Mudanças climáticas e população idosa: Brasil enfrenta novo desafio em fórum

O Fórum de Seguros, Mudanças Climáticas e Longevidade busca abordar a crescente vulnerabilidade da população idosa diante dos desafios climáticos no

09/08/2026 19:00

4 min

Mudanças climáticas e envelhecimento: o novo desafio do Brasil (Foto de reprodução Instituto)
Mudanças climáticas e envelhecimento: o novo desafio do Brasil (...
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Impactos das Mudanças Climáticas na População Idosa

O aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos representa um desafio significativo para o Brasil, especialmente no que diz respeito à proteção de uma população idosa em crescimento. Este tema será debatido no Fórum de Seguros, Mudanças Climáticas e Longevidade, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fena Previ), que ocorrerá durante a COP 30, marcada para o dia 10 de novembro em BelémPA.

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No ano passado, o Brasil enfrentou uma das suas maiores tragédias ambientais com as enchentes no Rio Grande do Sul. Um relatório elaborado pelo BID e Banco Mundial, em colaboração com a CEPAL e outras agências da ONU, revelou que quase 2,3 milhões de pessoas foram afetadas.

Entre as 183 mortes registradas, 55 eram de idosos, representando cerca de 30% do total — uma proporção alarmante considerando que essa faixa etária corresponde a apenas uma parte menor da população do estado.

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Vulnerabilidade dos Idosos em Situações de Emergência

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (REDESCA) observou que idosos e pessoas com deficiência são os mais vulneráveis em emergências climáticas. Durante uma visita ao Rio Grande do Sul, a comissão constatou a falta de acessibilidade nos abrigos e a escassez de cuidados médicos.

O estado, que possui 14,1% da sua população composta por idosos, contava apenas com dois abrigos adequados para esse público durante a tragédia.

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Além disso, doenças crônicas como hipertensão e diabetes se agravaram devido à interrupção de tratamentos e à perda de medicamentos. O cenário ficou ainda mais crítico quando 72% das Unidades Básicas de Saúde dos municípios afetados ficaram inoperantes, enquanto 13 hospitais regionais enfrentaram dificuldades operacionais.

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Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade MAG, enfatiza que “as mudanças climáticas criam uma nova camada de desigualdade”, atingindo principalmente aqueles com menos capacidade de reação.

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Perdas Materiais e Fragilidade Financeira

As consequências das enchentes não se restringem às perdas humanas; o impacto patrimonial é igualmente severo. No Rio Grande do Sul, mais de 155 mil casas foram danificadas e 46 mil destruídas. Embora o relatório não apresente dados específicos sobre a faixa etária dos proprietários afetados, muitos eram aposentados ou pertenciam a famílias de baixa renda sem seguro habitacional.

A desvalorização do patrimônio imobiliário é preocupante para os idosos, já que muitas vezes essa é sua única segurança financeira. De acordo com a ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), imóveis localizados em áreas de risco perderam cerca de 10% do valor após as inundações.

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A falta de cultura voltada para seguros agrava ainda mais essa situação: apenas 17% das residências brasileiras contam com algum tipo de cobertura.

Desafios Futuros e Necessidade de Adaptação

Com o envelhecimento da população e o aumento da ocorrência de desastres naturais, o Brasil enfrenta o que especialistas chamam de “dupla pressão”: um lado é representado pelo crescente custo da previdência e dos cuidados com a saúde; por outro lado estão os prejuízos econômicos causados por eventos climáticos cada vez mais frequentes.

O Fórum Econômico Mundial estima que as mudanças climáticas podem reduzir até 18% do PIB global até 2050 se não houver adaptações adequadas.

Esses desafios exigem novas abordagens. É fundamental desenvolver planos municipais que incluam protocolos específicos para proteger a população idosa. O relatório do BID recomenda fortalecer a integração entre previdência, assistência social e seguros.

A REDESCA também destaca a necessidade urgente de abrigos inclusivos e acessíveis com suporte médico permanente.

Pensando no Futuro do Envelhecimento Sustentável

Nilton Molina ressalta que “precisamos repensar o envelhecimento sob a ótica da sustentabilidade”, afirmando que viver mais deve significar viver com segurança financeira e resiliência climática. O Instituto de Longevidade MAG atua em diversas frentes para promover essa sustentabilidade, como através do Índice de Desenvolvimento Urbano para a Longevidade (IDL), que avalia a qualidade de vida nos municípios para idosos.

As iniciativas visam integrar educação financeira com proteção securitária para garantir que o envelhecimento ocorra com autonomia e segurança em todas as fases da vida. A discussão sobre esses temas será aprofundada durante o Fórum em Belém.

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