Autores da Globo ficam traumatizados após pressão por audiência e novelas das nove fracassadas
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Os autores Gilberto Braga, João Emanuel Carneiro e Maria Adelaide Amaral
(Fotos: Globo/João Miguel Júnior/Tata Barreto)
Autores do primeiro time da Globo ficaram traumatizados após novelas das nove fracassadas e pressão por audiência no horário mais nobre da TV brasileira. Agora, seguem por outros caminhos para não repetir a má fase e o pesadelo que viveram.
Um dos escritores mais experientes da emissora, Gilberto Braga, que tem no currículo sucessos como "Dancin'Days" (1978), "Vale Tudo" (1988) e "Celebridade" (2003), ficou traumatizado após assinar "Babilônia", trama que foi ao ar em 2015 e era muito esperada para comemoração dos 50 anos da Globo. Mas a história protagonizada por Gloria Pires (Beatriz), Adriana Esteves (Inês) e Camila Pitanga (Regina) foi o maior fiasco da história da faixa das 21h.
Em meio a uma audiência catastrófica, Braga foi obrigado a reescrever capítulos para mudar tramas, como a garota de programa Alice (Sophie Charlotte), que virou uma mocinha, e o personagem Carlos Alberto (Marcos Pasquim) que passou de gay para heterossexual.
Inês (Adriana Esteves) e Beatriz (Glória Pires)
(Foto: Globo/Estevam Avellar)
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Depois do pesadelo de "Babilônia", agora Gilberto Braga esqueceu o horário das nove e desenvolve uma novela das onze para ir ao ar somente em 2019. Ele também já escreveu uma minissérie sobre Elis Regina.
Grande aposta da Globo para reverter a situação complicada que "Babilônia" deixou na faixa das 21h, o aclamado João Emanuel Carneiro, que vinha do fenômeno "Avenida Brasil" (2012), voltou ao ar em agosto de 2015 e também fracassou.
O autor teve dificuldade para emplacar seu folhetim com personagens dúbios e facção, e "A Regra do Jogo" amargou até o segundo lugar, perdendo para a Record que exibia "Os Dez Mandamentos" na época.
Zé Maria (Tony Ramos), vilão dúbio de "A Regra do Jogo"
(Foto: Globo/João Cotta)
Carneiro teve que realizar mudanças no enredo de sua trama, transformar personagens e inserir histórias que não estavam na sinopse para tentar salvar a novela - que só alcançou bons índices na reta final. Foi um pesadelo para o autor, que vinha de dois sucessos no horário: "A Favorita" (2008) e "Avenida Brasil".
Agora, após o susto de "A Regra do Jogo", Carneiro voltará ao horário das 21h em 2018 com uma história que se passa na Bahia, com personagens "do bem" e que gira em torno de um cantor que faz sucesso após ser dado como morto e aproveita para começar uma nova vida.
Depois de "Velho Chico" (2016), que apresentou uma história rural fora do eixo Rio-São Paulo, Maria Adelaide Amaral fez sua estreia no horário das nove ao lado do parceiro Vincent Villari com "A Lei do Amor". Aguardada como uma novela que seguiria elevando a faixa mais nobre da TV rumo à casa dos 30 pontos, a trama de Maria Adelaide decepcionou.
Pedro (Reynaldo Gianecchini) e Helô (Claudia Abreu), protagonistas de "A Lei do Amor"
(Foto: Globo/João Miguel Júnior)
"A Lei do Amor" voltou a afundar o horário das 21h e virou um frankenstein, com histórias alteradas, personagens que sumiram e uma verdadeira faxina de elenco. Um pesadelo para Maria Adelaide, que nunca quis escrever para o horário das nove por considerar que "era muita pressão".
Em entrevista recente ao programa "Donos da História", do Canal Viva, a autora declarou que não quer mais escrever novela das nove. "Não quero ser autora da novela das 21h, quero ser feliz. Não quero esse patamar. Prefiro ser feliz, me divertir. A essa altura da vida, não tenho que mostrar mais nada para ninguém”, disse.