Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A Crédito, a Will Bank

Nesta quarta-feira, 21, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida no mercado como Will Bank, banco digital popular que atuava como concorrente de fintechs como o Nubank.

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A decisão ocorre após o agravamento da crise financeira da instituição, que integra o conglomerado do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025.

Desde então, o Will Bank operava sob o Regime Especial de Administração Temporária (Raet), mecanismo usado pelo Banco Central para assumir o controle de instituições em risco e tentar evitar prejuízo maiores aos clientes e ao sistema financeiro.

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Em nota oficial, o Banco Central informou que a liquidação foi necessária devido ao “comprometimento da situação econômica” da instituição e à incapacidade de honrar suas dívidas.

Tentativa de venda e dívidas

De acordo com informações do portal G1, o Will Bank permaneceu sob administração temporária porque havia uma tentativa de venda da instituição para um investidor estrangeiro.

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A venda poderia evitar o encerramento das atividades, no entanto, o negócio não avançou e o cenário se agravou em janeiro.

No dia 19 de janeiro, a Mastercad informou que a Will Financeira deixou de pagar valores devidos. Em seguida, a bandeira decidiu suspender a aceitação dos cartões emitidos pelo banco.

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Desse modo, sem a concretização da venda e diante do acúmulo de dívidas, o BC concluiu que o banco não tinha mais condições de funcionar, decretando a liquidação extrajudicial.

O que significa liquidação extrajudicial?

A liquidação extrajudicial é o encerramento das atividades de uma instituição financeira sem a necessidade de um processo judicial.

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Nessa etapa, o BC assume a condução do processo, organiza o pagamento de credores e protege, dentro das regras do sistema, os interesses dos clientes.

Ligação com o caso Banco Master

Além disso, a situação do Will Bank está diretamente ligada ao colapso do Banco Master, controlada por Daniel Vorcaro e liquidado em dezembro de 2025.

A instituição enfrentava dificuldades como alto custo de captação, exposição e investimentos considerados arriscados, além da falta de transparência.

Tudo começou quando o Banco Master passou a oferecer CDBs com rentabilidade muito acima da média, o que levantou questionamento de órgão de controle.

De acordo com informações da Globo, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.

Maurício seria sócio oculto de Daniel Vorcaro, reforçando a conexão entra as duas instituições, segundo as investigações.

Como o Will Bank cresceu no Brasil?

Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank nasceu em 2017 a partir do pag!, emissor de cartões.

Em 2020, a empresa passou por uma reformulação, adotando o nome Will Bank e ampliou sua atuação para além de cartão de crédito.

Desse modo, a empresa passou a oferecer conta digital, PIX, boletos, empréstimo pessoal, antecipação do saque-aniversário do FGTS, investimentos e mais.

Em 2021, o banco recebeu um aporte de R$ 250 milhões do fundo de private equity da XP e da Atmos Capital, que passaram a deter 24,9% da participação.

Já no ano seguinte, a fintech incorporou a equipe da startup Getmore, acelerando sua estratégia de vendas online.

Emm seguida, em 2024, o Grupo Reag assumiu o controle da Will Instituição de Pagamento, enquanto a Will Financeira ficou sob o controle do Grupo Master.

Apesar da crise, o Will Bank havia apresentado sinais de recuperação. No primeiro semestre de 2024, a empresa reverteu prejuízos acumulados e registrou lucro líquido de R$ 47,7 milhões.

No entanto, o impacto da quebra do Banco Master, a falta de um novo investidor e o não pagamento das dívidas tornaram a situação insustentável.