De patrocinador à lembrança: Conheça a história real do banco que dominou os anos 90 e teve seu desfecho final decretado após cenário conturbado
O setor bancário brasileiro, ao mesmo tempo que exibe uma solidez invejável, sua história também traz quedas vertiginosas . Inclusive, no final da década de 90, uma marca específica que transformou os estádios de futebol em um caldeirão de expectativas colapsou em meio a um cenário conturbado.
Trata-se do Banco Excel Econômico, o qual chegou a estampar camisas do time e prometeu revolucionar o crédito de varejo. No entanto, o que parecia a ascensão meteórica de um império financeiro, liderado por Ezequiel Nasser, tornou-se um dos episódios mais polêmicos do Proer.
Sendo assim, com base em informações do portal Folha de S.Paulo, Wiki e Bastidores do Poder, trazemos abaixo toda sua trajetória e a causa da sua queda.
Um início histórico
Ezequiel Edmond Nasser, sobrinho dos lendários Edmond e Joseph Safra, fundou o Banco Excel em 1990.
Ele demonstrou a que veio logo no início e executou ações históricas, como:
- Antecipar o confisco do Plano Collor em três dias;
- Sacar recursos pessoais para comprar a sede da instituição na Rua Augusta, em São Paulo.
- Durante cinco anos, Nasser operou o Excel como uma "boutique financeira" lucrativa focada em crédito corporativo.
Mas a grande virada ocorreu em 1995, quando o Banco Central interveio no Banco Econômico por insolvência.
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Nasser enxergou ali uma oportunidade de ouro e, em 1996, adquiriu o Econômico pelo valor simbólico de R$ 1 na época.
Ele utilizou recursos bilionários do Proer para sanear as dívidas e, com isso, criou o Excel Econômico. No entanto, a realidade interna divergia da propaganda.
Sistemas incompatíveis e um rombo oculto de "créditos podres" minaram a operação desde o primeiro dia.
O futebol de vitrine
Conforme citamos acima, Nasser utilizou o futebol para garantir visibilidade máxima à sua marca.
Ele não buscava apenas clientes; ele buscava domínio midiático.
- Parceria com o Corinthians: O banco financiou contratações de peso para o Timão, como o atacante Edmundo, e estampou o logotipo "Excel" no peito da camisa durante conquistas marcantes;
- Expansão Nacional: A estratégia também alcançou o Botafogo, o América-MG e o Vitória, em que o banco fortaleceu a base baiana herdada do Econômico.
Porém, no ano de 1998, a venda para o grupo espanhol BBV encerrou abruptamente esses contratos, deixando um rastro de incertezas nos clubes parceiros e revelando que o patrocinador do Corinthians chegava ao fim no Brasil.
O colapso
O fracasso do Excel Econômico resultou de uma combinação fatal de má gestão e crises externas.
A auditoria realizada após a fusão revelou que os chamados "créditos podres" (dívidas irrecuperáveis) somavam entre R$ 700 milhões e R$ 900 milhões.
Além disso, a Crise Asiática de 1997 elevou os juros e secou a liquidez do mercado.
No balanço daquele ano, o Excel registrou um prejuízo líquido de R$ 44,2 milhões, tornando-se a única grande instituição de varejo no "vermelho".
Além disso, a auditoria da Arthur Andersen concluiu que o banco possuía patrimônio líquido negativo, zerando o valor das ações dos controladores.
Fatalmente, no ano de 1998, Nasser vendeu o banco para o grupo espanhol Bilbao Vizcaya (BBV).
De acordo com o portal Wiki, existem controvérsias quanto ao valor real da transação, uma vez que o mercado alega valores maiores, ao mesmo tempo que uma denúncia reduz o preço real da transação para a quantia irrisória de R$ 1.489 (menos que um salário mínimo hoje).
Por fim, o Bradesco absorveu as operações do BBV anos depois, apagando a marca Excel das ruas.
Ao buscar manifestações ou declarações do banco emitidas na época, elas não foram encontradas. No entanto, o espaço segue em aberto.
Mas qual foi o desfecho do que sobrou do Banco Econômico?
Vale destacar que a jornada judicial de Ezequiel Nasser arrastou-se por décadas, mas o cenário mudou definitivamente nos anos 2020.
- A compra pelo BTG: Em 2022, o banco BTG Pactual adquiriu o controle acionário da massa falida do que restava do Econômico;
- Encerramento oficial: Em agosto de 2024, o Banco Central do Brasil formalizou o encerramento da liquidação extrajudicial do Banco Econômico.
- Resolução de dívidas: O BTG Pactual assumiu os ativos e passivos restantes, equacionando a dívida bilionária com o PROER.
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Autor(a):
Lennita Lee
Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.



