Jornalista do SBT chama depressivos de “covardes” e gera revolta

[caption id="attachment_351692" align="aligncenter" width="525"] (Foto: Divulgação/SBT)[/caption] Mais uma polêmica para o jornalismo do SBT. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) enviou uma nota para a emissora repudiando a opinião do jornalista Luiz Carlos Prates que, segundo a instituição, é "desrespeitosa e irresponsável". Tudo…

04/04/2015 11:17

4 min

(Foto: Divulgação/SBT)
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Mais uma polêmica para o jornalismo do SBT. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) enviou uma nota para a emissora repudiando a opinião do jornalista Luiz Carlos Prates que, segundo a instituição, é "desrespeitosa e irresponsável".

Tudo aconteceu depois da polêmica opinião dada por Prates no "SBT Meio Dia", jornal local exibido no estado de Santa Catarina.

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Ao comentar a queda do avião na França que matou 150 pessoas, Prates não poupou palavras para caracterizar o piloto que causou o acidente propositalmente. Ele sofria de depressão.

Segundo Prates, pessoas com depressão são "covardes existenciais" e devem ser "execrados" e "desprezados" pela sociedade.

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Confira abaixo, na íntegra,a nota emitida pela ABP:

Ao Sistema Brasileiro de Televisão (SBT)

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A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) considera desrespeitosas e irresponsáveis as declarações sobre depressão do apresentador do SBT Santa Catarina, Luiz Carlos Prates, veiculadas no programa SBT Meio Dia de 30 de março. O apresentador, demonstrando total intolerância, desconhecimento e ignorância no assunto, afirma, entre outros absurdos, que o depressivo é um “covarde existencial”. Porém, para 46 milhões de brasileiros, a depressão é uma realidade. Segundo o Ministério da Saúde, 20% a 25% da população têm, teve ou terá depressão ao longo da vida. O transtorno atinge o físico, o humor, o pensamento e até a forma como a pessoa vê e sente o mundo ao seu redor. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão ocupa o segundo lugar entre as doenças que causam incapacidade profissional e a projeção é de que até 2020 ela esteja no topo da lista. O desinteresse pelo trabalho e pelas atividades sociais rotineiras, além da falta de prazer nas coisas que gosta e com as pessoas que ama, transforma drasticamente o cotidiano dessas pessoas, o de seus familiares e amigos, e traz consequências devastadoras.

O sofrimento é muito grande. Apesar de a depressão e demais transtornos mentais afetarem muitos brasileiros, o preconceito em torno deles, conforme o demonstrado por Luiz Carlos Prates no programa, é crescente. Cabe à sociedade combatê-lo e acompanhar as descobertas científicas do seu tempo, embora ainda haja muita desinformação. Justamente para unir a classe psiquiátrica e a sociedade sobre tão presente realidade enfrentada nos consultórios médicos de todo o Brasil, a ABP criou a campanha “Psicofobia é um crime”. A psicofobia é o nefasto preconceito contra os portadores de deficiências e transtornos mentais. Se não se deve debochar ou subestimar doenças como o câncer ou a diabetes, por exemplo, também não há razão para as doenças mentais não serem encaradas com a seriedade que elas pedem e seus portadores exigem. Em pleno 2015, ideias preconceituosas devem ser combatidas com ainda mais veemência. É chegada a hora de a sociedade olhar com maturidade e respeito para os portadores de transtornos mentais. Depressão é coisa séria. Para se ter uma ideia, a cada três segundos uma pessoa atenta contra a própria vida e, a cada 40 segundos, uma pessoa se suicida. Desta forma, morrem cerca de um milhão de pessoas por ano no mundo, número maior do que todas as guerras e homicídios.

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O apresentador provoca dano inestimável ao tratar com desdém a pessoa deprimida e ainda incentivar que os outros a tratem de forma grosseira e desprezível. É grave, é gravíssimo! Não acreditamos que o SBT apoie condutas de discriminação como a psicofobia, homofobia, xenofobia e racismo como um todo. A ABP e os quase 50 milhões de portadores de transtornos mentais aguardam uma resposta à altura pela irresponsabilidade deste seu funcionário. Isto será levado pela ABP aos tribunais, pois preconceito é algo intolerável.

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

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Apaixonado pelo mundo da televisão, Fernando Lopes escreve sobre o assunto no TV Foco desde 2013.