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Jornalista Alexandre Garcia sai da Globo após 30 anos

Alexandre Garcia no comando do "Jornal Nacional" (Foto: Reprodução/Globo)
Alexandre Garcia no comando do Jornal Nacional (Foto: Reprodução/Globo)
Alexandre Garcia no comando do "Jornal Nacional" (Foto: Reprodução/Globo)
Alexandre Garcia no comando do Jornal Nacional; jornalista saiu da Globo
(Foto: Reprodução/Globo)
Um dos jornalistas mais respeitados do país, Alexandre Garcia saiu da Globo após trinta anos. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (28) pelo diretor de jornalismo Ali Kamel.

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De acordo com o comunicado do diretor da emissora, Alexandre disse “que deixa a Globo, mas não o jornalismo” e que continuará falando com seus comentários sobre política por meio de rádios em artigos de jornais pelo Brasil, além de ter planos de escrever livros. Confira a seguir o comunicado na íntegra.

O diretor de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, divulgou hoje o seguinte comunicado sobre Alexandre Garcia:

“Conheci pessoalmente Alexandre Garcia em 1991, quando fui diretor do jornal O Globo em Brasília e ele era o diretor regional de jornalismo da Globo na capital. Costumávamos nos encontrar às terças, quando o saudoso Toninho Drummond, então diretor da Globo em Brasília, oferecia um almoço com fontes e nos convidava. Percebi em Alexandre, de imediato, o homem que ele é: correto, íntegro e também extremamente gentil e generoso. Ele, um super consagrado jornalista, com presença marcante no vídeo, além das atribuições editoriais do cargo; eu, um recém chegado a Brasília, com 29 anos, nove anos de profissão. Apesar disso, Alexandre me tratava como um igual e me ajudava no que podia. Ao chegar à Globo em 2001 reencontrei o mesmo Alexandre: profissional completo, com conhecimento de pós-graduado na cobertura política, mas o mesmo homem gentil que eu conhecera 10 anos antes. Em decisão muito refletida, depois de quase 31 anos de trabalho aqui na Globo, Alexandre decidiu deixar a emissora para amenizar um pouco o seu ritmo frenético de trabalho. Diante do trabalho exemplar ao longo de todos esses anos, é uma decisão que respeito. Ele deixa um legado de realizações que ajudaram o jornalismo da Globo a construir sua sólida credibilidade junto ao público. O trabalho na Globo foi a sequência de uma vida profissional que poucos podem ostentar.

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A naturalidade frente às câmeras sempre foi um dos trunfos de Alexandre. Consta que quando começou na Globo, o saudoso Armando Nogueira dizia que ele estava inovando porque fazia gestos na televisão. Enquanto a norma era uma postura mais formal, Alexandre caminhava, fazia gestos. Essa naturalidade vinha de criança. Aos sete anos já atuava como ator infantil na rádio em que seu pai, o radialista Oscar Chaves Garcia, trabalhava. Aos 15, transmitia a Missa na Rádio de Cachoeira do Sul, onde nasceu em 1940. Aos 16, era locutor, redator, apresentador, repórter de rua da pequena rádio Independente de Lajeado. Ao se mudar para Porto Alegre para continuar os estudos, virou locutor da Rádio Difusora, dos Diários Associados. Ele conta que o salário pagava a pensão e a escola.

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Quando entrou na PUC/RS para estudar Comunicação Social(onde foi o primeiro lugar no vestibular e no curso todo e presidente do Centro Acadêmico) era funcionário concursado com primeiro lugar no Banco do Brasil. Agora era o bancário sustentando os estudos do futuro jornalista. Conseguiu seu primeiro estágio na sucursal do Jornal do Brasil na capital gaúcha. Especializou-se na cobertura de economia, com ênfase na Bolsa de Valores. Ao ser contratado pelo JB, apostou no seu talento como jornalista e encerrou sua carreira de bancário.

Em 1973, cobriu o fechamento do Congresso uruguaio, que deu início à ditadura militar no país. Foi transferido então para Buenos Aires, onde ficaria três anos, acompanhando a agonia do governo peronista e a crise que levaria também ao golpe militar. Alexandre teve que deixar a Argentina às pressas depois de uma reportagem em que denunciava o esquema de corrupção da polícia rodoviária argentina próximo à cidade de Mar del Plata.

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De volta o Brasil, foi trabalhar na sucursal do JB em Brasília, onde permaneceu dez anos, firmando-se como um bem sucedido repórter de política. Em 1983, estreou no vídeo na extinta TV Manchete. É dele a entrevista do último presidente militar, João Figueiredo, de quem foi porta-voz por um período. Foi a antológica entrevista em que Figueiredo disse: “Eu quero que me esqueçam!” Continuou a carreira como correspondente internacional cobrindo as guerras civis no Líbano e Angola – e a Guerra das Malvinas, o que lhe valeu a Ordem do Império Britânico, concedida pela Rainha Elizabeth II.

