Xodó do SBT morreu aos 75 sem realizar último desejo e esquecida por amigos
Conheça a história marcante de atriz que brilhou no SBT e enfrentou uma despedida dolorosa e afastada dos velhos amigos.
Wilza Carla, um dos maiores nomes do Show de Calouros e da dramaturgia, enfrentou graves problemas de saúde, além do esquecimento, antes da partida
O SBT e a história da comunicação no Brasil guardam em suas páginas o brilho incontestável da estrela multifacetada, Wilza Carla.
A ex-vedete, atriz e eterno xodó do Show de Calouros, programa exibido na emissora do Silvio Santos, morreu no dia 18 de junho de 2011, aos 75 anos, na capital paulista.
Seus momentos finais foram marcados pelo isolamento dos velhos amigos de profissão.
Infelizmente, ela partiu sem conseguir realizar o seu último desejo: reencontrar o antigo patrão, Silvio Santos.
Entretanto, a confirmação do falecimento da artista, imortalizada também como a icônica Dona Redonda da novela Saramandaia (1976), e de seu sepultamento no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, encerrou uma batalha dolorosa.
Além disso, Wilza enfrentava graves complicações decorrentes da obesidade, diabetes, Mal de Alzheimer e sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Leia também
Entretanto, conforme informações do portal Na Telinha e EXTRA, seu desfecho também expôs o duro contraste entre o estrondoso sucesso de uma estrela das décadas de 70 e 80 e o esquecimento em seus anos finais.
A despedida no Rio e o quadro de saúde
O sepultamento da atriz ocorreu no Cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio de Janeiro, cidade onde ela construiu os primeiros passos de sua carreira marcante.
Nascida em 29 de outubro de 1936, a artista atravessou mais de uma década de severas limitações físicas antes de partir.
Ela recebia os cuidados dedicados de sua filha, Paola Fayeza da Silva.
Também era confortada pela convivência com dois netos, apontados como a principal fonte de alegria de sua rotina.
Nos últimos anos, Wilza utilizava cadeira de rodas para se locomover, apresentava sérios problemas de memória causados pelo Alzheimer e enfrentava quadros crônicos de diabetes.
Trajetória de brilhos
A caminhada de Wilza Carla na vida pública teve início ainda na década de 50.
Com uma beleza muito marcante, a jovem venceu concursos, consagrou-se como vedete do teatro de revista e foi eleita Rainha do Carnaval carioca por três anos consecutivos.
O sucesso abriu portas para uma extensa filmografia no cinema nacional, incluindo as famosas pornochanchadas da época.
Sua estreia na teledramaturgia ocorreu ainda na década de 70, com a novela “Assim na Terra como no Céu”, da Globo.
Em 1972, integrou o elenco de Jerônimo, o Herói do Sertão, na TV Tupi.
Porém, a consagração definitiva perante a crítica e o público veio em 1976, ao dar vida à inesquecível Dona Redonda em Saramandaia.
A personagem, lembrada historicamente por ter explodido de tanto comer, tornou-se um marco eterno da televisão.
Após a célebre cena da explosão, a atriz ressurgiu na mesma trama interpretando Dona Bitela, a irmã gêmea de Redonda.
Passagens marcantes pelas emissoras:
Vale destacar que, ao longo das décadas de 80 e 90, a atriz construiu uma carreira eclética em diferentes redes de televisão:
- 1982 (SBT): Integrou a equipe do humorístico Alegria 82;
- 1986 (Globo): Atuou na novela Cambalacho;
- 1987 (Band): Participou da atração Praça Brasil;
- 1990 (Rede Manchete): Esteve no elenco de A História de Ana Raio e Zé Trovão;
- 1991 (Globo): Fez seu último trabalho na televisão, na minissérie O Portador.
Conforme destacamos acima, paralelamente às novelas, Wilza marcou gerações no SBT ao participar do Show de Calouros.
Sob o comando de Silvio Santos, ela conquistou o carinho do público e do apresentador com seu bom humor, tiradas rápidas e presença cênica marcante.
Mas a carreira profissional de Wilza Carla foi interrompida de forma definitiva em 1994, quando a atriz sofreu um AVC.
O problema de saúde, somado ao avanço do quadro de obesidade, afastou-a permanentemente dos estúdios e dos palcos.
Como foi o final de vida de Wilza Carla?
Por conta desse afastamento, Wilza enfrentou sérios reveses econômicos.
Em aparições esporádicas nos programas de TV dos anos 2000, a atriz apelou por auxílio financeiro e desabafou sobre a ausência de pessoas que ajudou no auge da carreira:
“Eu ganhava bem, mas dava dinheiro para todo mundo.”
Em entrevista, Paola Fayeza da Silva, filha da atriz, revelou que a sensação de o esquecimento por colegas de profissão amplificava a dor da mãe.
Muitos deles, inclusive, acreditavam que ela já havia falecido anos antes da partida real.
Paola relatou a perseverança da mãe durante o período de reabilitação:
“Ela lutou muito por mim, para não me deixar sozinha. Foram muitos anos de luta, de recuperação, tentando correr atrás do sonho de voltar para a televisão.”
Além de não conseguir realizar o desejo de reencontrar Silvio Santos, Wilza faleceu sem realizar o seu último maior desejo, que era publicar o livro em que pretendia registrar sua trajetória.
Segundo a filha, o projeto tornou-se um compromisso de família:
“Ela tentou fazer isso em vida, o que seria uma biografia dela. Ela queria que a sua história fosse contada. Essa vai ser a última missão.”
Mas, infelizmente, essa autobiografia nunca foi publicada, conforme informações atualizadas do Na Telinha.
Ademais, para saber sobre outros casos e memórias da TV, clique aqui*.