FIM no Plaza Shopping e pedido de falência: Varejista afunda com R$ 1 bilhão e terror pior que o da Americanas
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Varejista amada por milhares de brasileiros atravessa cenário crítico e terror é ainda maior do que o vivido pela Americanas
E o cenário para algumas varejistas ainda continua bem distante da tranquilidade e bons tempos ... Inclusive, uma das mais amadas entre elas atravessa um dos seus maiores sufocos já vividos.
Em meio a pedidos de falência, despejos e amargando um prejuízo multimilionário e tentando sobreviver com apenas seis lojas abertas (sendo que ela possuía cerca de 160), a Leader agora nomeou um novo dono.
De acordo com a coluna Capital, de O Globo, essa troca ocorre no momento em que o próprio administrador judicial da varejista carioca declarou em juízo que, na sua opinião, o melhor desfecho para o negócio é a falência.
Segundo apurações exclusivas da coluna, empresários ligados ao pouco conhecido Mauá Bank, acabam de assumir o negócio em crise.
Os sócios Renato Vaz Heringer e Marcio Margreife Lima já assinam como presidente e diretor da varejista, respectivamente.
Ainda não se sabe com clareza se a dupla pagou alguma coisa para assumir o negócio que está naufragando.
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Mas alguns especialistas apostam que a transação deve ter envolvido um valor simbólico, diante do tamanho caos financeiro em que a Leader se encontra.
Vale destacar que essa é a segunda mudança de controle no intervalo de um ano em uma companhia que está em recuperação judicial desde o início da pandemia, quando a mesma declarou uma dívida de R$ 1,1 bilhão e um prejuízo de R$ 159 milhões em 2023.
O que nos faz lembrar do terror vivido pela famosa Americanas, tão vermelha quanto a varejista e que também enfrenta uma recuperação judicial dolorosa em meio a um cenário cada vez mais desafiador*
(Para saber mais sobre a situação da Americanas, clique aqui*)
Porém o caso da Leader é até pior e é sobre isso que iremos detalhar a seguir ...
Em meio ao caos
Desde o ano de 2023, a Leader era tocada pelos sócios Marcos Antônio Lage e Eduardo Mendes Tavares, que assumiram depois que o empresário André Peixoto, um dos atuais donos da rede C&C, deixou a sociedade.
Peixoto era CEO da Leader quando, em 2020, comprou a varejista por R$ 1 mil das mãos de Fábio Carvalho.
Carvalho já havia comprado a Leader por valor simbólico em 2016, cuja qual pertencia a BTG Pactual e à família Gouvêa.
No comando de Peixoto foi implementada primeiramente a recuperação extrajudicial para equacionar a dívida com fornecedores.
Pouco antes da pandemia, porém, a companhia entendeu que reestruturar sua dívida financeira também seria inevitável e partiu para uma RJ.
O fato da pandemia ter começado poucas semanas depois transformou o que já não era ideal em um processo ainda mais complicado para uma reestruturação que deveria ser muito rápida.
Foi aí que as coisas começaram a preocupar ainda mais a companhia. Mesmo assim, ela conseguiu aprovar seu plano de recuperação com um percentual alto.
Mas a aprovação do plano não resolveu os problemas da companhia.
Ainda mais porque a varejista, cujas operações se dão praticamente 100% em lojas físicas, passou a sofrer concorrência direta de e-commerces internacionais como Shein e Shopee em seus principais segmentos de atuação: vestuário e artigos para o lar.
Ainda mais dívidas ...
Nesse mesmo período, as chamadas dívidas extraconcursais (que não estão cobertas pelo plano) seguiram crescendo em ritmo acelerado.
Uma das razões foi o volume de novas dívidas trabalhistas provocadas pela estratégia de fechar lojas.
Só nos últimos meses, 14 unidades foram fechadas, segundo levantou a administradora judicial, a Inova.
