Lucro recorde, mas agências fechadas; Entenda por que o Itaú demitiu milhares e fechou 319 unidades em 2026, e veja como você, cliente, deve agir
O cenário financeiro brasileiro presencia um paradoxo alarmante: enquanto as instituições bancárias, como o banco Itaú, celebram recordes históricos de rentabilidade, a estrutura de atendimento presencial sofre um encolhimento severo que atinge diretamente os trabalhadores e correntistas.
Inclusive, no dia 16 de março, mobilizações coordenadas em diversas capitais expuseram as vísceras de uma reestruturação tecnológica que, sob o pretexto da modernidade digital, sacrifica postos de trabalho e dificulta o acesso da população a serviços essenciais.
De acordo com o portal Bancários SJF, a estratégia de expansão virtual esconde números que preocupam tanto o movimento sindical quanto os consumidores que ainda dependem do balcão para resolver pendências complexas.

As estatísticas recentes confirmaram que o Itaú fechou 319 agências e promoveu demissão de mais de 3 mil funcionários, o que não reflete uma crise financeira, mas sim uma escolha administrativa que prioriza o lucro em detrimento da responsabilidade social.
Com base nesses dados expostos, trazemos neste artigo:
- Menos agências e mais clientes;
- Superlotação e atendimento sufocado;
- Adoecimento dos funcionários;
- Posicionamento sindical;
- Orientações ao Consumidor.
Uma matemática que nunca fecha
Conforme citamos acima, o Itaú Unibanco encerrou o ciclo de 2025 com dados que revelam uma contradição estrutural profunda.
A holding eliminou mais de 3 mil funcionários, mais precisamente3.535 postos de trabalho em apenas 12 meses, concentrando quase mil dessas demissões apenas no último trimestre do ano.
Paralelamente ao corte de pessoal, o banco desativou 319 agências físicas em todo o território nacional.
No entanto, esse enxugamento não acompanha uma queda na demanda.
Pelo contrário, a base de clientes da instituição saltou em 1,8 milhão, superando a marca histórica de 100 milhões de correntistas.
Para os órgãos de defesa do trabalhador, essa matemática não fecha sem gerar prejuízos graves na ponta final do serviço, evidenciando que o crescimento digital não substitui a necessidade da presença física para milhões de brasileiros.
A superlotação:
Não se pode ignorar que esse fechamento em massa de unidades físicas gera um efeito dominó que prejudica a experiência do usuário.
As agências que permanecem abertas absorvem o fluxo de unidades extintas, resultando em filas intermináveis e tempo de espera excessivo.
- Dificuldade de deslocamento: Clientes de bairros periféricos agora precisam viajar longas distâncias para encontrar uma agência aberta, o que gera custos extras de transporte;
- Barreiras tecnológicas: A migração forçada para os aplicativos exclui digitalmente idosos e pessoas com baixa familiaridade com ferramentas móveis, dificultando operações básicas como saques e prova de vida;
- Precarização do suporte: O número insuficiente de funcionários nas unidades remanescentes impede a resolução ágil de problemas que o autoatendimento não consegue suprir.

Uma crise invisível:
A pressão pela manutenção da lucratividade também atinge o quadro de funcionários de forma severa.
O movimento sindical aponta que a reestruturação empurra os trabalhadores para um limite perigoso de estresse físico e mental:
- Cerca de 79% dos bancários afetados pelos fechamentos sofreram transferências para unidades onde as condições de trabalho não comportam o novo volume de clientes;
- A redução do quadro de pessoal obriga os trabalhadores remanescentes a cumprir metas de vendas e atendimento cada vez mais agressivas e até mesmo abusivas, conforme exposto pelo portal mencionado;
- Registra-se um aumento alarmante nos casos de síndrome de burnout, ansiedade e depressão entre os bancários, alimentado pelo medo constante da demissão e pela carga horária exaustiva.
Sindicato se posiciona!
Lideranças sindicais, como a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE), Valeska Pincovai, classificam a postura do banco como inaceitável.
O movimento defende que uma instituição que apresenta lucros bilionários possui o dever social de manter empregos e garantir um atendimento de qualidade à população.
Em Juiz de Fora e outras regiões estratégicas, o sindicato intensifica o diálogo com as diretorias para suspender novas demissões e garantir que a dignidade humana não seja ignorada em nome de índices de eficiência.
A presidente da entidade local, Taiomara Neto de Paula, reforça que a luta atual foca em transformar o ambiente insalubre das agências em um local de trabalho digno.
O que o correntista do Itaú deve fazer diante da precarização?
A Contraf-CUT e os sindicatos locais orientam os clientes que se sentirem prejudicados pela falta de estrutura a não aceitarem a precariedade de forma passiva.
O registro de reclamações formais nos Procons municipais e estaduais é a ferramenta mais eficaz para pressionar as autoridades reguladoras.
Denunciar a superlotação e a falha no atendimento presencial cria um rastro jurídico que pode forçar o banco a rever o fechamento de unidades essenciais em regiões vulneráveis.
A mobilização conjunta entre bancários e sociedade civil torna-se, portanto, o único caminho para frear o processo de desumanização do setor financeiro.
Caso o encerramento seja inevitável, os clientes podem seguir as seguintes orientações:
- Migre para o atendimento de correspondentes: Para operações básicas como saques, depósitos e pagamentos, utilize casas lotéricas ou correspondentes bancários autorizados (como supermercados e farmácias), que costumam ter capilaridade maior e filas menores que as agências centrais sobrecarregadas;
- Solicite o pacote de serviços essenciais (Gratuito): Se a precarização do atendimento não justifica mais o pagamento de tarifas mensais, exija a conversão da sua conta para o “Pacote de Serviços Essenciais” do Banco Central, garantindo os serviços básicos sem custo de manutenção;
- Considere a portabilidade de salário: Se o fechamento da agência próxima à sua casa ou trabalho tornou a logística inviável, exerça o seu direito de portabilidade para uma instituição que ofereça melhor suporte físico na sua região ou que possua um ecossistema digital mais robusto e menos burocrático.
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