos reduziu Uma Rosa com Amor, novela de Tiago Santiago, em 35 capítulos. Com isso, o folhetim exibiu seu último capítulo em 16 de agosto, um dia antes do começo da propaganda eleitoral gratuita. Tiago sabe que ficar mais tempo no ar poderia elevar a média geral da novela – o último mês ficou com audiência sempre entre oito e 10 pontos, ao contrário dos cinco e seis das primeiras semanas -, mas não reclama do corte. “Foi uma decisão do SBT, para não ter que mexer no resto da grade. E eu aceitei”, garantiu.

No período da tarde, o horário eleitoral prejudica mais as faixas de programação locais. Mas, para a MTV, é aí que está o maior efeito da propaganda eleitoral. “Temos uma estratégia para essa faixa, com o Acesso MTV. Ele passou de 13 para 13h50 e essa mudança foi das mais impactantes para nós”, contou Raquel, que não se sente capaz ainda de mensurar as consequências. “Estamos esperando mais alguns dias para poder avaliar direito o quanto perdemos”, explicou a gerente de programação da MTV.

Saldo positivo
A expectativa pelo segundo turno já existe, mas as incertezas fazem com que todas as emissoras sejam reticentes na hora de determinar suas estratégias. E na hora de falar sobre elas. “Para a Record, ainda é cedo para avaliar o comportamento da programação diante do horário eleitoral”, afirmou a Central Record de Comunicação, sem creditar a opinião a qualquer nome ligado à programação da rede. De qualquer forma, comercialmente, o ano eleitoral não traz grandes impactos. “Não temos mais espaço nem para merchandising”, festejou Rodrigo Faro, que também comanda o “reality” Ídolos, que agora termina 10 minutos mais tarde.

Um fator específico ajuda a amenizar os prejuízos de todos os anos de eleições presidenciais: a Copa do Mundo. “A MTV montou uma cobertura de Copa com cotas de patrocínio vendidas. Isso ajuda a equilibrar o orçamento. E temos ainda o MTV Video Music Brasil (VMB), que aquece o nosso comercial”, analisou Raquel Affonso.

Instantâneas
# O quadro Vídeo Game continua sendo gravado pela Globo. E com novidades. A ideia é mesclar anônimos e famosos participando da disputa. Na primeira semana depois das eleições, o convidado especial é Luciano Huck.

# Caso ocorra segundo turno, a propaganda eleitoral gratuita passa de 50 minutos para, no máximo, 20.

# Com exceção das noites de segunda-feira, a MTV conseguiu manter intacto o horário nobre da emissora, considerado a partir das 22 horas.

# Essa não foi a primeira vez que o Profissão Repórter e o Vídeo Game saíram do ar neste ano. O programa de Caco Barcellos não foi exibido nos dias 15 e 29 de junho, 6 de julho e 10 de agosto, em função de jogos da seleção brasileira. E o quadro do Vídeo Show saiu do programa durante a Copa do Mundo.

Por Márcio Maio
/ PORTAL TERRA

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Sobre o autor

Deivison Lima

Escreve sobre Televisão desde 2008