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Após morte de jornalista do SBT, funcionários da TV Gazeta se apavoram e denunciam descaso; emissora se defende

TV Gazeta tem denúncia de descaso nos bastidores e funcionários temem coronavírus (Foto: Reprodução/TV Gazeta/Montagem TV Foco)
TV Gazeta tem denúncia de descaso nos bastidores e funcionários temem coronavírus (Foto: Reprodução/TV Gazeta/Montagem TV Foco)

Funcionários da TV Gazeta de SP temem serem infectados pelo coronavírus e denunciam condições de trabalho

A morte do editor de imagens José Augusto Nascimento Silva, do SBT do Rio de Janeiro, por causa do coronavírus, apavorou profissionais de outras emissoras. Um funcionário da TV Gazeta de São Paulo, sob anonimato, relatou que teme que o mesmo aconteça por lá, já que está acontecendo a mesma coisa nos bastidores do canal.

Um profissional do departamento de Produção da TV Gazeta relatou à reportagem do TV Foco que a emissora vem agindo com descaso em meio à pandemia da Covid-19. “Trabalhamos em ambiente fechado, sem circulação de ar (todas as janelas do prédio são seladas), funcionários que tiveram contato com pessoas infectadas não estão sendo afastados, não há revezamento de funcionários e não há higienização de equipamentos compartilhados, apesar de alegarem haver”, afirma.

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DESCASO NOS BASTIDORES

O funcionário disse que as medidas tomadas pela TV Gazeta não estão sendo suficientes e que as expectativa nos bastidores é de que as coisas piorem. “A emissora está vendo o fato de a população estar em casa, de quarentena, como uma oportunidade de subir a audiência. Estão até abaixando o preço dos merchans, coisa que nunca vi fazerem”, conta.

Alguns funcionários da TV Gazeta já foram afastados com suspeita de Covid-19, entre eles estão: uma produtora do programa Mulheres (cujo pai e namorado foram infectados comprovadamente e o pai está na UTI), pelo menos dois estagiários do departamento de operações, uma pessoa do estúdio, um editor de vídeo e um funcionário do esporte.

O profissional denuncia ainda que um dos supervisores estava com gripe e alegando falta de ar. Ele foi ao hospital, não foi testado para coronavírus e voltou a trabalhar já no dia seguinte. “A tia de uma outra produtora também foi infectada e morreu! Essa produtora teve contato com essa tia enquanto infectada e não foi afastada. E nada disso nos é informado oficialmente pela chefia”, relata.

Somente as produções dos programas da TV Gazeta fizeram revezamento – que durou apenas duas semanas – e somente as pessoas importantes estavam trabalhando em casa. Um exemplo é a filha da superintendente de programação, Marinês Rodrigues. Pamela Domingues está gravando vídeos em casa e participa por Skype do programa Mulheres apresentando o “Plantão das Boas Notícias”.

“Ela pede para as pessoas ficarem em casa, enquanto gera mais trabalho para os funcionários que são obrigados a se deslocarem até a emissora para colocar esses vídeos dela no ar e editá-los. Um programa que não é essencial”, desabafa o funcionário.

CHEFÕES DA TV GAZETA MANDAM VOLTAR AO NORMAL

O profissional revelou que a situação ficou ainda pior depois do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro. Superintendente Geral da emissora, Sergio Felipe dos Santos – que, inclusive, está no grupo de risco – fez uma reunião para acabar com o revezamento de alguns funcionários, pois tudo deve “voltar à normalidade, senão a economia vai ir para o buraco”. As ordens dos superiores, Sílvio Alimari (diretor geral da TV) e Sérgio Felipe é para continuar trabalhando, pois se trata “só de uma gripe”.

O relato ouvido pelo TV Foco ainda indica que funcionários com mais de 65 anos foram liberados somente após denúncia na imprensa. Alguns profissionais que apresentam comorbidades foram liberados após pegarem atestado médico e emendaram férias. Já outros jovens e sem comorbidades, decidiram tirar férias de última hora, com medo de serem infectados. Somente algumas pessoas da equipe de externa (câmeras e auxiliares) tiveram férias forçadas. Enquanto isso, o departamento de Produção e Operações de TV segue à própria sorte.

“As únicas providências tomadas pela emissora foram colocar avisos de que não podem entrar mais de cinco pessoas nos elevadores, desinfetante de mãos em espuma (sem álcool e que não mata o vírus!) nos corredores. Em um dos switchers, há um papel colado na porta que diz para manter distância de dois metros dentro da sala, porém, os próprios supervisores não estão fazendo isso. Funcionários da CIPA pediram máscaras e, pelo que sabemos, ninguém recebeu. Quase ninguém está usando máscara. Finalmente, ontem (13/04) foi feita uma vacinação contra a gripe e deram máscaras de pano para os que tomaram a vacina. Não foi disponibilizado material para os funcionários higienizarem suas salas, ilhas e teclados. Se quiserem, tem que trazer de casa ou pegar no dispenser comunitário de espuma do corredor, com as mãos”, expõe o profissional.

Regina Volpato no comando do Mulheres; TV Gazeta tem edições gravadas, mas não quer usar (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Regina Volpato no comando do Mulheres; TV Gazeta tem edições gravadas, mas não quer usar (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Programas de entretenimento como Mulheres e Você Bonita continuam ao vivo – somente os merchans estão gravados. Há programas do Mulheres em stand by (o que possibilitava a dispensa ou revezamento dos funcionários das produções e operações), mas a emissora não quer colocar no ar.

“Sem o programa de esporte, vários estão vindo trabalhar sem necessidade pois a equipe de jornalistas esportivos não foi dispensada e ainda ganharam a nova tarefa de fazerem um jornal sobre coronavírus. No corredor, muitos estão ociosos. O que os supervisores dizem é que ‘está sobrando editor’, porém quando pedem para revezar, não permitem. Todos comentam o absurdo de, em plena pandemia, enquanto a Globo reprisa novelas e reveza até as equipes de jornalismo, a Gazeta cria um programa novo, se recusando a colocar reprises no ar. O programa novo, sobre coronavírus, é totalmente redundante, já que são as mesmas pautas e mesmas matérias se repetem no Jornal da Gazeta, que vem logo em seguida, às 19h”, diz o funcionário.

“Percebemos que a vida dos funcionários está em último lugar. Considerando os muitos cortes que já passamos, nos perguntamos se essa atitude não é só mais um corte, onde o critério, dessa vez, é a seleção natural: quem sobreviver, fica. Quem morrer, fecha-se a vaga”, desabafou o profissional, indignado.

TV Foco procurou a TV Gazeta, que enviou a seguinte nota:

“A TV Gazeta não comenta assuntos internos, porém ratifica o compromisso de zelar pela saúde de seus funcionários, política que está em constante aprimoramento e que tem resultado em inúmeras medidas preventivas, desde o início da quarentena ocasionada pela pandemia do novo coronavírus. Todas as recomendações das autoridades competentes vêm sendo respeitadas, há um comitê interno para tratamento das medidas de contingência e os funcionários contam com o apoio do RH e um médico do trabalho para encaminhamento das demandas de forma personalizada.”

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Sobre o autor

Vitor Peccoli

Publicitário, Vitor escreve sobre TV desde 2013 e, aqui no TV Foco, traz as principais notícias do surpreendente mundo da televisão e seus bastidores.
E-mail: vitor@otvfoco.com.br