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O milhão que quase ninguém viu

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Na última quarta-feira (26), o SBT fez mais um milionário – o sétimo de sua história. O músico Natan Rodrigues conquistou o prêmio máximo do programa “1 Contra 100″.

O game show revela um Roberto Justus cada vez mais à vontade diante das câmeras. O início da carreira do empresário na televisão foi sofrível. Ele estreou no comando de “O Aprendiz”, em 2004, na Record. Contido e pouco natural, Justus era motivo de chacota de diversos humoristas, que o comparavam a um robô. No entanto, rapidamente se tornou um bom apresentador. Já no final da primeira temporada do reality show, ele dominava a atração, mostrando desenvoltura até mesmo na final exibida ao vivo, algo raro para um iniciante.

Após seis temporadas no comando de “O Aprendiz”, Roberto Justus deixou a Record. No SBT desde 2009, comanda o game show “1 Contra 100″. O programa repete algo comum na televisão brasileira: um formato gringo adaptado ao mercado local que acaba igualando ou superando o produto original. “Esquadrão da Moda”, “Supernanny”, “Topa ou Não Topa” e “Troca de Família” são outros exemplos recentes de atrações tão boas ou melhores que os programas norte-americanos e ingleses que serviram como exemplo.

Contudo, ao mesmo tempo em que o “1 Contra 100″ mostra o potencial do SBT, ele também evidencia um erro que se repete à exaustão na emissora: a falta de estratégia na grade de programação.

Exibido às quartas-feiras, o game show acaba esvaziado pela disputa com o futebol. O programa geralmente amarga a quarta posição no Ibope, atrás da Globo, da Record e até mesmo da Band. Na última quarta, a emocionante disputa pelo prêmio de R$ 1 milhão não foi assistida por muita gente. O “1 Contra 100″ registrou minguados seis pontos de audiência.

A falta de estratégia na grade de programação sempre foi uma marca registrada do SBT. Outras boas atrações, como o “Esquadrão da Moda” e o “Conexão Repórter”, são sacrificadas em dias e horários inadequados.

Porém, no último ano, a emissora dava sinais de renovação. Desde que assumiu a direção geral, Daniela Beyruti aos poucos rejuvenesceu o SBT. Filha de Silvio Santos, ela deu um novo gás à programação ao contratar Roberto Justus, Eliana e Roberto Cabrini, além de exibir apenas séries e filmes inéditos no horário nobre e comprar formatos de sucesso como “Esquadrão da Moda”, “10 Anos Mais Jovem” e “Qual é o Seu Talento?”.

Infelizmente, em abril, Silvio Santos resolveu voltar a decidir sozinho o rumo da programação do SBT. Velhos hábitos, como as mudanças constantes nos horários das atrações e as reprises de filmes e séries, voltaram a assombrar a emissora. Até a embolorada novela “A História de Ana Raio e Zé Trovão”, da falida Manchete, será exibida.

Uma pena. Enquanto Silvio Santos preferir utilizar o SBT como vitrine para cosméticos, títulos de capitalização e demais produtos das outras empresas de seu grupo empresarial, boas atrações serão desperdiçadas. Dificilmente a emissora voltará a travar uma disputa sustentável pela audiência. O SBT, que um dia já incomodou a Globo e era dono absoluto da vice-liderança, hoje come a poeira deixada pela Record e logo pode ser ameaçado pela Band.

Fonte: Coluna “Opinião”, do portal Yahoo!

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Redação TV Foco