Elize Matsunaga recebeu quase R$1M após matar Marcos? Entenda

Elize Matsunaga recebeu quase R$1M após morte de Marcos, masvalor não veio da herança. Entenda a diferença entre meação e herança O caso Elize Matsunaga voltou a despertar curiosidade e, junto com ele, uma dúvida sobre o destino do patrimônio…

19/08/2026 14:40

6 min

Elize Matsunaga (Foto: Reprodução / Documentário Netflix)
Elize Matsunaga (Foto: Reprodução / Documentário Netflix)
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Elize Matsunaga recebeu quase R$1M após morte de Marcos, masvalor não veio da herança. Entenda a diferença entre meação e herança

O caso Elize Matsunaga voltou a despertar curiosidade e, junto com ele, uma dúvida sobre o destino do patrimônio de Marcos Matsunaga. Afinal, como ela poderia ter recebido cerca de R$ 900 mil depois de ser condenada pelo assassinato do marido? A resposta está no regime de bens adotado pelo casal.

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Segundo informações divulgadas pelo jornalista Ullisses Campbell, a quantia não representou uma herança. O valor estava relacionado à meação, ou seja, à parcela dos bens adquiridos durante o casamento que já pertencia a Elize por causa da comunhão parcial de bens.

Elize Matsunaga recebeu R$ 900 mil por causa da divisão dos bens

Primeiramente, é importante separar dois conceitos que costumam causar confusão. Meação e herança não significam a mesma coisa, mesmo quando aparecem no mesmo processo de inventário.

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No casamento entre Elize e Marcos, o casal adotou o regime de comunhão parcial de bens. Dessa forma, determinados patrimônios adquiridos de maneira onerosa durante a união pertenciam aos dois. Por isso, a condenação criminal não apagou automaticamente a parcela que já correspondia a Elize.

Além disso, informações sobre o caso apontam que o valor de aproximadamente R$ 900 mil estava relacionado a bens de alto valor adquiridos durante o casamento. Entre eles, aparece uma adega com vinhos avaliados em milhões de reais, cuja divisão acabou gerando a quantia atribuída a Elize.

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O que é meação e por que Elize tinha direito a essa parte?

Nesse contexto, a meação corresponde à parcela do patrimônio comum que pertence ao cônjuge. Ela não surge porque uma pessoa morreu, mas por causa do próprio regime patrimonial escolhido pelo casal.

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Por isso, quando ocorre a morte de um dos cônjuges, primeiro se identifica o que pertence ao patrimônio comum e qual parte cabe ao sobrevivente. Somente depois disso é que se calcula aquilo que efetivamente integra a herança do falecido. Essa distinção explica a situação envolvendo Elize Matsunaga.

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Ainda assim, isso não significa que Elize tenha recebido R$ 900 mil de herança. O valor divulgado corresponde à parte dos bens comuns que foi atribuída a ela, e não aos bens que Marcos deixou como patrimônio sucessório.

Elize Matsunaga ficou com a herança de Marcos?

Por outro lado, a situação foi diferente quando o assunto passou para a herança de Marcos Matsunaga. Nesse caso, Elize não recebeu os bens que pertenciam exclusivamente ao empresário e que entraram na sucessão.

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A legislação brasileira prevê a chamada indignidade sucessória para determinadas situações. Entre elas está o homicídio doloso contra o autor da herança. Assim, a condenação pelo assassinato do próprio marido impediu Elize de participar da sucessão de Marcos.

Além disso, desde a alteração promovida pela Lei nº 14.661/2023, a condenação criminal definitiva produz efeitos importantes na exclusão do herdeiro considerado indigno. Dessa maneira, a questão da herança ficou juridicamente separada do patrimônio que Elize já possuía como integrante do casamento.

Quem ficou com os bens deixados por Marcos Matsunaga?

Enquanto Elize teve acesso à meação dos bens comuns, o patrimônio sucessório de Marcos teve outro destino. A filha do casal, Helena, aparece como herdeira dos bens deixados pelo empresário.

Segundo as informações disponíveis sobre o caso, a menina passou a ser criada pelos avós paternos, Mitsuo e Misako Matsunaga, após o crime que chocou o país em 2012. A situação familiar envolvendo a filha também permaneceu cercada por questões judiciais e restrições relacionadas à sua proteção.

