Transgressor e parcial, Tá no Ar é uma “faca de dois gumes” na Globo

[caption id="attachment_592698" align="aligncenter" width="700"] Tá no Ar critica postura conservadora de alguns evangélicos sobre o Carnaval. (Foto: Reprodução/TV Globo)[/caption] Com seu humor ácido e liberal para os padrões da Globo, o Tá no Ar chega à sua quinta temporada na…

31/01/2018 12:05

3 min

Tá no Ar fez sátira crítica com evangélicos. (Foto: Reprodução/TV Globo)
Tá no Ar fez sátira crítica com evangélicos. (Foto: Reprodução/T...
Continua depois da publicidade

Tá no Ar criticou postura conservadora dos evangélicos sobre o Carnaval. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Tá no Ar critica postura conservadora de alguns evangélicos sobre o Carnaval. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Continua depois da publicidade

Com seu humor ácido e liberal para os padrões da Globo, o Tá no Ar chega à sua quinta temporada na emissora, e com a garantia de mais uma leva de episódios em 2019. Em termos de resultados, nenhuma novidade: sucesso nas redes sociais, mas com audiência regular bem razoável na TV.

Essa oposição de resultados, aliás, pode fazer o humorístico de Marcelo Adnet e Marcius Melhem ser classificado como uma "faca de dois gumes", ou seja, traz prós e contras, quase que na mesma proporção, para a emissora. Os índices regulares mais do que evidenciam que o programa tem um público limitado, com um humor sofisticado, que procura muito mais fazer média com as redes sociais do que atrair novos telespectadores. E isso parte da proposta parcial do humorístico.

Continua depois da publicidade

+ Após 26 anos, jornalista se desliga da TV Globo: “Foi um período de muitas transformações”

Em recente entrevista, Melhem afirmou que o programa “não toma partido ou que partidariza”, mas na prática, não é bem isso que acontece. Nas últimas temporadas, e especialmente na atual, o Tá no Ar impõe críticas sociais quase que exclusivamente pela ótica liberal. Já exaltou as minorias (com justiça), repreendeu o machismo, mas fez questão de “bater” nos conservadores e na religião. A edição desta terça-feira (31) do programa, por exemplo, foi “dedicada” a satirizar e fazer críticas generalizadas a religiões, algo que já é de praxe do humor. Houve críticas aos católicos, e até aos evangélicos, pelo fato de uma parcela ser contra a erotização no Carnaval, ideia defendida principalmente pelo atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella. A “web”, como sempre, vibrou. Mas afinal, quem vibrou? A maioria da população, que é conservadora e cristã, ou o público-alvo do programa?

Continua depois da publicidade

Leia também

É claro que o Tá no Ar não pode vir a se abster de sátiras desse gênero pelo simples receio de “ofender” alguém. A discussão aqui é em torno da real necessidade de se tomar partido na TV em um país cada vez mais vítima da intolerância política, e expor a emissora, que zela pela sua imagem imparcial; é sobre a falta de capacidade de realizar um humor um tanto mais popular para englobar novos telespectadores; é sobre acreditar que as opiniões concentradas no Twitter não refletem necessariamente a opinião da maioria da população ou dos próprios telespectadores; e finalmente, é sobre a hipocrisia de afirmar que não há "limite no humor", e que todos serão “vítimas” das “brincadeiras”, mas na prática, poupar alguns grupos da sociedade e colocar outros como único alvo. Se não é conveniente “oprimir quem já é oprimido”, talvez essa própria proposta de humor não seja, e se for, que critique quem realmente fez por merecer, sem generalização.

As opiniões aqui retratadas não refletem necessariamente a posição do TV FOCO e são de total responsabilidade de seu idealizador.

Continua depois da publicidade

Blog post image

Continua depois da publicidade

Quer receber avisos de notícias no seu dispositivo? Ative as notificações do TV Foco.

Continua depois da publicidade

Autor(a):

Formado em jornalismo, fui um dos principais jornalistas do TV Foco, no qual permaneci por longos anos cobrindo celebridades, TV, análises e tudo que rola no mundo da TV. Amo me apaixonar e acompanhar tudo que rola dentro e fora da telinha e levar ao público tudo em detalhes com bastante credibilidade e forte apuração jornalística.