Falência e venda a Electrolux: O fim de duas marcas gigantes de eletrodomésticos no Brasil
Entenda como um império bilionário entrou em falência enquanto outro foi engolido por uma multinacional sueca para ditar os rumos do mercado.
Descubra os bastidores de uma falência bilionária e da venda estratégica que mudaram o mercado de eletrodomésticos no Brasil
Falência e aquisição estratégica foram os desfechos opostos, mas igualmente definitivos, para selar o fim de duas marcas gigantes de eletrodomésticos no Brasil.
Estamos falando da Mabe e da Prosdócimo (Refripar), duas marcas fortíssimas em eletrodomésticos de “linha branca”.
Enquanto uma testemunhou o seu império ruir sob um bilionário escândalo de insolvência fraudulenta, o outro foi completamente absorvido por uma multinacional sueca para pavimentar a liderança da Electrolux no país.
Com base em informações do portal Galpão das Máquinas e Wiki, trazemos mais detalhes do desfecho de cada uma e como funciona o processo de falência no Brasil.
O que aconteceu com a Mabe?
A multinacional de origem mexicana Mabe iniciou suas atividades em território brasileiro em 2003, quando realizou a aquisição da tradicional marca Dako.
Em 2009, a empresa expandiu sua atuação ao comprar por R$ 70 milhões as operações da BSH (Bosch e Siemens).
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Ao gerenciar cinco marcas de grande apelo (Mabe, Dako, GE, Bosch e Continental), a companhia virou a segunda maior potência do setor no Brasil, atrás apenas da Whirlpool (Brastemp/Consul).
Em 2007, o faturamento chegou a atingir R$ 1,2 bilhão.
Diante da retração econômica, os planos de expansão falharam. Em maio de 2013, a fabricante protocolou seu pedido de recuperação judicial. O plano aprovado acabou sendo descumprido pela gestão já no início de 2014.
No final de 2015, o passivo total somava R$ 1,1 bilhão, configurando um calote generalizado na praça de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
Em 10 de fevereiro de 2016, a Justiça de São Paulo decretou oficialmente a falência da companhia.
Porém, esse colapso foi marcado por protestos de 1,5 mil operários demitidos sem verbas rescisórias em Campinas e Hortolândia.
Investigações conduzidas após o fechamento apontaram que a quebra foi um processo de insolvência premeditada pela matriz no México, em conluio com os sócios brasileiros, incluindo a subsidiária da General Electric (GE) e os ex-proprietários da Dako.
Em abril de 2019, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1,1 bilhão em bens da GE no Brasil, dos executivos da família Penteado e dos controladores da Mabe México.
Os autos apontaram indícios de confusão patrimonial, gestão fraudulenta e desvios de recursos. Na época, nenhuma das marcas quis se manifestar sobre as acusações.
O que aconteceu com o Prosdócimo?
A trajetória começou no início do século XX, em Curitiba (PR), com a fundação das Lojas Prosdócimo por João Prosdócimo, tornando-se rapidamente uma potência do varejo local.
Em 1949, a empresa estruturou a Refrigeração Paraná S/A (Refripar), braço focado na fabricação de geladeiras e freezers que abastecia o mercado nacional, tornando-se a segunda maior indústria de linha branca do país.
Na década de 80, o braço de lojas de departamento começou a ruir economicamente.
Em 1984, a rede foi alienada para o Grupo Arapuã (que posteriormente também faliu).
O braço industrial (Refripar) manteve-se forte até 1996, quando a multinacional sueca Electrolux comprou a empresa e 41% de suas ações por US$ 50 milhões.
Entre 1996 e 1997, os produtos ostentaram a marca híbrida Electrolux-Prosdócimo.
No entanto, naquele mesmo ano de 1997, a razão social virou Electrolux do Brasil S/A, extinguindo a marca tradicional.
As antigas instalações em Curitiba viraram a primeira fábrica da Electrolux no país.
Anos depois, em 2024, a marca Prosdócimo voltou ao mercado de forma repaginada para uma linha de eletrodomésticos portáteis, após ter seus direitos nominais adquiridos pela empresa brasileira Wap Fresnomaq, porém nada parecido com o que ela de fato era.
Dinâmica do setor de linha branca
Para quem não sabe, o setor de linha branca são aqueles que se referem principalmente à categoria de eletrodomésticos de grande porte voltados para uso doméstico, como:
- Geladeiras
- Fogões;
- Micro-ondas
- ETC.
No entanto, não é de hoje que esse tipo de linha possui uma barreira de entrada técnica e logística extremamente elevada, exigindo grandes complexos industriais e redes logísticas para transporte de carga pesada.
Historiadores econômicos apontam que crises cambiais e flutuações no poder de compra das famílias brasileiras forçam a consolidação do setor, resultando na compra de marcas locais por grandes conglomerados internacionais (como o caso Electrolux/Refripar) ou na liquidação forçada por perda de capital de giro (como o caso Mabe).
Qual é a diferença entre falência e recuperação judicial?
De acordo com a Lei Federal nº 11.101/2005 (Lei de Recuperação de Empresas e Falências), o processo de Recuperação Judicial é um mecanismo que concede um prazo supervisionado para que a empresa em crise repactue suas dívidas e evite o fechamento.
Quando o plano aprovado é descumprido ou a continuidade do negócio se mostra inviável (como ocorreu no caso Mabe), o juiz decreta a falência.
A partir disso, a empresa tem suas atividades encerradas imediatamente, seus administradores são afastados e todos os ativos são arrecadados e leiloados para o pagamento prioritário dos créditos trabalhistas.
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