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Folha entrevista Marilia Gabriela

“Fazer publicidade não me compromete”

Marília Gabriela estreia no “Roda Viva” e diz que não há conflito de interesses com outras atividades profissionais
Reformulado, programa deixa de ser exibido ao vivo e ganha dois debatedores; jornalista continua no SBT e GNT

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Marília Gabriela no cenário do “Roda Viva”, que estreia amanhã reformulado na TV Cultura, às 22h; programa completa 24 anos no mês que vem

MORRIS KACHANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Marco da televisão brasileira, o “Roda Viva”, da TV Cultura, inaugura amanhã um novo ciclo.
Marília Gabriela, 62, estreia como apresentadora, tendo a seu lado dois debatedores fixos, os jornalistas Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite, e outros dois convidados. O programa também deixa de ser exibido ao vivo.
A expectativa de Marília com a estreia é a melhor possível. Ex-apresentadores do programa ouvidos pela Folha, no entanto, apontam desafios.
A manutenção de dois outros “talk shows” de Marília no ar, no SBT e no GNT, gera questionamento. E o formato com dois debatedores fixos também.
Quando foi concebido, em 1986, ainda sob o impacto das Diretas, o objetivo do “Roda Viva” era assegurar a pluralidade de opiniões, trazendo uma bancada de diferentes entrevistadores.
Como o programa era exibido ao vivo, havia mais espaço para a intervenção dos telespectadores.
E a aparição de Marília Gabriela em anúncios de margarina e de software -não haveria um conflito de interesses? A estas perguntas a jornalista respondeu na entrevista a seguir.

Folha – No que o “Roda Viva” se diferencia dos seus outros programas?
Marília Gabriela – São todos de entrevista, mas no “Roda Viva” faço o papel de mediadora.

Como são selecionados os entrevistados? Não há conflitos com outros programas?
Não vejo assim. Nas listas que estamos fazendo, a gente senta e decide onde determinada personalidade vai encaixar melhor naquele momento e dentro das características de cada programa. O Ronaldo, que já esteve no SBT, poderia perfeitamente aparecer no “Roda Viva” neste mês. Agora vou estrear com o Eike Batista, que já entrevistei no GNT.

A bancada com dois jornalistas fixos não pode engessar o programa?
O que me perturbava era um número imenso de participantes, todos querendo falar, e mudando de assunto rapidamente. As ideias ficavam truncadas. Um programa novo, após quase 25 anos, era o mínimo a fazer.

O cenário muda?
O formato da roda continua, mas o programa não tem mais aquela arena em que o entrevistado ficava em um plano inferior com todo mundo lá em cima.

Você continua fazendo publicidade?
Fiz pelo menos três peças neste ano, e sabe por quê? Porque me sustenta maravilhosamente. Aí eu posso trabalhar na Cultura e ficar satisfeita.

Comenta-se que seu salário será de R$ 150 mil.
Não é verdade. É menos que um terço disso. Estou na Cultura por outros motivos, não por salário. Agora, publicidade eu faço há anos. Não acho que isso comprometa.

Você está vendendo sua credibilidade, é delicado.
Muitos jornalistas podem não aparecer fazendo publicidade desse porte que eu fiz, mas fecham contrato para apresentar eventos corporativos ou dar palestras. Eles fazem e não aparece em público, enquanto criticam quem aparece fazendo. Acho tudo muito hipócrita.

Mas são trabalhos distintos.
Honestamente, a mim não faz tanta diferença você dizer que determinado jornalista viajou a convite de uma companhia aérea ou eu aparecer assinando um trabalho. De uma forma ou de outra, estamos sendo patrocinados.

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Redação TV Foco