2 queridinhas de shoppings do Brasil agem para não ir à falência por dívidas milionárias
Lojas queridinhas dos shoppings brasileiros entram em alerta, reorganizam as finanças e buscam superar uma grave crise de dívidas
Lojas queridinhas dos shoppings brasileiros entram em alerta, reorganizam as finanças e buscam superar uma grave crise de dívidas
Duas marcas conhecidas do varejo brasileiro enfrentam uma das fases mais delicadas de suas histórias. A Casa & Video e a Polishop recorreram à recuperação judicial para reorganizar dívidas elevadas, preservar operações e negociar novos caminhos com credores. Os movimentos revelam a pressão financeira que atingiu empresas tradicionais do setor de consumo.
O cenário preocupa consumidores, fornecedores e parceiros comerciais porque envolve companhias que construíram presença nacional por meio de lojas físicas, comércio eletrônico e forte exposição de marca. Enquanto a Casa & Video integra o Grupo CVLB, com passivo estimado em cerca de R$ 1,71 bilhão, a Polishop entrou no processo com dívida declarada superior a R$ 352 milhões.
Casa & Video busca reorganização após aumento das dívidas
A Casa & Video, que passou a fazer parte do Grupo CVLB após a união com a Le Biscuit, apresentou pedido de recuperação judicial para reestruturar suas obrigações financeiras. A empresa informou que pretende reorganizar o passivo, melhorar o fluxo de caixa e conduzir negociações com credores dentro de um processo judicial estruturado.
O grupo chegou ao pedido em meio a dificuldades financeiras acumuladas. Segundo informações divulgadas sobre o processo, a maior parte do débito está concentrada em compromissos financeiros. Além disso, a companhia busca alternativas para manter a operação e garantir recursos para continuar funcionando durante a reestruturação.
A recuperação judicial permite que empresas em crise suspendam cobranças específicas e apresentem um plano para pagamento das dívidas. Dessa forma, a companhia tenta ganhar tempo para reorganizar suas contas sem interromper completamente as atividades comerciais.
No caso do Grupo CVLB, a estratégia inclui a busca por financiamento de capital de giro. A proposta prevê a possibilidade de obter até R$ 75 milhões para reforçar a liquidez durante o processo.
Leia também
Polishop enfrenta queda nas operações e renegocia débitos
A Polishop também recorreu à Justiça para tentar superar uma crise financeira que se intensificou nos últimos anos. A empresa, fundada pelo empresário João Apolinário, acumulou dívidas e reduziu sua estrutura física após mudanças no comportamento dos consumidores e impactos provocados pela pandemia.
Durante seu auge, a rede chegou a possuir centenas de unidades físicas espalhadas pelo país. Entretanto, após a queda nas vendas, a empresa reduziu o número de lojas e passou a concentrar esforços em novos formatos de operação, incluindo canais digitais.
A Justiça de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial da companhia em 2024. Na época, a varejista apresentou uma dívida de aproximadamente R$ 352 milhões e iniciou o processo para negociar valores com bancos, fornecedores e outros credores.
Posteriormente, o plano apresentado pela empresa propôs mudanças nas condições de pagamento. Entre as medidas previstas estavam descontos para credores, prazo prolongado e período de carência para cumprimento das obrigações.
Crise do varejo pressiona empresas tradicionais
Os casos mostram como o setor varejista enfrenta desafios relacionados ao aumento dos custos, mudanças nos hábitos de consumo e maior pressão financeira. Além disso, empresas que dependem de grandes redes físicas precisam equilibrar despesas operacionais com consumidores cada vez mais conectados ao comércio digital.
A recuperação judicial, portanto, tornou-se uma ferramenta utilizada por companhias que buscam evitar a falência e preservar empregos, contratos e operações. No entanto, o resultado depende da aprovação dos planos apresentados e da capacidade de retomada financeira das empresas.
A situação da Casa & Video e da Polishop acompanha um movimento de reestruturação observado em diferentes segmentos do comércio brasileiro. Assim, as duas marcas tentam encontrar soluções para suas dívidas enquanto buscam manter espaço no mercado de shopping, lojas de rua e plataformas digitais.