Justiça de Rondônia mantém condenação à Sul América e determina reembolso de R 120 mil por negativa

A decisão da Justiça de Rondônia ressalta a prioridade da saúde em situações emergenciais, desafiando práticas contratuais abusivas de operadoras de saúde.

A Justiça de Rondônia manteve a condenação da operadora Sul América por se recusar a custear UTI aérea, em decisão do Tribunal de Justiça. Foto: Reprodução (Foto de reprodução Tupi)

Justiça de Rondônia mantém condenação à Sul América por negativa de UTI aérea

A Justiça de Rondônia confirmou a condenação da operadora Sul América Serviços de Saúde por se recusar a custear uma UTI aérea destinada ao transporte de um bebê. A decisão, unânime, determina que a empresa reembolse a família em R120 mil pelo transporte e pague ainda R 10 mil a título de danos morais.

O caso remonta a julho de 2024, quando um bebê de apenas dois meses apresentou um quadro gravíssimo, incluindo abscesso pulmonar. Diante da urgência, a transferência para São Paulo tornou-se essencial para salvar a vida da criança, uma vez que não havia cirurgião torácico pediátrico ou recursos médicos adequados disponíveis em Rondônia.

Exigências abusivas e sofrimento dos pais

A decisão judicial destacou que a operadora exigiu da família documentos complexos, os quais estavam sob sua própria responsabilidade. A Justiça considerou essa cobrança burocrática em um momento tão crítico como sendo injusta e abusiva.

Os julgadores também levaram em conta o sofrimento emocional dos pais, que viram a vida do filho ameaçada. Esse stress foi intensificado pela necessidade de arcar com altos custos durante uma emergência médica. O tribunal concluiu que tal situação configurou um sofrimento inaceitável nas relações contratuais entre as partes.

Defesa da Sul América e argumentos contratuais

Em sua defesa, a Sul América argumentou que o contrato firmado com a família previa apenas remoção terrestre e que o transporte aéreo não estava incluído no rol obrigatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A operadora também contestou a caracterização do dano moral, afirmando tratar-se apenas de um desacordo contratual.

No entanto, essa argumentação não foi suficiente para reverter a decisão da Justiça. O entendimento dos magistrados foi claro ao afirmar que o bem-estar do paciente deve prevalecer sobre questões contratuais em situações emergenciais.

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Implicações e reflexões sobre o caso

A confirmação da condenação levanta questões importantes sobre as responsabilidades das operadoras de saúde em situações críticas. A expectativa é que decisões como essa possam servir de alerta para outras empresas do setor quanto à necessidade de garantir atendimento adequado e imediato aos seus beneficiários.

A situação vivida pela família ressalta os desafios enfrentados por pacientes e seus familiares diante das exigências burocráticas impostas pelas operadoras. O desfecho do caso pode contribuir para uma reflexão mais ampla sobre os direitos dos consumidores no âmbito da saúde suplementar no Brasil.

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