Grande marca de refrigerantes luta para não ir à falência com dívida de R$15,7B

O Grupo Dolly, uma das marcas de refrigerantes, enfrenta um dos problemas mais delicados de sua história e é alvo de um pedido de falência

Ilustrações refrigerantes (Foto: Canva)

Grupo Dolly, conhecido por seus refrigerantes, é alvo de pedido de falência

O Grupo Dolly, uma das grandes marcas de refrigerantes, enfrenta um dos problemas mais delicados de sua história.

A empresa é alvo de um pedido de falência apresentado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP), que apontam uma dívida de R$ 15,7 bilhões em tributos e encargos.

A empresa afirma que ainda não foi oficialmente intimada e pretende adotar todas as medidas legais para se defender.

Nesta matéria, você saberá:

  • Por que a Dolly está sendo alvo de um pedido de falência
  • Qual é o valor da dívida
  • Defesa da empresa

Pedido de falência aponta dívida bilionária da marca de refrigerante

Segundo informações do portal G1, a empresa acumula uma dívida ativa de aproximadamente R$ 15,7 bilhões, envolvendo débitos com a União, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o governo paulista.

De acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, o valor está dividido da seguinte forma:

Leia também

  • R$ 8,3 bilhões inscritos na dívida ativa da união
  • R$ 7,4 bilhões com dívidas do Estado de São Paulo
  • Cerca de R$ 15 milhões relacionados ao FGTS

Procuradorias afirmam que a dívida existe há anos

A PGFN e a PGE-SP alegam que os débitos da marca de refrigerantes existe há mais de 25 anos.

Segundo os órgãos públicos, a empresa teria adotado uma estratégia de blindagem patrimonial para dificultar a cobrança dos valores devidos.

As procuradorias também alegam que a marca de refrigerante permaneceu em recuperação judicial durante quase oito anos sem regularizar sua situação fiscal.

Na avaliação dos órgãos, esse período teria sido utilizado para desfazer medidas de cobrança e criar novas estruturas de proteção patrimonial e planejamento tributário.

Recuperação judicial também entrou na mira de órgãos

Outro ponto destacado pelas procuradorias é que, após a aprovação do plano de recuperação judicial, o Grupo Dolly teria desistido do processo e buscado convertê-lo em recuperação extrajudicial.

Para as procuradorias, essa mudança teria como objetivo evitar a exigência legal de comprovar regularidade fiscal.

Os órgãos também afirmam que o não pagamento de tributos e encargos sociais teria proporcionado uma vantagem competitiva em relação as demais empresas do setor.

Sobre o pedido de falência, as procuradorias afirmaram: “O objetivo principal [do pedido de falência] é garantir a estabilidade dos empregos e permitir que a empresa siga operando de forma saudável, rumo a uma nova gestão que respeite os valores do mercado”.

Ilustrações refrigerantes (Foto: Canva)

Grupo Dolly nega irregularidade

Em nota oficial, enviada ao portal G1, o Grupo Dolly informou que ainda não foi intimado sobre qualquer decisão judicial referente ao processo.

A empresa de refrigerantes afirmou que, assim que houver notificação, adotará todas as medidas judiciais cabíveis.

O Grupo Dolly ressaltou “seu compromisso histórico com a regularidade de suas operações e com o diálogo institucional com as autoridades fiscais”.

“[A empresa] continuará prestando esclarecimentos à medida que o processo evoluir, sempre com base em fatos e documentos, e por meio de seus canais oficiais”, disse a empresa.

Ilustração refrigerantes (Foto: Freepik)

O que acontece agora?

O pedido de falência será analisado pela Justiça. Caso seja aceito, será iniciado o processo e a empresa poderá apresentar sua defesa durante a tramitação.

Entenda a origem da crise da marca de refrigerantes

O Grupo Dolly entrou com pedido de recuperação judicial em 2018, alegando que essa era a única alternativa para evitar a falência após sofrer bloqueios judiciais de bens.

Na época, o Ministério Público acusou a empresa de envolvimento em um esquema de fraude fiscal, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público, a empresa teria demitido funcionários e realizado novas contratações por meio de outra companhia para fraudar contribuições ao INSS.

Os promotores também apontaram prejuízo de aproximadamente R$ 1,4 bilhão relacionado ao não pagamento de ICMS.

Considerando também os débitos federais, o valor investigado chegaria a cerca de R$ 4 bilhões.

Na ocasião, a marca de refrigerantes negou todas as acusações de sonegação fiscal e afirmou que teria sido vítima de um escritório de contabilidade que omitiu informações fiscais.

Ilustração refrigerantes (Reprodução: Canva)

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