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Ações da TV Globo foram compradas pelo equivalente à 35 dólares

Foto: Divulgação

TV Magazine
Você acompanhou pela imprensa que a ação que julga a duvidosa compra da TV Paulista, atual TV Globo de São Paulo, pelo jornalista Roberto Marinho, no ano de 1964, não foi aceita pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Como temos muitos leitores fanáticos por televisão, resolvi pesquisar mais sobre esse interessante passado e descobri alguns fatos que ainda não foram explicados sobre os documentos apresentados pela emissora paulista na Justiça.

Tentei explicar de forma “didática” e resumida essa confusa e obscura história que, talvez, nunca será esclarecida totalmente.

COMO TUDO ACONTECEU

O falecido ex-deputado federal Oswaldo Ortiz Monteiro, seu irmão Hernani Monteiro, o cunhado Manoel Vicente da Costa e Manoel Bento da Costa foram acionistas controladores da TV Paulista nos anos 50. Em 1955, eles venderam 52% do capital da emissora a Victor Costa Petraglia, que morreu quando a transferência da emissora para seu nome ainda tramitava no antigo Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações).

Victor Costa Júnior vendeu a emissora para Roberto Marinho em 1964, que pagou Cr$ 3,7 bilhões (cerca de US$ 2 milhões, na época) pelo pacote que incluía mais duas TVs e três rádios. As 15.099 ações (52% do capital), no entanto, permaneceram em nome da família Ortiz Monteiro.

Como Victor Costa Petraglia morreu antes de a emissora ser transferida para seu nome, a transação foi registrada como se Roberto Marinho tivesse adquirido as ações diretamente da família Ortiz Monteiro.

Entendeu até aí? Não?! Então, beba uma água, releia o início e continue. A historinha vai ficar BASTANTE interessante a partir de agora!

Vamos prosseguir!

FATOS CURIOSOS SEM EXPLICAÇÃO

Uma perícia feita em 2003 pelo Instituto Del Picchia de Documentoscopia, descobriu que as assinaturas do contrato foram falsificadas e incluíram, desde nomes de pessoas falecidas, até o uso de máquinas de escrever que ainda não existiam na época da transferência.

Os herdeiros contestam a veracidade de quatro procurações de Oswaldo Ortiz Monteiro outorgadas ao representante de Roberto Marinho e ex-diretor da TV Globo Luiz Borgerth: uma de 1953 e as demais de 64. Os papéis davam a ele poderes para transferir a terceiros as ações que estavam em nome do ex-deputado, de Hernani, de Vicente Costa e de Bento Costa.

Segundo o laudo do Instituto Del Picchia, as datas das quatro procurações são falsas e os documentos, provavelmente, foram redigidos entre 1974 e 1975. Além disso, nas procurações Borgerth, que teria apenas 21 anos, já aparecia como “advogado, desquitado” e residente no endereço onde a Globo só iria se instalar décadas depois.

Outro fato curioso é que em algumas das procurações apresentadas pela TV Globo, datadas das décadas de 50 e 60, já traziam número de CIC (Cartão de Identificação de Contribuinte), que só foi criado na década de 70.

Entre os documentos, também estão dois recibos de Cr$ 60.396,00 que teriam sido pagos por Roberto Marinho pela cessão total de 15.099 ações do capital inicial da emissora. Quer saber quanto valeria tudo isso em termos mais “populares”? Isso mesmo! Apenas 35 dólares. O laudo do Instituto Del Picchia diz que o segundo recibo foi escrito com a mesma máquina usada para as procurações de Borgerth.

Vale ressaltar que as informações aqui apresentadas constam no processo e podem ser consultadas por qualquer pessoa. Para a Justiça, não existe nada irregular.

E você? O que pensa sobre isso?

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Redação TV Foco