De 265 lojas, dívidas e falência: Veja como uma rede gigantesca de eletrodoméstico se tornou o maior pesadelo jurídico do varejo brasileiro

A história do varejo brasileiro é repleta de casos de glórias rápidas e, ao mesmo tempo, quedas estrondosas. Um dos casos mais emblemáticos que se encaixa nisso envolve a saudosa e icônica rede de eletrodomésticos e variedades Lojas Arapuã, a qual acabou em meio a dívidas e falência após um período longo de brilho.

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Com o icônico slogan “Arapuã, ligadona em você”, a rede não apenas vendia itens necessários para o lar, como ditava o ritmo do consumo popular.

No entanto, o que parecia um império inabalável, com 265 unidades, desmoronou sob o peso de erros estratégicos e uma agonia judicial que durou décadas.

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Isso porque o fim da varejista foi selado pela desconexão entre a ambição de seus donos e a realidade econômica brasileira, culminando em uma dívida que ultrapassou R$ 1 bilhão e duas declarações de falência.

Lojas Arapuã foi a primeira a adquirir a Prosdócimo (Reprodução: Internet)
Lojas Arapuã (Foto: Reprodução/ Internet)

Sendo assim, com base em informações do portal Wiki e Exame, trazemos os seguintes pontos abaixo:

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  • Linha do tempo – O que aconteceu?
  • O fechamento de unidades;
  • A visão de dentro;
  • Quando a varejista acabou de vez?

O que aconteceu?

Veja abaixo a linha do tempo dos acontecimentos:

  • 1957: A Arapuã foi undada por Jorge Wilson Simeira Jacob na cidade de Lins (SP), inicialmente como uma loja de tecidos;
  • Anos 70 e 80: A varejista passou a executar uma expansão agressiva por meio do crediário, tornando-se a principal concorrente de Casas Bahia e Ponto Frio;
  • 1995: No auge, quando a loja já era um sucesso, o dono viajou aos EUA e passou a focar 100% em eletroeletrônicos, fechando 120 lojas e reduzindo o mix de produtos de 7.500 para 700 itens;
  • 1996: De longe, o melhor ano financeiro da varejista, a qual apresentou um faturamento de R$ 2,2 bilhões e lucro líquido de R$ 119 milhões;
  • 1997: As coisas começaram a declinar com a crise asiática, a qual elevou os juros no Brasil, explodindo assim a inadimplência e o custo da dívida da empresa;
  • 22/06/1998: A varejista pediu concordata (antiga Recuperação Judicial) com dívidas de R$ 550 milhões;
  • 01/07/2002: A Justiça decretou a falência em 1ª instância por descumprimento do plano de pagamento. A empresa consegue liminares para continuar operando;
  • 2009: O STJ confirmou a falência pela primeira vez, mas a empresa tentou migrar para a nova Lei de Recuperação Judicial (Lei 11.101/05);
  • Junho de 2020: Fatalmente, o STJ negou o pedido de recuperação e decretou a falência definitiva. A corte entendeu que quem descumpriu concordata não tem direito ao novo benefício legal.
Lojas Arapuã fechadas (Foto: Reprodução / Internet)
Lojas Arapuã fechadas (Foto: Reprodução/YouTube)

Como foi o encerramento das unidades da Arapuã?

No seu auge, a Arapuã operava 265 pontos de venda estrategicamente localizados em centros comerciais e ruas de grande movimento, principalmente no Sudeste. Logo, o fechamento dessas unidades foi um efeito dominó catastrófico:

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  • A saída repentina da rede deixou imóveis gigantescos vazios, alterando o valor imobiliário de centros urbanos;
  • Milhares de funcionários foram desligados ao longo das décadas de crise;
  • Muitos enfrentaram batalhas de 20 anos na Justiça para receber verbas rescisórias por meio da alienação de bens do Grupo Fenícia.

O fim das lojas físicas deixou milhões de consumidores sem suporte para garantias e sem canais presenciais para quitação de carnês, gerando um caos jurídico de defesa do consumidor.

  • Você sabia? O Grupo Fenícia, que controlava a Arapuã, também viu o fim de marcas como Etti e Neugebauer serem vendidas para tentar sanar os prejuízos do varejo.

Por que a Arapuã acabou?

Embora não tenhamos encontrado nenhuma declaração oficial por parte dos envolvidos explicando as causas da queda, o descumprimento de três parcelas da concordata ainda em 2002, ao que parece, foi o “prego no caixão”.

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Mesmo tentando se manter viva por meio de manobras jurídicas e patrocínios esportivos (como o do São Paulo FC em 2001), a dívida acumulada tornou-se impagável.

Em 2020, os ministros do STJ, por 4 votos a 1, entenderam que a empresa já estava morta juridicamente desde o descumprimento do acordo original de 1998.

Assim, a Arapuã deixou de existir após 45 anos de operação real e quase 20 anos de sobrevivência artificial nos tribunais.

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