Equipe de “Velho Chico” se esforça para compor figurino da trama nos mínimos detalhes

[caption id="attachment_417980" align="aligncenter" width="620"] Eulália (Fabiula Nascimento) em gravação no interior de Alagoas (Foto: Globo/Caiuá Franco)[/caption] O figurino da próxima novela das nove, ‘Velho Chico’, foi criado respeitando um processo artesanal, em que as roupas passam por uma primeira etapa…

Eulália (Fabiula Nascimento) em gravação no interior de Alagoas (Foto: Globo/Caiuá Franco)

Eulália (Fabiula Nascimento) em gravação no interior de Alagoas
(Foto: Globo/Caiuá Franco)

O figurino da próxima novela das nove, ‘Velho Chico’, foi criado respeitando um processo artesanal, em que as roupas passam por uma primeira etapa de descoloração do tecido e posterior tingimento para chegar na cor definida. A finalização é realizada com técnicas de envelhecimento natural: exposição ao sol, aplicação de cera, desgaste com lixas, pedras e a até própria terra do sertão foi usada, em alguns casos. “A gente trabalha nos detalhes. Eles fazem a diferença. É importante variar as técnicas para não ficar tudo igual. Diversidade é fundamental. No processo de envelhecimento, por exemplo, a gente vai tirando as cores do ombro, do cotovelo, para dar o ar de desgastado”, pontua Thanara Schonardie, figurista da novela.

No primeiro momento da novela, que começa no final da década de 1960 e se estende até os dias atuais, destaca-se os tons mais pastéis para o figurino dos personagens sertanejos, e tons mais saturados, mais “tropicália”, para os personagens que vivem na capital, Salvador. “Comecei trabalhando Iolanda (Carol Castro), Leonor (Marina Nery) e Encarnação (Selma Egrei). No figurino de Leonor, estou usando muita flor e xita com estampa colorida. Os tecidos estampados vão sendo colocados em camadas e ganham volume. Já Iolanda representa a busca pela identidade brasileira, uma linguagem da tropicália, ela usa mais decotes e a roupa é mais estruturada no corpo”, ressalta Thanara.

Todo o cuidado em cada uma das peças não substitui, claro, a realidade. Por isso, Thanara e sua equipe foram em busca de moradores das regiões por onde a novela está sendo gravada para propor uma espécie de escambo. A ideia partiu do diretor Luiz Fernando Carvalho e foi executada por eles com maestria. Nas cidades do interior de Alagoas, Bahia e Rio Grande do Norte, a equipe realizou uma pesquisa e identificou possíveis peças para compor o figurino dos personagens. A partir disso, trocavam com o morador local uma roupa nova por uma já usada, e compravam algumas peças também. “Conseguimos, por exemplo, uma bota de um senhor que caminhava pela estrada. E demos outro sapato novo para ele”, explica Thanara.

Os processos de envelhecimento e vivência foram realizados com os acessórios de todos os personagens também. Até agora, a equipe já trabalhou em mais de 700 acessórios, incluindo chapéus e botas. “Para os chapéus, deixamos expostos ao sol para que assumissem um aspecto de queimado, cores distintas e usamos outras técnicas de envelhecimento. Não é só envelhecer. Tem a marca do tempo, do dia a dia. Os chapéus vieram do processo de envelhecimento e tínhamos que dar formas da cabeça. Cada personagem usa de um jeito. Tem a marca da mão, de acordo com a forma como ajeita o chapéu na cabeça”, detalha a figurinista.

“Velho Chico” é uma novela de Benedito Ruy Barbosa, escrita por Edmara Barbosa e Bruno Barbosa, com direção artística de Luiz Fernando Carvalho.

Leia também

Tópicos nesse artigo: