Panorama atual das emissoras – Parte 3: Globo
[caption id="attachment_476245" align="aligncenter" width="700"] (Foto: Divulgação)[/caption] Chegamos à última parte da série especial que analisa o atual momento das três principais emissoras do país. Na primeira edição abordamos o cenário atual do SBT (clique aqui e leia); na segunda parte,…
(Foto: Divulgação)
Chegamos à última parte da série especial que analisa o atual momento das três principais emissoras do país. Na primeira edição abordamos o cenário atual do SBT (clique aqui e leia); na segunda parte, a Record (clique aqui e leia). E encerrando a série, vamos traçar um panorama atual da Globo.
Principal emissora do país, e considerada a segunda maior do planeta — atrás apenas da americana ABC — , a Globo é um daqueles casos em que o resultado justifica inteiramente o trabalho realizado. Para uma emissora de TV, o que gera bons resultados? Um grande volume de produções de qualidade. A explicação pode resumir o conceito atual da Globo.
Ao contrário da Record e SBT, a emissora carioca conta com uma gestão e estrutura quase impecável. Para exemplo de comparação sobre fluidez de produção, atrações de valorização mínima na Globo, como o “Zorra” e o “Tá no Ar”, tem uma variedade de cenários e caracterização que pode até mesmo superar as principais produções dramatúrgicas da Record e SBT, que geram uma grande mobilização e cuidado de profissionais. No ano passado, por exemplo, o “Tá no Ar” chegou a contabilizar 300 cenários em apenas 12 episódios. Não se trata de uma comparação em termos gerais de qualidade de produções, apenas uma ilustração do poder de investimento da Globo mesmo em produções de pouca relevância na emissora.
O número de produções próprias em si também chega a ser incomparável. Séries e minisséries à parte, enquanto que a Record se esforça para manter duas faixas de novelas inéditas e o SBT investe em reprises, a Globo chega a contar com até cinco folhetins inéditos no ar (“Malhação”, novela das 18h, das 19h, das 21h e 23h).
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Com a modernização e popularização mundial das séries, os folhetins da Globo, de fato, parecem tentar se reinventar a qualquer custo e se modernizarem. Tentam erguer um conceito de trama e personagens complexos, que mais parece um “seriado” extremamente esticado, e na tentativa de realizar uma “boa mistura” entre série e novela, acabam apresentado projetos que não parecem nem uma coisa nem outra. Omitem as tradicionais passagens “absurdas” nos conflitos dramáticos e buscam mais “realismo”, que muitos telespectadores classificam sempre como “chato” e/ou “confuso”. O curioso é que justamente na reta final das novelas, quando enfim intensificam a trama e assumem o tradicional formato de folhetim, a audiência costuma crescer naturalmente. Coincidência? Não, apenas falta de análise e coerência. É necessário entender melhor o que o público deseja e definir um padrão de produção que vá atender as necessidades dele. Afinal, para que os tais fóruns foram criados?
A Globo é indiscutivelmente a “cabeça” das emissoras no Brasil. Com um trabalho de gestão exemplar, que dá um enorme retorno a emissora e a torna monopólio no audiovisual do país, o canal tem cacife e repertório para permanecer no topo por muito tempo e talvez nunca sair de lá. A aproximação recente da Record aparenta ter sido apenas uma “ameaça passageira”. A Globo pode não ser unânime em termos de gosto popular; ganhar rótulos como os de “indecente”, “manipuladora” e até “imparcial”. Mas em todos os meios sempre existiram os melhores, que trabalham com competência para chegar ao topo. A Globo chegou lá com méritos.
As opiniões aqui retratadas não refletem necessariamente a posição do TV FOCO e são de total responsabilidade de seu idealizador.