Inclusive, de acordo com a Folha do Leste, no dia 18 de janeiro de 2023 a Leader encerrou as suas atividades e se despediu do espaço que ficava localizado no Plaza Shopping de Niterói.
Como a Leader não estava pagando as rescisões, o Sindicato dos Comerciários do Rio ajuizou ação coletiva no Ministério Público contra a empresa.
Segundo o presidente do sindicato, Márcio Ayer, 127 trabalhadores estão na ação.
No dia 03 de junho de 2024, o Ministério Público do Trabalho (MPT) organizou audiência entre as partes para resolver a situação, mas não houve acordo, de acordo com as informações divulgadas pela própria Leader:
"A companhia propôs a pagar os débitos de forma parcelada, em algo como 60 vezes, mas não aceitamos. Nossa contraproposta é que o prazo fosse bem menor, além de haver a possibilidade de manutenção do auxílio-saúde e a previsão de uma ajuda para alimentação nesse período"
A própria administradora Inova queixou-se à Justiça de que a Leader não vem pagando mais seus honorários desde fevereiro, deixando em aberto uma conta de R$ 947 mil nesses meses.
Para piorar ainda mais essa situação, a companhia não vem apresentando os dados periódicos exigidos por recuperações judiciais, o que impede a Inova de elaborar relatórios de atividade mensal que deveriam informar os credores sobre a real situação da empresa.
Diante disso e dos inúmeros pedidos de falência registrados na Justiça contra a companhia, a Inova foi taxativa em petição apresentada no último dia 24:
“Os elementos fáticos que demonstravam um agravamento da saúde econômico-financeira alcançaram um patamar insustentável.”
A conclusão da Inova no documento é que a RJ deve ser convertida em falência:
“Diante de todos os fatos novos ora expostos e dos documentos igualmente apresentados, a gravidade da conjuntura desembarca na necessária constatação ou decretação do estado de insolvência.”
Apesar disso, a companhia e outras partes do processo de RJ ainda precisam se manifestar antes que o juiz tome qualquer decisão.
Manifestação da Leader:
Ainda de acordo com a coluna Capital, os mesmos não conseguiram contato com a empresa para que ela pudesse comentar sua situação financeira e a mudança societária.
Porém, o TV Foco também mantém o espaço aberto, caso ela deseja se manifestar sobre o ocorrido e expor a sua versão dos fatos.
No ano de 2022, a Leader teve um faturamento bruto de R$ 646 milhões e um prejuízo líquido de R$ 375 milhões.
No ano passado, as vendas despencaram 55%, para R$ 329 milhões, com um prejuízo de R$ 159 milhões.
Talvez o ativo mais importante da Leader, uma marca há décadas é a mais significativa no Natal de muitos consumidores cariocas, foi dado em garantia ao Estado do Rio, no ano de 2022, em acordo firmado com a Procuradoria Geral (PGE) para pagamento de uma dívida ativa de R$ 810 milhões.
Quando a Leader foi fundada?
A rede de lojas Leader, foi fundada ainda em 1951 no Rio de Janeiro e, como mencionamos, contava com mais de 100 lojas espalhadas em todo o país.
De acordo com o Wiki, a rede era chamada de Leader Magazine até 2004, quando, com a entrada do famoso slogan Sua vida mais bonita, passou a ser chamada apenas Leader.
Na época, as suas lojas continuavam com a antiga nomenclatura, quadro que mudou em 2006, com a chegada de uma nova marca.
Essa marca foi substituída em 2010, com o atual slogan Mais do que você imagina, por uma com sutis diferenças:
- A marca passou a ter um efeito metálico tridimensional, um contorno branco e quinas arredondadas. Em 2011, ela foi re-ilustrada, mantendo as formas padrões, mas com os volumes e iluminação diferentes
Importância da Leader:
Além de oferecer grandes marcas de mercado, a empresa possui cerca de 20 marcas próprias de produtos desenvolvidos com exclusividade.