Globo

Nem vitamina de minhocas fortalece ‘Hipertensão’

Concorrente do 'Hipertensão'. Foto: TV Globo/Divulgação

Pouca coisa mudou entre o primeiro Hipertensão, de 2002, e o atual, ambos dirigidos por Boninho. Antes apresentado por Zeca Camargo, o reality show da Globo voltou ao ar há duas semanas e tem agora o comando da carismática Glenda Koslowski. Bem verdade que as provas são mais criativas. A principal diferença, porém, foi associar as tarefas de superação física e psicológica à interação social de um Big Brother Brasil.

É uma forma de atrair o telespectador que, há tempos, demonstra interesse nas questões relativas a prestígio, carisma e liderança tematizadas nos BBB. Além disso, as pequenas diferenças do dia a dia também são exploradas, na tentativa de se valorizar o antagonismo entre os participantes e, assim, criar uma pequena narrativa.

O problema é que as diferenças pessoais são mínimas e a interação dos concorrentes é bastante rarefeita, pelo menos por enquanto. E não há qualquer ligação mais forte entre as tarefas e os relacionamentos. É como se fossem duas produções distintas fundidas em uma só, o que dá uma certa sensação de que a edição não deu conta do recado. Mas o problema é mesmo de roteiro.

Hipertensão é, em muitos sentidos, um programa teen, feito e estruturado para adolescentes, com pensamentos juvenis e atividades que articulam o adolescente em seus diversos grupos sociais. Até mesmo a apresentação dos participantes segue o modelo de games. O perfil dos concorrentes é exibido como em um RPG, com sua fotografia e principais “poderes”. Se o programa conseguisse decolar – o que os 15 pontos de média de audiência que conquistou até agora não autorizam -, bem que poderia ser vertido para internet na forma de um game.

Os desafios misturam alguma força e destreza mas principalmente coragem. E as provas de fogo são um exercício de superação dos nojinhos de adolescentes, aqui levados a extremos. Porque macho que é macho come até barata e minhoca. E mulher que não é fresca também não tem medo destas coisas. No final das contas, Hipertensão fala de uma certa identidade, marombada, sem vacilos e sem espinhas que dispensa qualquer raciocínio lógico. É um modelo muito acanhado para a juventude que é muito, mas muito mais variada. E esperta.

Hipertensão – Globo – Quinta e domingo, às 23h10.

Por Mauro Trindade / Portal Terra



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Sobre o autor

Deivison Lima

Escreve sobre Televisão desde 2008