Fenômeno da dramaturgia, Janete Clair salvou a Globo por três vezes em oito anos
[caption id="attachment_363523" align="aligncenter" width="620"] Janete Clair salvou dramaturgia da Globo por três vezes num período de oito anos (Foto: TV Globo / Divulgação)[/caption] Uma das maiores novelistas de todos os tempos, Jenete Stocco Emmer, conhecida popularmente como Janete Clair, salvou a…
Janete Clair salvou dramaturgia da Globo por três vezes num período de oito anos
(Foto: TV Globo / Divulgação)
Uma das maiores novelistas de todos os tempos, Jenete Stocco Emmer, conhecida popularmente como Janete Clair, salvou a dramaturgia da Globo por três vezes em oito anos. Entre 1967 e 1975, a autora conseguiu salvar uma novela com história quase sem solução, e escreveu duas tramas às pressas para a faixa das 20h – hoje, às 21h – principal horário da dramaturgia global.
Casada com o também novelista, Dias Gomes, Janete Clair escrevia radionovelas – a maioria delas para a Radio Nacional – quando em 1967, foi chamada às pressas por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então diretor de operações da Globo, para ajudar a salvar uma novela da emissora. “Anastácia, a Mulher Sem Destino”, estrelada por Leila Diniz, era uma adaptação do folhetim “A Toutinegra do Moinho”, do escritor francês Emile Richebourg, assinada por Emiliano Queiroz. A novela tinha audiência sofrível, produção muito cara e um número excessivo de personagens. Janete Clair compreendeu logo que não havia como continuar a história de onde ela havia parado. Escreveu, então, um capítulo no qual um terremoto devastava a ilha onde se passava a trama, eliminando mais de cem integrantes do elenco. Em seguida, a história dava um salto de vinte anos e recomeçava com poucos personagens. Funcionou. A produção reduziu os gastos, ampliou a audiência, e a autora garantiu seu lugar na Globo.
Em 1973, a autora havia concebido a sinopse de uma novela chamada “Cidade Vazia”, que reuniria Tarcísio Meira e Francisco Cuoco em uma história sobre o preço que a sociedade tem que pagar pelo progresso. No entanto, a trama foi censurada pelos militares pouco antes do início das gravações. Janete Clair, então, teve que escrever outra novela às pressas. “O Semideus” (1973) trazia Tarcísio Meira vivendo dois papéis: um industrial excêntrico que era dado como morto após um acidente e um sósia perfeito que usurpava seu império. Em 1974, a sinopse que havia sido proibida no ano anterior foi finalmente liberada pela censura e foi ao ar com o nome de “Fogo sobre Terra”. No folhetim, a escritora discutia o conflito entre a modernidade e a tradição: uma grande construtora quer inundar uma pequena cidade do interior para construir uma represa, mas os habitantes lutam para preservar o lugar. Os militares criaram inúmeros problemas durante a novela, obrigando Janete Clair a demonstrar incrível capacidade de superação e criatividade para reescrever, em muito pouco tempo, cenas e capítulos inteiros.
No ano de 1975, Janete Clair estreou no horário das 19h, escrevendo com Gilberto Braga a novela “Bravo!”. Porém, quando ela já havia escrito 105 capítulos, surgiu um problema. A censura vetou “Roque Santeiro”, que seria a próxima novela a estrear no horário das 20h. A autora foi chamada para escrever a trama substituta e, novamente, demonstrou seu talento para improvisar e criar dentro de prazos curtos. Gilberto Braga seguiu sozinho escrevendo “Bravo!” até o capítulo final.