Falência e fábrica vendida à Cacau Show: Gigante dos chocolates teve triste fim no Brasil

Fábrica icônica de chocolate teve falência devastadora e foi vendida a Cacau Show (Foto Reprodução/Montagem/Canva/Freepik/Lennita/Tv Foco)
Entenda como uma dívida de R$ 260 milhões e décadas de impostos atrasados levaram uma icônica fábrica de chocolate à falência
A história de uma fábrica de chocolates gigante e afetiva, a qual moldou a infância de gerações, sucumbiu a um colapso financeiro silencioso. A Chocolates Pan, fundada em 1935, sobreviveu décadas como um símbolo lúdico do mercado brasileiro, mas não resistiu a um passivo impagável e à falta de inovação.
Além disso, seu imóvel físico passou para as mãos da Cacau Show, enquanto a sua identidade intelectual buscou um novo começo no Nordeste.

Para entender como uma dívida de R$ 260 milhões derrubou a rainha das moedinhas de chocolate, trazemos os seguintes tópicos abaixo:
- Dos “cigarrinhos” ao fenômeno das moedas de chocolate;
- O colapso financeiro;
- Fraude fiscal e a “devedora contumaz”;
- Cacau Show arremata a fábrica por R$ 71 milhões;
- O que aconteceu com a marca Chocolates Pan?
Legado de 80 anos:
De acordo com o portal Wiki, a Pan nasceu em São Caetano do Sul (SP), em dezembro de 1935, fruto da visão dos engenheiros Aldo Aliberti e Oswaldo Falchero.
Sua marca registrada sempre foi a criatividade:
- Os icônicos cigarrinhos de chocolate (que depois viraram Chocolápis);
- As moedas de chocolate;
- A Bala Paulistinha.
Por décadas, a empresa foi a principal alternativa, focando em um público infantil com preços acessíveis e formatos que incentivavam o colecionismo.

O colapso financeiro
Conforme o portal CNN, o declínio começou a se tornar público em março de 2021, quando a empresa entrou com pedido de Recuperação Judicial.
A administração alegava que a reestruturação feita em 2017 e o impacto severo da pandemia de Covid-19 reduziram drasticamente o faturamento.
No entanto, o buraco era muito mais profundo.
Em fevereiro de 2023, a 1.ª Vara de Falências de São Paulo concluiu que a empresa era insolvente.
A dívida acumulada já ultrapassava os R$ 260 milhões, sendo boa parte composta por débitos tributários não quitados.

A falência:
O juiz Marcello do Amaral Perino foi incisivo em sua decisão de 2023. A Justiça reconheceu a Pan como uma “devedora contumaz”, destacando que a empresa não recolhia impostos regularmente há mais de duas décadas.
- Declaração judicial: O tribunal afirmou que a conduta administrativa apresentava sinais de fraude e que a “insuficiência de caixa e a impossibilidade de regularização do passivo” tornavam o soerguimento impossível;
- Nota da PGE: A Procuradoria Geral do Estado revelou que, dos R$ 126 milhões em débitos inscritos em dívida ativa, R$ 125 milhões eram de ICMS declarado pela própria empresa, mas nunca pago;
- Posicionamento da empresa: Até o momento, ex-diretores e proprietários do Grupo Brasil Participações (que adquiriu a Pan em 2016) não emitiram declarações oficiais detalhando o colapso, embora o espaço para defesa siga aberto nos autos.
Vale destacar que o encerramento das atividades resultou na demissão imediata de mais de 50 funcionários que ainda mantinham a operação mínima na unidade de São Caetano.
Cacau Show assume o espaço:
Ainda de acordo com o portal CNN, em outubro de 2023, a Cacau Show arrematou o complexo fabril de 10 mil metros quadrados em São Caetano do Sul por R$ 71 milhões.
O valor foi 33% superior ao lance mínimo estipulado, demonstrando o valor estratégico do imóvel.
Para o leiloeiro Erick Telles, a compra foi essencial para garantir o pagamento de credores e evitar que o patrimônio ficasse parado, gerando novos impostos e empregos sob a gestão da CSH Administração de Bens.
O que aconteceu com a marca Chocolates Pan?
Segundo o portal G1, enquanto a fábrica física agora pertence à Cacau Show, o nome e as 37 marcas registradas da Pan (como o Chocolápis e as moedas) tiveram outro destino.
Em março de 2024, a empresa Real Solar, do Rio Grande do Norte, adquiriu o portfólio por R$ 3,1 milhões.
O objetivo da nova gestão foi reintroduzir os produtos clássicos no mercado, mantendo a memória afetiva, mas sob uma administração financeira saneada.
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