Amor de Mãe Entrevistas Globo Novelas

José Luiz Villamarim, premiado na Globo, volta com trama nobre e define: “Amor de mãe’ é um recorte da vida”

Manuela Dias e o diretor José Luiz Villamarim. (Foto: Divulgação)
Manuela Dias e o diretor José Luiz Villamarim. (Foto: Divulgação)

José Luiz Villamarim é o diretor de Amor de Mãe e renova parceria de sucesso na emissora

A frente de Amor de Mãe e retomando parceria com Manuela Dias, o diretor da Globo, José Luiz Villamarim volta ao horário nobre da emissora. Para você ter uma ideia ele dirigiu mais de quinze novelas dentro da emissora entre elas: ‘Avenida Brasil’, ‘O Rei do Gado’, ‘Torre de Babel’, ‘Anjo Mau’, ‘Irmãos Coragem’, ‘Mulheres Apaixonadas’

O global concedeu uma entrevista para sua emissora e falou mais sobre seu novo projeto Amor de Mãe, novela das nove, que conta com o elenco com nomes como Regina Casé, Adriana Esteves, Taís Araujo, Isis Valverde, Murilo Benício e muitos outros talentos entre novatos e veteranos. Confira:

Qual a principal característica de ‘Amor de Mãe’ para você?

José Luiz Villamarim: “‘Amor de mãe’ é um recorte da vida. O que eu acho mais interessante nessa novela é que ela resgata um caráter humanitário que está em falta. E não estou me referindo à nenhuma questão política. A personagem da Lurdes sintetiza isso, é uma mãe coragem, guerreira e que tem uma ética própria. Ela é uma mulher positiva, que acredita na vida e é muito admirada pelos filhos. Todos nós conhecemos uma Lurdes na vida real. Pode parecer mais fácil ter um olhar de desencantamento, mas eu e Manuela acreditamos na vida e isso vai se esparramar pela história”.

E qual a importância de falar sobre maternidade em uma novela?

José Luiz Villamarim: “A mãe é uma das figuras mais heroicas da face da terra em muitas culturas. A mãe é célula mater, e a história trata dessa figura. O ideal, como diz a Manuela, é que ao final de cada capítulo o espectador ligue para sua mãe. Sonhamos com isso”.

Os personagens não são maniqueístas. Como a história é conduzida a partir disso?

José Luiz Villamarim: “É a vida que surpreende, a vida que dá ganchos, a vida que vira o jogo. As questões estão dento da novela, mas a ação dramática não é construída pelo vilão. Todo mundo na história é normal, são pessoas que a gente conhece. Uma hora faz algo errado, uma hora é do mal, outra do bem. Não há uma pessoa o tempo todo boa ou o tempo toda má, assim como na vida”.

Por que você escolheu São Cristóvão como inspiração para o fictício Bairro do Passeio?

José Luiz Villamarim: “O bairro de São Cristóvão é como uma Babel humana e arquitetônica. E isso é a cara da novela. É um bairro que tem uma mistura de gente, de arquitetura, de temperatura, de luz. A luz é muito particular lá, os rasgos de luz daqueles viadutos, as entradas, é tudo muito a favor e está dentro do contexto do que é essa novela. O viaduto que atravessa o bairro significa também um corte, uma interrupção ou um movimento”.

Como foi construir um viaduto que corta a cidade cenográfica na Globo? Quais outros pontos você destaca do cenário externo?

José Luiz Villamarim: “O viaduto é realmente um destaque dentro da cidade cenográfica. Eu sempre passo por esse viaduto que corta São Cristóvão e já fiquei muitas vezes parado no engarrafamento ali. Eu sempre fiquei olhando aquele lugar e acho muito inspirador. Imagina o que é um viaduto atravessar uma cidade, casas, o mundo privado, a intimidade das pessoas. Quando eu li a novela e percebi tão fortemente essa questão humana na trama, logo lembrei dessas imagens que observava do engarrafamento. São Cristóvão reúne comércio, indústria têxtil, moradias, bares, viaduto e oferece essa miscelânea que a novela também tem, já que a história frequenta vários tipos humanos. Além disso, eu acho que o viaduto dá uma ideia de movimento, transformação”.

A novela é ambientada no Rio de Janeiro e sua ideia é trazer um olhar a partir da Baía de Guanabara. Por que essa escolha?

