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Ícaro Silva é alvejado com tiros da polícia e relembra drama: “algum deles decidiu me matar”

Ícaro Silva
Ícaro Silva relembrou quando foi baleado – Reprodução/Instagram

Ícaro Silva tem carro alvejado pro tiros da polícia e relembra ocorrido em Conversa com Bial

O ator Ícaro Silva decidiu comentar sobre um traumático acontecimento que vivenciou no Rio de Janeiro durante o programa Conversa com Bial. No relato, o ator relembrou quando foi alvejado com tiros, após passar por uma blitz em setembro do ano passado. Na época, o ator decidiu não prestar queixa contra os políciais que fuzilaram o seu carro, e acabou explicando o que fez tomar tal atitude.

Logo depois, o ator relembrou o triste ocorrido, na situação, Ícaro Silva voltava de uma festa com amigos por volta de 5 horas da manhã, quando passou por um túnel em que acontecia uma blitz na Zuzu Angel, na zona sul do Rio de Janeiro. O ator, chegou a conversar com os policiais momentos antes dos tiros serem disparados. “Tava uma escuridão, e tinha um monte de gente na rua, eu já fui logo reduzindo [a velocidade do] carro com aquela tensão da gente que mora no Rio de Janeiro”, relembrou o ator, que também ligou as luzes internas do carro para ser reconhecido pelos policias, que estavam alterados.

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“Todos eles apontando fuzis na minha cara, eu abri o vidro lateral e perguntei o que estava acontecendo, mas eu vi que não era uma blitz normal”, relembrou. “Ele gritava comigo: ‘Vai embora, porra! Vai embora, filho da puta!’, posso falar palavrão esse horário, né?”, relemrbou o ator, que decidiu acelerar o carro e ir embora. No entanto, depois de atender os pedidos dos policiais, o ator começou a ouvir uma série de tiros. “Foi igual um filme de velho-oeste, que os tiros começam a fazer as coisas voarem, as coisas do carro começaram a voar à minha volta”, detalhou Ícaro Silva.

Ícaro Silva (Foto: Reprodução/Globo)

“A perícia constatou que todas as balas encontradas no meu carro eram da própria polícia. Todas. Todas vieram da mesma direção, de trás, e todas saíram das mesmas armas. O que aconteceu foi que, assim que saí dessa blitz, algum deles decidiu me matar”, desabafou Ícaro Silva, que foi atingido por uma das balas em seu braço. O intérprete de Ticiano de Verão 90 relembrou dos momentos depois ouviu dos policiais, durante o depoimento, que o próprio teria incentivado a atitude dos policiais ao furar um bloqueio. “Quando eu ouvi isso do delegado eu ri. Falei: ‘Meu querido, eu sou um jovem preto no Rio de Janeiro, no meio de uma blitz, às 5 horas da manhã. Se eu quiser me suicidar pode ser que eu fure uma blitz’, porque não existe furar [para alguém como eu]”, comentou.

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Durante a conversa, Ícaro Silva revelou que preferiu manter a situação discreta por conta do atual momento da política no país, que se encontrava as vésperas da eleição presidencial. “Eu não queria ser um mártir para a esquerda e nem um bode expiatório para a direita”, comentou o artista.

Nas redes sociais, no entanto, Ícaro Silva relatou a triste situação, em um relato pra lá de emocionante para alertar os seus seguidores.

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Queridos amigos, amores, seguidores e parceiros, eu estou bem! Hoje mais cedo, ao sair do túnel Zuzu Angel voltando para a Barra, me vi em meio a uma violenta confusão que até agora não sei se era uma blitz, um tiroteio ou uma dessas operações de guerra infelizmente tão habituais na nossa cidade. Viaturas, policiais com fuzis na mão e aquele medo súbito que o carioca conhece tão bem. Um policial me pediu para reduzir e eu obedeci. Baixei o vidro e perguntei o que estava acontecendo. O nível de stress dele era muito alto, ele falava comigo diretamente do inferno, o coração em guerra. Outros dois policiais vieram gritando, os fuzis apontados para mim; não sei se me reconheceram ou não, mas com a mesma violência com que me pararam, me mandaram ir embora, xingando e berrando em seu estado de guerra. Quando eu voltava a acelerar e antes de entender o que estava acontecendo, um estampido no meu carro me congelou. “Isso é um tiro?” Os próximos vários confirmaram que sim. Abaixei a cabeça e enfiei o pé no acelerador como se tudo no mundo fosse tiro e pedal. Enquanto meu pé e meu coração aceleravam, minha sensação física era de “não precisa ser assim”. De fato, não precisa. Acelerei sem fim até me ver longe dali, o corpo em choque, a cabeça caçando sentido, como se houvesse algum nessa barbárie cotidiana que é o Rio, minhas mãos trêmulas. Só depois de respirar fundo percebi o buraco de bala no para-brisa do meu carro e minha blusa molhada. “Meu Deus. Eu levei um tiro?” Me apalpei até encontrar o furo ensanguentado no meu braço. Sim, uma bala rasgou meu braço e deixou uns estilhaços ali, carimbo metalizado da violência urbana. Um pequeno pedaço de metal e morte que podia ter cruzado meu peito ou minha cabeça, um lembrete da nossa frágil condição de gente. Eu to legal. To muito feliz por não ter morrido, sério. Tem muita coisa pra fazer por aqui, muita coisa para ver e muita, muita coisa para consertar. Muito obrigado por todas as mensagens, to mais solicitado que no meu aniversário, rs. Vocês são lindos, são lindos demais. Espero que essa história infelizmente cotidiana nos inspire a desconstruir nossa agressividade diante da vida. É hora de desarmar e amar.

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