Zezé Mota conversa sobre sexualidade e diz que ser símbolo sexual a levou a depressão
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Zezé Mota como Xica da Silva (Foto reprodução)
Zezé Mota foi uma das entrevistadas da revista QUEM a falar sobre sexo, em comemoração ao dia do sexo, 6 de setembro. Segundo ela sexo tem a ver com saúde. “Uma vida sexual regular tem a ver com saúde. Além de ser saudável, é prazeroso. Relaxa”, afirma. Aos 74 anos, Zezé diz que em tom descontraído que “a maturidade tem suas vantagens”.
Zezé Mota fez Xica da Silva, filme que a levou ao estrelado e ao status de símbolo sexual e posteriormente desenvolveu quadro de depressão. “Meus parceiros sexuais tinham uma expectativa de que eu fosse a Mulher-Maravilha na cama. Esquecia do meu prazer porque não podia decepcionar”, disse.
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Ela falou sobre suas experiências e revelou a idade com que perdeu a virgindade. Confira a seguir a entrevista:
Zezé Mota (Foto: Reprodução)
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Vida sexual é….
Uma vida sexual regular tem a ver com saúde. Além de ser saudável, é prazeroso. Relaxa (risos). Atualmente, estou namorando. É um namoro recente, aos 74 anos.
O relacionamento na maturidade é melhor?
A gente fala muito que é preciso ceder, envolve uma série de coisas para um relacionamento dar certo e que na juventude a gente não dá muita bola. Nem todo casal jovem tem a consciência do quanto é importante cuidar do outro, fazer concessões; enfim, inevitavelmente a maturidade tem suas vantagens.
Quando você se percebeu sexual?
Eu fui criada num colégio interno só de meninas, dos 6 aos 12 anos, o Asylo Espírita João Evangelista, em Botafogo (Zona Sul do Rio). E eles tinham muita preocupação porque é uma grande responsabilidade um colégio só de meninas. Nós tínhamos uma vestimenta considerada adequada para que a gente não ficasse exposta a assédios e até mesmo as visitas tinham que ser parentes bem próximos: pai, irmão. E quando eu saí de lá, com 12 anos, fui morar com os meus pais no Leblon num apartamento muito pequeno, no último andar. E tinha alguma coisa na estrutura do prédio que fazia com que a casa fosse muito quente. Então, eu andava seminua em casa. Mas a minha mãe sempre falava assim: ‘seu irmão está chegando, põe uma roupa, seu pai vai chegar para almoçar’.
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Xica foi um marco na sua carreira…
Foi um divisor de águas na minha vida. Eu não era uma atriz popular, eu não era conhecida no Brasil, e o filme me tornou conhecida no Brasil e no exterior. Eu tinha feito teatro fora com Augusto Boal, no Teatro de Arena, mas eu não era famosa. Antes de Xica eu tinha viajado com o Boal por três países, depois da Xica, eu conheci 16.
Li que você ficou deprimida por ter se tornado um símbolo sexual. Como foi isso?
A Xica também me trouxe problemas, eu tive que fazer análise. Confundiram pessoa com personagem. Foi complicado porque eu fiquei no imaginário masculino com a Xica e demorou… Olha, eu fui vendo que nós estávamos vivendo nos anos 70 onde essa coisa do sexo era muito livre, aquilo que chamavam de sexo, drogas e rock and roll. Fui percebendo que era uma fantasia transar com a Xica da Silva porque tinha essa carga forte do filme, da personagem que dançava nua e que enlouquecia os homens.
E como isso afetou você diretamente?
Meus parceiros sexuais tinham uma expectativa de que eu fosse a Mulher-Maravilha na cama. Quando eu fiz a Xica, estava solteira. Tive uma história com uma pessoa da filmagem, depois a história acabou, e eu fiquei mulher livre, sem compromisso, e os meus parceiros realmente sempre citavam a Xica antes, durante ou depois do sexo. Eu me lembro que eu tive um que falou: ‘quando um filme se torna realidade’. Eu me senti no dever de ser a Mulher-Maravilha na cama. Então, eu ficava muito mise-en-scène e esquecia do meu prazer porque não podia decepcionar.
Como lidou com isso?
Fui parar na análise, claro! Foi muito louco! Uma vez, peguei um táxi e o homem falou: ‘Essa voz eu conheço’. E aí ficou me olhando pelo retrovisor e de repente disse: ‘Você é quem eu estou pensando?’. Aí eu sorri e me entreguei. Ele falou: ‘É você!’. Quando eu vi… Eu usava minissaia… Ele estava colocando a mão na minha coxa e furando todos os sinais. Fiquei em pânico. A minha sorte é que chegando em Copacabana teve um sinal que tinha um guarda, e ele respeitou e parou. Eu fiquei tão em pânico que só abri a porta do carro e saí correndo. Nem falei para o guarda porque eu estava correndo, não fiz queixa, eu queria era sair dali. Eu sempre brinco que não paguei a passagem porque já estava mais do que paga.
Assim como o homem negro, a mulher negra também é vítima do estereótipo racista de que é mais fogosa, mais quente?
Isso é um mito. A gente discute muito no Movimento Negro que as qualidades que são propagadas do negro são sempre calcadas no folclore. O folclore não nos interessa. O que interessa é que sejamos avaliados pelas nossas qualidades de fato. Existe até uma coisa que hoje se ouve menos, que é: ‘Eu conheci uma mulher negra ou um homem negro, mas tão inteligente’. Esse mas, o ‘mas tão culto’, ‘mas tão bonito’. Esse ‘mas’ a pessoa nem se dá conta de que está sendo preconceituosa.
Como foi sua primeira vez?
A primeira vez não foi legal porque aconteceu de uma maneira tão anos 70! Eu fui virgem até os 21 anos. Minha mãe sempre foi muito religiosa e tinha aquela coisa de sexo antes do casamento ser ligado ao pecado. Ela falava isso e eu respeitava. Eu sabia que ela sonhava comigo de vestido de noiva, mas eu não realizei esse sonho dela. Minha mãe também sonhava com netos, e eu também não pari, tive problemas com saúde e não pude ter filhos biológicos, tinha útero infantil. Mas minha primeira vez foi desagradável.
O que aconteceu?
Seria cômico se não fosse sério. A pessoa estava tão bêbada e foi tão indelicada que eu senti muita dor. Eu falei: ‘Para’. Nós estávamos na casa dos pais dele. Eu senti tanta dor que achei que eu tinha perdido a virgindade. Quando eu tive a minha primeira relação de fato, meu parceiro (Antônio Pitanga) falou: ‘Por que você mentiu para mim?’ Porque eu já tinha namorado essa pessoa com quem eu tive essa primeira relação sexual, entende? Só depois que eu tive a primeira relação de fato que descobri que eu era virgem, que aquela dor foi da indelicadeza mesmo.
Confira a entrevista de Zezé Mota na íntegra no site da revista QUEM.
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