Dívida de 1,2B: Fábrica amada das donas de casa pede socorro para não ir à falência

O fim de uma era? Gigante entra com pedido de recuperação judicial após dívida bilionária; Entenda o que acontece agora.

20/03/2026 06:45

4 min

Fábrica amada por donas de casa pede socorro para não falir (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Canva/GMN/Lennita)
Fábrica amada por donas de casa pede socorro para não falir (Fot...
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O fim de uma era? Gigante entra com pedido de recuperação judicial após dívida bilionária; Entenda o que acontece agora

O mercado têxtil global assiste, com apreensão, ao balanço de uma das marcas mais icônicas da história da moda e do uso doméstico.

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Presente no guarda-roupa de praticamente todas as famílias, a etiqueta que revolucionou o conforto das calças, lingeries e roupas esportivas enfrenta agora o seu capítulo mais desafiador em quase sete décadas de existência.

O que antes parecia uma hegemonia inabalável no setor de fios elásticos, sendo amada por milhares de donas de casa, transformou-se em uma corrida contra o tempo nos tribunais dos EUA.

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Trata-se da The Lycra Company, detentora da marca que virou sinônimo de elasticidade que:

  • Protocolou o pedido no dia 17 de março, em Houston, no Texas;
  • Agora busca um fôlego diante de uma dívida que atinge a marca de US$ 1,2 bilhão.

O que chega a aproximadamente R$ 7,1 bilhões na cotação atual.

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Por que a gigante balançou?

De acordo com a Istoé Dinheiro, diferente de empresas que sofrem com má gestão operacional imediata, a Lycra carrega o fardo de uma engenharia financeira complexa iniciada anos atrás.

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Isso porque a crise não nasceu hoje:

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  • Ela é o resultado de uma combinação de aquisições agressivas;
  • E de um cenário de mercado que se tornou hostil para as marcas de luxo tecnológico.

Grande parte do sufoco financeiro deriva da compra da empresa em 2019 pelo grupo chinês Ruyi Textile.

A transação sobrecarregou o caixa da companhia com dívidas que se tornaram impagáveis sob as taxas de juros globais.

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Além disso, a marca enfrentou uma concorrência feroz de fabricantes asiáticos que produzem elastano genérico a preços agressivamente baixos, corroendo a margem de lucro da empresa original.

Isso sem falar nas tarifas imprevisíveis entre Estados Unidos e China, que, somadas a disputas judiciais com os antigos proprietários chineses, criaram um ambiente de insegurança para os investidores.

Por fim, as mudanças nos hábitos de consumo global e a retração econômica em mercados-chave reduziram as encomendas de tecidos de alta tecnologia.

Linha do tempo:

Para entender como uma marca tão consolidada chegou a este ponto, é preciso observar sua trajetória de liderança e as trocas de comando que definiram seu destino.

  • 1958 - Cientistas da DuPont inventaram o elastano (spandex), batizado comercialmente como Lycra. A fibra revolucionou o vestuário ao permitir elasticidade sem deformar as peças;
  • Anos 60 a 90 - A marca tornou-se líder absoluta, licenciando sua tecnologia para as maiores grifes do mundo e entrando massivamente nos lares por meio de meias-calças e roupas de banho;
  • 2004 - A Koch Industries adquiriu a unidade de fibras da DuPont, formando a Invista, que passou a gerir a marca Lycra;
  • 2019 - O grupo chinês Shandong Ruyi adquiriu a The Lycra Company em uma transação bilionária, mas a empresa começa a sofrer com o alto endividamento do novo controlador;
  • 2022 - Após calotes da Ruyi, um consórcio de credores (incluindo fundos como Lindeman Partners e Cyrus Capital) assumiu o controle da Lycra para tentar salvar a operação;
  • 2026 - Conforme citamos acima, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos EUA para eliminar a maior parte da dívida e receber um aporte imediato de US$ 75 milhões.
https://youtu.be/Yw7Ymkd50Aw?si=1yXlFXhKwMqplGur

O que acontecerá com a Lycra agora?

Ainda de acordo com o portal, apesar do susto, a diretoria da The Lycra Company mantém um tom otimista e profissional.

Segundo a marca, o objetivo do processo judicial não é o fechamento das portas, mas:

  • Uma "limpeza" contábil necessária para a sobrevivência do negócio a longo prazo;
  • Uma ação para aumentar as chances de se livrar da falência total.

Além disso, a empresa afirma possuir apoio quase unânime dos seus financiadores, o que sugere um processo de recuperação rápido, estimado em apenas 45 dias.

As oito fábricas espalhadas pelo mundo (inclusive com forte presença na América do Sul e Ásia) continuam operando normalmente.

E, felizmente, os 2.000 funcionários não sofrerão cortes imediatos decorrentes deste processo.

Por fim, a Lycra garante que o fornecimento de fios e o atendimento aos parceiros comerciais não sofrerão interrupções durante a reestruturação.

Para as donas de casa e consumidores em geral, o recado é de continuidade.

Afinal de contas, a marca busca apenas fôlego financeiro para garantir que o fio que sustenta a moda mundial não se rompa definitivamente.

Mas, para saber mais informações sobre outros varejistas, clique aqui*.

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Autor(a):

Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.