Assim, a divisão jurídica pode ser entendida de maneira simples: Elize recebeu a parte que já correspondia a ela nos bens comuns, enquanto a herança de Marcos seguiu as regras da sucessão e não foi destinada à ex-esposa.

Por que Elize não perdeu a meação após a condenação?

A princípio, pode parecer contraditório que uma pessoa condenada pelo assassinato do próprio marido consiga receber qualquer parcela do patrimônio. Contudo, juridicamente, a meação possui uma origem diferente da herança.

Nesse sentido, a indignidade sucessória impede o acesso aos bens que seriam recebidos como herança. Entretanto, ela não transforma automaticamente em patrimônio do falecido aquilo que já pertencia ao outro cônjuge em razão do regime matrimonial. Essa diferença é justamente o ponto central do caso.

Portanto, dizer simplesmente que Elize Matsunaga herdou R$ 900 mil de Marcos pode gerar uma interpretação equivocada. O valor divulgado está relacionado à divisão do patrimônio construído durante o casamento, e não à sucessão do empresário.

O valor de R$ 900 mil veio de qual patrimônio?

Conforme as informações divulgadas por Ullisses Campbell, parte importante da quantia estava ligada a uma adega de vinhos de alto valor adquirida durante o casamento. A avaliação desse patrimônio sofreu alterações durante o processo, e a parcela correspondente a Elize chegou aos cerca de R$ 900 mil.

Além disso, a venda ou aquisição da parte correspondente a Elize permitiu transformar aquele patrimônio comum em valor atribuído a ela. Portanto, o número que voltou a circular nas redes sociais não representa simplesmente uma transferência da fortuna de Marcos para a ex-mulher.

O próprio jornalista já havia esclarecido que a utilização do termo “herança” para descrever o valor não era tecnicamente correta. Posteriormente, a explicação passou a destacar que os R$ 900 mil correspondiam à meação dos bens do casal.

Elize Matsunaga recebeu dinheiro ou bens avaliados em R$ 900 mil?

Outro detalhe merece atenção. Quando se afirma que Elize Matsunaga recebeu R$ 900 mil, isso não significa necessariamente que a Justiça simplesmente depositou esse valor em uma conta como uma herança em dinheiro.

O montante está relacionado à avaliação da parcela patrimonial que cabia a ela. No caso da adega, por exemplo, as informações divulgadas apontam que a família teria adquirido a parte correspondente a Elize para evitar que ela permanecesse com os vinhos.

Dessa forma, o valor de R$ 900 mil representa uma referência patrimonial importante para compreender o caso, mas não deve ser confundido com uma herança recebida após a condenação.

Elize Matsunaga recebeu R$ 900 mil de herança de Marcos?

Não. Elize Matsunaga não recebeu R$ 900 mil como herança de Marcos Matsunaga. O valor divulgado está relacionado à meação dos bens adquiridos durante o casamento, já que os dois eram casados em comunhão parcial de bens.

Por outro lado, a herança de Marcos ficou separada desse patrimônio. Como Elize foi condenada pelo homicídio doloso do marido, ela ficou impedida de sucedê-lo. Assim, os bens que efetivamente integravam a herança seguiram para a filha do casal.

Portanto, a diferença entre meação e herança explica por que Elize pôde receber uma parcela avaliada em aproximadamente R$ 900 mil, mesmo sem ter direito à sucessão do empresário. O caso voltou a repercutir justamente porque, à primeira vista, os dois conceitos parecem contraditórios, mas possuem tratamentos jurídicos distintos.

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Autor(a):

Paola Girão atua na produção de conteúdos que dialogam diretamente com o dia a dia dos brasileiros. Formada em Marketing pelo Centro Universitário Anhanguera de São Paulo e em Letras pela UNIVESP, une visão estratégica de comunicação com domínio da linguagem e da escrita jornalística. Seu trabalho é voltado à apuração e explicação de temas como direitos, leis e beleza, sempre com atenção à clareza da informação.. Apaixonada por arte, cultura e linguagem, encontra na escrita o ponto de encontro entre informação, sensibilidade e narrativa, transformando assuntos complexos em conteúdos acessíveis e relevantes.