Luz, Câmeras… Direção!
Mais do que apenas contar uma história que gera entretenimento e informação, as novelas conseguem atingir um grande público principalmente pela maneira como esse “faz de conta” vai ser mostrado. Os folhetins, palavra que vem do francês feuilleton, tiveram sua…
Mais do que apenas contar uma história que gera entretenimento e informação, as novelas conseguem atingir um grande público principalmente pela maneira como esse “faz de conta” vai ser mostrado. Os folhetins, palavra que vem do francês feuilleton, tiveram sua origem na literatura: publicados em jornais e revistas, sua estrutura era seriada, apresentando uma narrativa ágil, cheia de ganchos e acontecimentos. E não apenas aos novelistas cabe a responsabilidade de tornar a trama um grande sucesso, ou mesmo um tremendo fiasco. O trabalho individual e grupal dos atores em cena, a divulgação correta e eficiente na programação e nos meios de publicidade em geral, a trilha sonora cativante e bem executada: todos são fatores importantes na construção deste que é o mais caro, e rentável, produto da TV brasileira.
Por outro lado, quem arquiteta todos esses elementos, e pode ser considerado um grande maestro, é a figura do diretor. É ele quem vai dar o “tom” da novela, selecionando e executando as ideias dos autores e colaboradores. Com um bom texto em mãos, uma equipe afinada e talentosa de atores e técnicos, os diretores são os responsáveis por imprimir ritmo à história que será vista por milhões de pessoas pelo país, e até mesmo mundo afora. Eles avaliam critérios como as necessidades peculiares de cada horário de exibição, escalação de elenco, e ainda a trilha sonora musical e incidental (os temas que vão dar o “clima” da cena, como o charmoso tango nos momentos em que Carminha e Max conversam seus golpes, ou a música forte nas horas mais tensas).
Para você entender um pouco mais sobre esse assunto, veja abaixo alguns exemplos de diretores e seus estilos:
Jayme Monjardim: por suas mãos passaram obras que marcaram época na história da TV. A clássica Pantanal, da extinta Manchete, foi um de seus maiores êxitos. A trama era recheada de gravações externas e imagens aéreas, explorando ao máximo a beleza e exuberância da paisagem pantaneira. As belas passagens eram acompanhadas pelos arranjos de Marcus Viana, músico com quem Jayme voltaria a trabalhar em outro grande sucesso da TV, O Clone. Em 2005, Monjardim deu início às gravações de América, mas desentendimentos com Glória Perez o levaram a sair do projeto. Nos bastidores, as informações diziam que o tom dramático e lento dado por Jayme não foi bem aceito pela escritora. Entretanto, o mesmo estilo foi bem explorado em outras produções como o longa-metragem Olga e as minisséries A Casa das Sete Mulheres e Maysa.
Jorge Fernando: a comédia sempre foi o forte deste que sempre roubou a cena dentro e fora do meio televisivo. Os mais saudosos comprovam isso por meio de novelas queridas como Que Rei Sou Eu?, Vamp, Deus nos Acuda e Sai de Baixo. Recentemente, a parceria vitoriosa com o autor Walcyr Carrasco, resultou em boas produções como Chocolate com Pimenta, Caras e Bocas e Alma Gêmea. Jorge Fernando sabe imprimir cores nas tramas, sempre acompanhadas de trilhas musicais alegres e paisagens abertas e iluminadas.
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Denise Saraceni: A sensibilidade feminina da diretora carioca caiu bem em tramas que têm uma identificação maior com esse público, como Belíssima, Passione e a contemporânea Cheias de Charme.
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