Após cenas de violência e sexo selvagem, novela das 18h Orgulho e Paixão é reclassificada para menores e Globo reclama de ‘censura’
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Julieta (Gabriela Duarte) em cena de Orgulho e Paixão (Foto: Reprodução)
Pela primeira vez, uma novela das 18h foi classificada como inadequada para crianças. Globo e Ministério da Justiça brigam por causa de Orgulho e Paixão.
Após cenas consideradas extremamente sexuais e violentas para a faixa das 18h, o Ministério rejeitou pela segunda vez pedido do canal para que reconsiderasse a reclassificação indicativa da trama, que recebeu o selo de imprópria para menores de 12 anos. A Globo irá recorrer novamente.
A Globo não gostou nada, e acusou o governo federal de tentar limitar seu público e de violar sua liberdade de manifestação artística e de criação, segundo informações do Notícias da TV. Se a classificação indicativa de programas na TV ainda estivesse vinculada a horários, como acontecia até recentemente, Orgulho e Paixão só poderia ser exibida após as 20h.
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Essa regra caiu em agosto de 2016, quando o Supremo Tribunal Federal proibiu a multa e a suspensão de programação para a emissora que exibir atrações em horário diverso do autorizado pela classificação indicativa, como acontecia até aquele ano.
Sem o risco de sair do ar, as novelas ficaram mais ousadas. Os autores da Globo ressaltam que respeitam os limites impostos pela sociedade, mas declaram que essa sociedade mudou, e reclamam que os classificadores de programas ainda não perceberam.
A Globo inicialmente rotulou Orgulho e Paixão como imprópria para menores de dez anos. A equipe de classificadores do Ministério da Justiça assistiu à novela e discordou, em 2 de julho, por "conter drogas lícitas, linguagem imprópria e violência".
Julieta (Gabriela Duarte) ampara Camilo (Maurício Destri) após luta em Orgulho e Paixão
(Foto: Globo/Raquel Cunha)
A reclassificação foi provocada por Camilo (Maurício Destri). Ele atravessou uma fase em que bebia compulsivamente, e entrou em um clube de lutas clandestinas em que apanhava propositalmente para ficar com o prêmio.
A Globo declarou que se tratava de censura, já que a decisão é "manifestadamente equivocada e viola a liberdade de expressão e de manifestação do pensamento, asseguradas constitucionalmente, na medida em que restringe o público a que se dirige a obra, prestando, assim, verdadeiro desserviço à sociedade".
O Ministério da Justiça, por sua vez, fez longa defesa da Classificação Indicativa e rebateu a acusação de censura. Disse que o serviço está previsto na Constituição e que é feito sob critérios técnicos que consideram graus a conteúdos envolvendo sexo e nudez, drogas e violência, além de contrapontos, "com o intuito de informar aos pais". "A estes cabe a decisão final sobre o que os seus filhos poderão ou não assistir", declara.
Tem até sadomasoquismo em Orgulho e Paixão (Foto: Globo)
"No decorrer dos capítulos (...) a obra mostrou cada vez mais cenas de consumo de álcool, cigarros e charutos", com alguns personagens "retratados completamente embriagados", diz o parecer. As cenas de luta não foram irrelevantes e leves, e sim "contundentes", com "presença de sangue".
Após o recurso da emissora, os classificadores ainda entenderam que a trama tinha problemas também com o sexo, uma vez que as cinco filhas lutavam para casar e "se entregar" para seus namorados.
Assim, em 18 de julho a "insinuação sexual" passou a fazer parte da classificação. A Globo não aceitou, e segundo seu departamento de Comunicação, estuda se irá recorrer novamente, agora ao ministro da Justiça ou ao Poder Judiciário.