Alexandre Garcia durante participação no Bom Dia Brasil
(Foto: Reprodução/Globo)

Em março de 1988, a convite de Alberico Souza Cruz, começou a trabalhar na TV Globo de Brasília. Entre seus primeiros trabalhos, um quadro no Fantástico que levava o seu nome: A Crônica de Alexandre Garcia, em que divertia os brasileiros com gafes e bastidores do mundo político da capital, num texto irresistível. Como repórter especial dividia-se entre o JN, o JH e o Jornal da Globo. Participou de momentos memoráveis da história recente do Brasil como as primeiras eleições democráticas para presidente, em 1989, depois da ditadura militar. Ao lado de Joelmir Betting, entrevistou todos os candidatos no programa Palanque Eletrônico. Ainda foi um dos mediadores do debate de segundo turno entre Lula e Fernando Collor, realizado em pool pelas quatro grandes emissoras de então, Globo, Band, SBT e Manchete.

Entre 1990 e 1995, como disse, Alexandre Garcia foi diretor regional de jornalismo da Globo de Brasília, sem deixar de lado seu trabalho frente às câmeras. Em 1993, estreou como comentarista do JG, em 96, passou a ter um programa na GloboNews, Espaço Aberto.

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De 2001 a 2011 foi o âncora do DFTV. Comentava, analisava, cobrava das autoridades soluções para os muitos problemas que afetam os brasilienses. Nos últimos anos, tornou-se comentarista político do Bom dia Brasil, comentarista local diário do DFTV e faz parte do grupo de apresentadores que se reveza na bancada do JN aos sábados. Durante todo esse período, não houve cobertura de política no Brasil sem que ele brilhasse.

Em nossa conversa, Alexandre me disse que deixa a Globo, mas não o jornalismo. Ele continuará a ter seus comentários políticos transmitidos por duzentas e oitenta rádios Brasil afora. Do mesmo jeito, continuará a escrever artigos para um sem número de jornais por todo o país. E, entre seus planos, está o de acrescentar outro títulos ao seu livro de grande sucesso “Nos Bastidores da Notícia”, lançado em 1990 pela Editora Globo.

Em nome da Globo, eu agradeço tudo de grande que Alexandre fez para o jornalismo da emissora, um legado que deve inspirar a todos nós que aqui trabalhamos: profissionalismo, brilho, correção e competência. E eu agradeço tudo o que fez por mim, seu jeito gentil, sua generosidade. Muito obrigado Alexandre, um grande abraço, que você seja muito feliz, porque você fez por merecer”.

 

Jornalista Alexandre Garcia relata ter sido vítima de Dilma na época dos militares

O jornalista Alexandre Garcia, em publicação no Twitter, relatou uma história de seu passado envolvendo ninguém mais, ninguém menos, que a ex-presidente Dilma. O profissional afirmou ter sido vítima de um dos grupos de guerrilha da qual Dilma fazia parte na época do Regime Militar.

A história contada por Alexandre veio como resposta a uma postagem de um outro usuário da rede social. “Para quem não sabe, a Dilma foi presa durante o regime militar, por sequestro e assalto a bancos”, dizia o tweet em questão.

Foi aí que o jornalista comentou a postagem em forma de novo tweet com o relato do atentado que teria sido feito pela ex-presidente: “Fui uma das vítimas. 18.3.1970,Banco do Brasil Viamão. Vanguarda Armada Revolucionária, aos gritos de “Viva Che Guevara”. Estudava na PUC/RS”, contou.

ALEXANDRE GARCIA FOI HOSTILIZADO EM VOO HÁ DOIS MESES

O jornalista da Globo sofreu com um caso de intolerância política em um voo. Após a gigantesca repercussão do caso Miriam Leitão, que foi atacada por delegados do Partido dos Trabalhadores em um avião da Avianca, o jornalista Alexandre Garcia sofreu algo semelhante.

Enquanto viajava em um voo da Gol, acompanhado da mulher, ele foi sucessivamente ofendido e hostilizado por um militante de esquerda com quem dividiu o voo. Em entrevista à revista VEJA, Alexandre contou detalhes do ocorrido. Os relatos podem ser confirmados com um vídeo que circula nas redes sociais.

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“Golpista! Vai ter mimimiriam Leitão? Alexandre, você também vai soltar notinha se vitimizando igual à Miriam Leitão?Vai chamar a Polícia Federal? Vai ter mimimi? Vai dizer que é ódio? Vocês que incentivam o ódio contra o PT, o PCdoB, contra a esquerda”, dizia o rapaz, relembrando o caso anterior.

O jornalista ainda contou que não deixou que o piloto da aeronave retirasse o rapaz do voo: “A aeromoça da Gol tomou a iniciativa de chamar o comandante, que queria expulsá-lo do avião, mas não deixei. É alguém que quer aparecer. E ele acabou voando graças a mim”.

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