José Luiz Villamarim: “O Rio de Janeiro tem uma potência imagética muito forte. E um dos lugares que eu mais me encanto é quando eu estou cruzando a Baía de Guanabara, vendo o Rio de Janeiro da Ponte Rio-Niterói. É uma das imagens mais lindas da cidade. Além disso, temos na trama um personagem cuja a luta dele de mudar o mundo passa pelo desejo de despoluir a Baía de Guanabara. Então, esse ponto de vista já está dentro da narrativa da novela. Acho que é um outro olhar da cidade”.

Quais escolhas e referências estéticas te ajudam a contar essa história?

José Luiz Villamarim: “Como eu estou fazendo uma novela, eu visito o gênero no jeito de filmar, de colocar a câmera, mas tento subverter a forma. Estou tentando fazer com a segunda ideia e não com a primeira que tenho. Antes, fazer câmera na mão era uma linguagem, agora não mais. O que não significa que isso não vai aparecer na novela. Não estou trabalhando com boca de cena, por exemplo, nem com quatro câmeras. Novela é uma gramática que está introjetada no brasileiro e, por isso, tento não repetir o que já foi apresentado ao longo dos anos, mas sempre respeitando o gênero”.

‘Amor de Mãe’ vai inaugurar o novo estúdio da Globo. Como é para você estar à frente da primeira novela do MG4?

José Luiz Villamarim: “Eu adoro estar à frente da primeira novela gravada no MG4, pois quando a Globo avança tecnologicamente, ela coloca a grande produtora que ela é à disposição. Com o MG4, temos três estúdios para a gravação de ‘Amor de Mãe’, o que faz com que seja possível ter cenários fixos com materiais reais em suas composições. Isso ajuda na construção do conceito dessa narrativa, que é a busca da realidade. Além da qualidade das novas câmeras e lentes disponíveis nos novos estúdios”

Manuela Dias, José Luiz Villamarim e elenco de Amor de Mãe na inauguração do MG4, novo complexo de estúdios da Globo. Foto: Divulgação/ Raquel Cunha/TVGlobo
Manuela Dias, José Luiz Villamarim e elenco de Amor de Mãe na inauguração do MG4, novo complexo de estúdios da Globo. Foto: Divulgação/ Raquel Cunha/TVGlobo
A trilha sonora da novela das nove da Globo vai do samba ao funk, certo? O que você pode nos falar sobre a trilha?

José Luiz Villamarim: “A novela fala de uma brasilidade e nada mais brasileiro do que o samba e, atualmente, o funk. Além disso, a trilha é composta por canções que me afetam. Para mim, sem música não há drama. Em geral, as músicas que eu uso no set estão também na trilha. Como eu trabalho com essa questão de sempre estar cruzando a linha, afetando, emocionando, em busca de catarses cênicas, música é um instrumento que ajuda, potencializa”.

Há no elenco nomes novos, mas também veteranos. Além de atores que estiverem em seus últimos projetos. Como foi a escolha do elenco?

José Luiz Villamarim: “Eu sempre busco trabalhar com atores que eu gosto e admiro. Não tenho o menor problema em repetir elenco, desde que os atores estejam bem escalados. Também me preocupo em escalar pessoas fora do eixo Rio-São Paulo. Além disso, é importante ter frescor e, por isso, acho muito bom lançar nomes. Gosto de pontuar ainda que ter a Regina Casé em ‘Amor de Mãe’ é quase como um lançamento, já que ela estava há 18 anos longe das novelas. Ela é uma grande atriz e passou um tempo enorme sendo apresentadora. Mas ao olhar todo o histórico da Regina, constatamos que ela fez grandes personagens em novelas, no cinema e no teatro. É um privilégio tê-la no elenco”, finalizou.

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Sobre o autor

Thais Teles

Apaixonada por desenhos, fã de Jogos Vorazes, admiradora de Frida Kahlo, adora se perder no catálogo da Netflix e se emocionar com Coldplay. Desde menina sempre foi apaixonada por televisão, noveleira assídua desde as tramas alá Maria do Bairro ou intensas como o furacão Carminha. Formada em Publicidade e Propaganda em 2014. Escreve desde que se conhece por gente. Foi no ano de 2017 que integrou oficialmente o time TV Foco e desde então adora fofocar e dar spoilers das novelas.