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Os bastidores dos canais que transmitem leilões de gado e movimentam milhões de reais

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A maior parte do público (49,68%) que assiste à programação caipira é da classe C, a nova classe média, segundo o perfil do telespectador do gênero traçado pelo Ibope no Painel Nacional de Televisão, realizado no primeiro semestre de 2010. Em segundo lugar vem a elite (A e B), com 29,31%. As classes D e E fecham a conta, somando 21,09%. Entre homens e mulheres, a divisão é de igual para igual, o que mostra que elas também são atuantes nesse campo. A fazendeira goiana Renata Pitaluga, de 36 anos, é uma que engrossa as estatísticas:

– Não há novela que me faça perder um leilão de nelore. Também é bom comprar sêmen de gado pela TV, pois dá para dividir em 14 parcelas. Só não vejo mesmo é leilão de vaca leiteira, porque me dá gastura.

Mês passado, Renata vendeu 50% de uma vaca, a Zureta – o que significa metade dos lucros das futuras gerações do animal – em um leilão no Jockey Club, na Gávea. Era uma chuvosa quarta-feira e os peões precisavam marcar território embaixo do toldo improvisado na entrada da tribuna social. Tudo para garantir que as vaquinhas aguardassem em uma área seca o início do pregão. Das 21h à meia-noite, 30 lotes de gado marcharam pela rampa colocada sobre as escadarias para chegar ao picadeiro iluminado por holofotes. Boa parte dos lances do leilão, que faturou R$ 1,5 milhão na noite em que a equipe da Revista TV esteve presente, foi dada por telespectadores que não prestigiaram a festa de arromba, mas assistiam a tudo pelas quatro câmeras do Canal Rural posicionadas em pontos estratégicos do salão.

– Em média, 48% dos animais são vendidos pela TV – revela o diretor geral do canal, Donário Lopes de Almeida.

O Rural começou a operar em 1996 e, desde 2006, trabalha com a grade completa, o que significa 420 leilões ao ano – nos fins de semana, o expediente é dobrado. Para fazer parte da programação, em primeiro lugar, os organizadores dos pregões precisam entrar na fila de espera e, depois, desembolsar R$ 60 mil pela transmissão. Além das quatro câmeras, o canal envia uma unidade móvel com uma equipe de mais 16 profissionais, incluindo uma repórter que entrevista os promotores do evento antes de o leiloeiro começar a bater o martelo.

– Faço umas sete entrevistas ao vivo, em uma espécie de esquenta. Algumas duram dez minutos – conta a repórter Érica Machado.

Quando o pregão começa, o trabalho da jornalista termina. Mas a equipe precisa aguardar no local até o último rebanho ser arrematado e, enquanto isso, Érica sofre para não sair da dieta. Fora do picadeiro rola um rega-bofe digno de casamentos dos mais chiques, e orçado entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, com salgados refinados, jantar completo, vinho de uma boa safra e uísque 12 anos.

– É uma tentação… – lamenta a repórter, enquanto degusta uma bolinha de queijo de cabra.

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Já o jornalista Otávio Ceschi Junior, âncora da TV Terra Viva, só participa da farra do boi quando é enviado especial para cobrir uma exposição agropecuária. Seu maior desafio, porém, é saber tudo o que acontece no setor – do preço da sacola de soja até o faturamento dos leilões – para fazer bonito na bancada do “Dia a dia rural”, exibido diariamente.

– Falo que estou fazendo faculdade de veterinária há cinco anos – brinca o jornalista, que, ano passado, foi eleito uma das 20 personalidades mais influentes do agronegócio no Brasil.

Ceschi faz parte do time de 70 funcionários da Terra Viva, fundada em 2005 no vácuo do movimento de expansão da Band que criou outros canais segmentados, como o BandNews e Bandsports.

– Nos 20 anos que trabalhei na TV aberta, não tive o reconhecimento que tenho agora. As pessoas me param em qualquer lugar do Brasil, no interior ou na cidade grande. O mundo do campo, que não tem tragédia, mostra um Brasil que trabalha, produz e encanta – defende Ceschi.

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Redação TV Foco