Falência, escândalo e calote de salário: 10 emissoras de TV que sumiram do ar

De calotes em funcionários à cassação do governo federal: Conheça a história por trás da falência e do fim das transmissões de 10 canais de TV

08/09/2026 07:30

6 min

Emissoras deram adeus após falência e crises deixando milhares de telespectadores entristecidos (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Tv Foco/Canva)
Emissoras deram adeus após falência e crises deixando milhares d...
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Relembre a trajetória, os escândalos e as crises financeiras que provocaram o fim trágico de canais icônicos como Manchete, MTV e TV Tupi

A memória da televisão aberta nacional é repleta de projetos ambiciosos que, apesar de alcançarem forte apelo popular e revolucionarem a forma de produzir conteúdo, acabaram extintos.

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Crises financeiras estruturais, escândalos políticos de grande repercussão e calotes históricos de salários desenharam o fim abrupto de dez emissoras brasileiras que marcaram épocas distintas da história audiovisual.

Desde as pioneiras da era de ouro até redes de entretenimento contemporâneas, o mercado de radiodifusão provou ser implacável com os erros de gestão.

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Com base em informações do Canal 90, do YouTube, trazemos abaixo 10 dessas emissoras que tiveram fim e sumiram das telinhas da TV.

MTV

A MTV Brasil marcou profundamente a cultura jovem ao estrear em 20 de outubro de 1990, sob uma parceria firmada entre o:

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  • Grupo Abril;
  • Gigante Viacom.

Com ícones do jornalismo e do entretenimento, como Astrid Fontenelle, apresentando o primeiro videoclipe da história da emissora, o canal moldou gerações com:

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  • VJs autênticos;
  • Os icônicos Acústicos MTV.

Contudo, com as transformações drásticas do mercado fonográfico mundial e a rápida ascensão da internet, os custos de manutenção da marca se tornaram inviáveis.

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Os direitos de transmissão retornaram integralmente à Viacom em 30 de setembro de 2013.

O que decretou o encerramento definitivo das atividades do canal no sinal aberto.

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TV Jovem Pan

No mesmo período de efervescência da TV aberta nos anos noventa, um projeto pioneiro e de grande envergadura tecnológica chamou a atenção do público paulista.

A TV Jovem Pan foi lançada em setembro de 1991 no canal 16 UHF, equipada com:

  • O que havia de mais moderno em tecnologia japonesa;
  • Uma imponente torre de transmissão na Avenida Paulista.

A promessa de inovação, porém, durou pouco…

Intermináveis disputas judiciais entre acionistas e uma CPI instaurada em 1992 para investigar fraudes e sonegação fiscal passaram a atormentar a rotina da emissora de televisão.

Sem fôlego financeiro para continuar operando, os proprietários venderam toda a estrutura física para a Record em 1995.

16 UHF

O mesmo canal 16 UHF abrigou anos mais tarde o Shop Tour:

  • Uma marca pioneira no segmento de vendas diretas na televisão, liderada pelo empresário Luiz Galebe.

O formato de anúncios rápidos e ofertas comerciais de varejo funcionou muito bem por mais de uma década.

No entanto, o projeto sucumbiu após polêmicas familiares nos tribunais.

Além disso, o apresentador enfrentou um longo processo judicial movido por sua ex-esposa e ex-sócia, Tina.

O que resultou em condenações e indenizações estipuladas em valores superiores a 800 mil reais.

As dívidas acumuladas asfixiaram o caixa da empresa, gerando uma retirada gradual do canal do ar até sua extinção total em 2010.

Rede Mulher

O segmento voltado exclusivamente ao público feminino também registrou perdas significativas que alteraram o mapa da TV aberta.

A Rede Mulher foi inaugurada em agosto de 1994, migrando a proposta que já fazia sucesso na Rádio Mulher.

Com uma grade repleta de atrações sobre bem-estar e saúde, lideradas por nomes populares como Solange Frazão, a emissora acabou chamando a atenção de grandes investidores religiosos.

