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Pra que serve a claquete?

É até clichê que um estudante de cinema, recém-chegado em sua primeira filmagem, queira utilizar aquele pedacinho de plástico cheio de números, ou marcações a giz, e mais raramente com números eletrônicos, para tirar uma foto com o instrumento, como se aquela recordação fosse responsável por seu embarque no maravilhoso mundo de se fazer cinema. O que quase ninguém  sabe é que esse “brinquedo” tem uma importância enorme e, em um set de verdade, é bom nem se aproximar dele. Deixe que o segundo assistente de câmera cuide desse brinquedinho, troque os números a cada take, plano ou seqüência.

Imagine o seu computador sem um Windows Explorer ou qualquer outro programa de organização de seu disco rígido. Seria praticamente impossível, principalmente para os mais desleixados, achar o que se procura em meio a seus arquivos todos jogados, não? Pois bem, a claquete funciona exatamente com esse mesmo propósito, só que com relação aos rolos filmados. Pense naquele monte de rolo em um escritório. Digamos que o montador precise achar um determinado plano. Como ele faria caso não houvesse o mapeamento do material? Imaginem um filme como O Senhor dos Anéis, com horas de filmagens, como seria sua organização da montagem se Peter Jackson não tivesse uma marcação como guia para achar os planos que deseja?

Durante as filmagens, a cada take, vai o assistente de câmera lá, informa algumas informações que a claquete contém – elas variam, mas geralmente são seqüência, plano, take, nome do diretor e câmera, além do nome da produção – e depois o plano é filmado. Cada “claquetada”, como podemos chamar o fato de se bater com a parte móvel da claquete e ouvirmos aquele famosos barulhinho de click, serve como uma marcação para a organização do material que está sendo gravado.

Com isso, o filme fica, em todas as latas, bem organizado. Quando necessitam de um plano na hora da montagem, eles já sabem exatamente onde ele está. Quando passam o filme montado para o laboratório, montado a partir de um copião, o laboratório usa as referências da claquete para fazer a cópia final, mais limpa e sem o trabalho do montador (que pode ter mexido várias vezes naquela cópia anterior, o que deixaria o resultado final bem sujo e cheio de durex). Ou seja, é importante conhecer cada plano que está sendo usado, a todo momento. E essa referência está justamente na marcação da claquete.

E o som da claquetada, é gratuito? Não. Em um filme mudo, a batida não é necessária, uma vez que ela serve para marcar a sincronia entre a imagem e o som, que estão sendo captados separadamente. Quem nunca ouviu a célebre frase: “luzes, câmera, ação!”? Pois bem, nela falta “som”, que dá início à gravação do som ambiente, mesmo antes da câmera ser disparada e os fotogramas começarem a ser queimados. Sem o click da claquete, pode ter certeza que a dor de cabeça seria grande para achar a sincronia entre diálogos, por exemplo.

O que parecia apenas um brinquedo, revela-se um item de extrema importância de organização para um filme. Quando você ver, nos extras ou até mesmo ao vivo uma filmagem onde o assistente de câmera aparece com a claquete e a utiliza, saberá que aquilo é um “pouquinho” mais importante do que apenas um enfeite.

Mas que é bacana ter uma claquete própria, apoiada na estante do quarto junto à coleção de DVDs, isso é!

Fonte: Cineplayers / TV Foco

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Sobre o autor

Deivison Lima

Escreve sobre Televisão desde 2008