Audiência da TV Bastidores da TV

TV trata telespectador como criança de 6 anos, diz cientista.

Para o antropólogo Néstor García Canclini, especialista em globalização e um dos principais teóricos da comunicação na América Latina, as redes de televisão tratam o telespectador adulto como uma criança de seis anos.

Canclini proferiu ontem em São Paulo a palestra “Redes Sociais, Internet e Cultura Digital”, que abriu o cliclo de seminários “Produção, Distribuição e Consumo Cultural: A Indústria Cultural do Século 21”, projeto do Ministério da Cultura realizado pela Escola da Cidade (faculdade de arquitetura e urbanismo).

Na palestra, o intelectual argentino radicado no México contou que nos anos 1980 os estudiosos de televisão afirmavam que o veículo tratava o público como alguém de 12 anos. Recentemente, Canclini foi convidado a participar de um programa de TV. Nos bastidores, foi advertido de que não falaria para um público acadêmico, como estava acostumado, e orientado a pensar que lidava com pessoas de seis anos.

Após a palestra, o blog perguntou a Canclini se ele concordava com a afirmação de que a televisão trata seu público como uma criança. “Por que não, se são eles [da televisão] que estão dizendo?”, respondeu.

Canclini é autor de diversos livros, entre eles Culturas Híbridas – Estratégias para Entrar e Sair da Modernidade, uma análise da cultura na América Latina, e Consumidores e Cidadãos – Conflitos Multiculturais da Globalização, em que aponta mudanças provocadas pela televisão.

Na palestra de ontem, Canclini demonstrou preocupação com o alto índice de desemprego entre os jovens, o que os exclui do consumo cultural “localizado” (o realizado no cinema, teatro, livraria etc.). O desemprego e o trabalho informal e/ou ilegal, somados ao avanço da “cultura digital” (a cultura consumida na internet, como o download de vídeo e música), criaram, de acordo com Canclini, um cenário de “precariedade”.

Para o professor, a globalização e a internet levaram as pessoas a passarem de um ambiente de “convivência” para um ambiente de “supervivência”, referindo-se à troca dos encontros físicos, reais, pelas “amizades” nas redes sociais (Twitter, Facebook).

“Como ser criativo em uma sociedade precária?”, questionou.

O ciclo “Produção, Distribuição e Consumo Cultural: A Indústria Cultural do Século 21” segue com mais seis palestras, sempre às quartas-feiras, a partir das 18h30, até 17 de novembro. Clique aqui para conhecer a programação e saber como assistir às transmissões ao vivo pela web.

Fonte: Danie Castro/R7

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Redação TV Foco