Porém, em 1999, o canal foi adquirido pela Igreja Universal do Reino de Deus e passou por profundas modificações conceituais em sua linha editorial, até ser formalmente desativado para dar lugar à estreia da Record News em 27 de setembro de 2007.

Rede Manchete

Entretanto, nenhum fechamento, contudo, causou tanto impacto emocional e artístico quanto o colapso da Rede Manchete.

Fundada pelo empresário Adolfo Bloch em 5 de junho de 1983, a emissora carioca revolucionou a teledramaturgia nacional com os sucessos estrondosos e inesquecíveis de Pantanal e Dona Beija, além de consolidar uma forte programação voltada ao público infantil com as apresentadoras Angélica e Xuxa.

O padrão de qualidade elevado cobrou um preço alto demais, e o acúmulo de dívidas milionárias levou a empresa a uma crise terminal e falência.

O estopim do drama ocorreu quando funcionários e sindicalistas ocuparam os transmissores da torre do Sumaré em protesto contra salários atrasados.

Mas, após tentativas fracassadas de venda para investidores estrangeiros, a estrutura restante foi transferida em 1999 para os novos donos que fundaram a RedeTV!.

TVE Brasil

No setor público e regional, a história brasileira também testemunhou transições definitivas causadas por decisões administrativas governamentais.

A TVE Brasil operava sediada no Rio de Janeiro desde 1975, focando estritamente em conteúdos de caráter cultural, educativo e pedagógico para complementar o ensino público.

A sua trajetória independente terminou em 2007, quando um decreto oficial assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reformulou a estrutura de comunicação do governo federal.

Posteriormente, a fundação que geria a TVE foi extinta e todo o seu patrimônio técnico e humano foi absorvido para criar a atual estatal TV Brasil.

Rede OM

A ousadia comercial também encontrou barreiras intransponíveis no cenário político nacional, como aconteceu com a paranaense Rede OM.

Lançada na década de 80, a rede chocou o mercado audiovisual ao contratar o narrador Galvão Bueno em 1992 para liderar as transmissões de futebol e da Copa Libertadores da América.

O ambicioso império desmoronou rapidamente no ano seguinte, quando o fundador da emissora, José Carlos Martinez, foi citado formalmente em CPIs vinculadas ao escândalo do caso PC Farias.

Ademais, a repercussão negativa afastou anunciantes, provocou demissões em massa e gerou dezenas de processos trabalhistas, culminando na mudança de nome e transição para a marca CNT em maio de 1993.

TV Tupi:

As páginas finais da história da TV brasileira guardam ainda as memórias dos pilares que fundaram a radiodifusão e sumiram por ordens diretas do Estado.

O jornalista Assis Chateaubriand inaugurou a TV Tupi em setembro de 1950 como a primeiríssima emissora de televisão da América Latina.

O canal liderou a audiência por décadas, mas problemas administrativos crônicos e um endividamento trabalhista generalizado fizeram com que o governo federal cassasse suas concessões de sinal em julho de 1980, tirando a rede do ar de forma traumática para o público.

TV Excelsior

História semelhante viveu a TV Excelsior, canal que brilhou intensamente na década de 60 ao inovar com a produção de telenovelas diárias e grandes festivais de música popular brasileira.

No entanto, diante de graves dificuldades financeiras decorrentes de incêndios em seus estúdios e de fortes atritos políticos com o regime militar instaurado no país, a emissora sofreu intervenção estatal.

Logo, acabou sendo forçada a fechar suas portas em 1970.

O que aconteceu com a Rede de Emissoras Unidas?

Por fim, a Rede de Emissoras Unidas, que integrou pioneiramente os mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro na década de 1950, foi desativada em 1967 após desentendimentos comerciais irreparáveis entre as diretorias das redes parceiras que formavam o bloco de transmissão.

E você, lembra de outra emissora que teve fim? Deixe aqui nos comentários.

Mas, para saber mais informações sobre outros encerramentos, clique aqui*.

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Autor(a):

Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.