Projetos engavetados e mágoa com a Globo: Relembre o doloroso desejo de astro das novelas de voltar e qual foi o pedido negado antes de partir

Os bastidores da TV, por vezes, revelam que o prestígio e o sucesso do passado nem sempre blindam os criadores contra as pressões do mercado e as frustrações profissionais. Isso porque a dinâmica interna das grandes emissoras, como a Globo, opera sob a lógica constante de resultados imediatos, o que muitas vezes gera conflitos e rupturas com profissionais históricos.

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Foi essa realidade que marcou os últimos anos de Gilberto Braga, considerado um dos principais astros novelistas da história da televisão brasileira e um dos criadores do clássico Vale Tudo.

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Gilberto Braga (Foto: Reprodução/ Memória Globo)

Infelizmente, o autor faleceu em 26 de outubro de 2021, aos 75 anos, em decorrência de uma infecção sistêmica causada por uma perfuração no esôfago. Apesar de seu legado incontestável na Globo, Braga partiu magoado com a emissora devido a um pedido negado pela direção do canal.

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O peso do último trabalho

De acordo com o portal Na Telinha, a última década de vida de Gilberto Braga foi impactada pela necessidade pessoal e profissional de reverter o resultado de sua última produção levada ao ar na faixa nobre da televisão:

Após emplacar sucessos como Paraíso Tropical (2007) e Insensato Coração (2011), o autor escreveu Babilônia em parceria com Ricardo Linhares e João Ximenes Braga.

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Porém, a trama enfrentou severas dificuldades de aceitação e se tornou um dos maiores fracassos de audiência do horário das nove da emissora.

Relatos de parceiros profissionais, como o autor João Ximenes Braga, indicam que Gilberto ficou profundamente deprimido com o resultado da novela de 2015.

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Mesmo com a saúde debilitada pelas consequências de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ele considerava uma questão de honra escrever um novo sucesso para não encerrar sua carreira com uma derrota de público.

Em reuniões mantidas em sua residência, em uma cama reclinável de aspecto hospitalar, o novelista expressava lucidez e o desejo imediato de voltar a trabalhar para resgatar o prestígio junto ao público e à crítica especializada.

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 Estrela de Babilônia lutou bravamente contra um câncer no pulmão, não resistiu e se foi aos 75 anos - Reprodução
Cena da novela Babilônia (Foto Reprodução/Globo)

Três engavetados

Ainda de acordo com o portal, na tentativa de retornar à grade de programação da Globo, Gilberto Braga desenvolveu e entregou três projetos do que seriam seus últimos textos inéditos, mas nenhum deles conseguiu avançar na linha de produção da emissora:

  • O autor roteirizou uma produção focada na vida da cantora Elis Regina. No entanto, o projeto foi cancelado pela emissora pelo fato de o filme biográfico dirigido por Hugo Prata ter sido lançado de forma antecipada no mercado cinematográfico;
  • Braga também reescreveu a estrutura de sua própria novela de 1981, Brilhante, que havia sofrido com a censura e rejeição na época original. Sob o título provisório de “Intolerância”, o projeto foi inteiramente escrito e planejado para a faixa das onze horas, mas acabou completamente engavetado;
  • Baseada na obra literária Vanity Fair (1847), de William Makepeace Thackeray, a novela Feira das Vaidades foi aprovada e integrada à fila do horário das seis antes da pandemia de Covid-19. Mas, apesar do planejamento inicial, a produção foi descartada pela emissora pouco antes do falecimento do novelista.

Qual foi o legado deixado por Gilberto Braga?

Apesar dos conflitos contratuais e criativos em seus anos finais, a contribuição de Gilberto Braga para a cultura nacional permanece como um dos pilares da televisão do país:

O autor assinou obras de grande impacto popular e político na sociedade brasileira, incluindo títulos como Dancin’ Days (1978), Água Viva (1980),Corpo a Corpo (1984), além de enfrentar desafios em produções como O Dono do Mundo (1991) e Pátria Minha (1994).

Ao lado de Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Braga foi o responsável pela criação de Vale Tudo (1988), obra considerada o maior marco do realismo televisivo nacional e cujo formato seguiu no centro das atenções do mercado com a grande produção do remake oficial de Vale Tudo, de Manuela Dias.

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