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Há 16 anos, Globo estreava Esperança, trama que seria uma continuação de outra novela e que contou com forte briga de autores

Novela Esperança teve brigas e altos e baixos na Globo (Foto Memória Globo)
Novela Esperança teve brigas e altos e baixos na Globo (Foto Memória Globo)

FEZ HISTÓRIA DE HOJE FALA DA NOVELA ESPERANÇA, QUE ESTREAVA NA GLOBO HÁ 16 ANOS!

“Vem de peito aberto, sem saber o que será, com coragem de se aventurar…” este era apenas um dos trechos da música que era cantada em quatro idiomas da novela Esperança. Era 17 de junho de 2002, quando a Tv Globo apresentou o primeiro capítulo da trama protagonizada por Toni (Reynaldo Gianechini) e Maria (Priscila Fantin). Eles são obrigados a se separar já no início da novela.

O pano de fundo da trama de Benedito Ruy Barbosa era a Revolução Constitucionalista de 1932, quando muitos estrangeiros, fugindo da miséria em seus países, chegam ao Brasil em busca de uma nova vida. Italianos, portugueses, espanhóis, judeus, todos trouxeram contribuições culturais em especial para São Paulo, onde tiveram participação ativa no processo de industrialização e na formação do movimento operário. Na novela Toni se apaixona por Maria, filha do maior inimigo do pai dele. Só que a moça está prometida para o outro homem, após se desentender com o pai, Toni decide tentar a sorte no Brasil. O que ele não sabe é que Maria está esperando um filho dele. A partir daí começam os encontros e desencontros, alegrias e frustrações dos personagens.

A idéia inicial da emissora era que o novo folhetim fosse uma continuação Terra Nostra, do mesmo Benedito Ruy Barbosa, exibida entre 1999 e 2000. O autor inclusive chegou a escrever a sinopse dessa trama, que tinha como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Mas a esteia de Aquarela do Brasil, de Lauro César Muniz usou o mesmo pano de fundo, o que obrigou Benedito jogar fora o que havia planejado.

Apesar do contratempo a TV Globo não quis abrir mão de uma história que lembrasse Terra Nostra. O autor usou então os mesmos ingredientes de sua trama anterior, só que optou por começar a história em outro momento dramático do século.

Novela Esperança foi cheia de altos e baixos na Globo (Foto montagem: TV Foco)
Novela Esperança foi cheia de altos e baixos na Globo (Foto montagem: TV Foco)

Esperança começou bem na audiência, mas teve alguns obstáculos pelo caminho. Na imprensa ganhou o apelido de Semelhança ( por causa de Terra Nostra). Em seguida a entrega dos capítulos começou a ter atrasos, o que prejudicou as gravações. Cenas eram feitas na véspera ou no mesmo dia em que iam ao ar. Os mais maldosos diziam pelos corredores que a novela estava sendo gravada ao vivo.

O atraso nas gravações resultou na necessidade de flashbacks constantes e a história mergulhou na chamada “barriga”, quando a história enrola para se desenvolver. Com isso a audiência despencou. Esperança que marcava 45 pontos, caiu para 35 pontos. Em dezembro de 2002, cedendo a pressão da emissora, Benedito Ruy Barbosa passou o bastão a Walcyr Carrasco que, acionado, assumiu a novela a partir do capítulo 149.

Carrasco mudou bastante na trama: criou novas situações, incluiu novos personagens, mudou a personalidade de alguns. Conseguiu fazer com que o telespectador voltasse a se interessar pela história e acabou por livrar a novela do título de mais baixo Ibope na história do horário nobre na emissora. Agradou o público e a emissora, mas desagradou o criador da novela. Benedito fez duras críticas ao trabalho de seu substituto.

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Entre as principais curiosidades da trana, se destacam: No início de agosto de 2002, Ana Paula Arósio e Reynaldo Gianecchini se feriram durante as gravações. Em uma cena que tinha de destruir uma estátua, o galã saiu com o dente da frente quebrado depois de ser acidentalmente atingido pelo golpe dado por Ana Paula.

O ator Luís de Lima, que fazia uma participação na novela, vivendo Antônio, o pai de outro personagem, morreu no decorrer da produção. Saiu de cena e foi substituído pela mãe do personagem, a portuguesa Antônia, interpretada por Beatriz Segall.

As primeiras foram feitas na divisa entre as regiões do Lazio e da Toscana na Itália. A cidade, de apenas 15 habitantes, mantinha as características do século 17. A novela teve ainda cenas gravadas em estúdio, em uma das maiores cidades cenográficas já construídas nos Estúdios Globo. Uma área de 13.500 metros quadrados, e ainda utilizou duas fazendas do interior de São Paulo.

Destaque para a fotografia e direção de atores. E a interpretação segura de Raul Cortez e Ana Paula Arósio. Por sua atuação, Arósio foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor atriz de 2002. Esperança teve 202 capítulos.

Foi num dia 17 de junho de 1996, que estreava a novela O Rei do Gado na Tv Globo. Outro sucesso de Benedito Ruy Barbosa que cativou o público do início ao fim e marcou a história da televisão brasileira. As vidas de Bruno Mezenga e Jeremias Berdinazzi mudam completamente com a chegada de duas mulheres. Marieta, que diz ser a sobrinha desaparecida de Jeremias; e Luana, uma bóia-fria sem passado por quem Bruno se apaixona. Mal imagina Bruno que Luana unirá o seu destino ao de seu tio Jeremias, já que ela é a verdadeira Marieta Berdinazzi.

A emocionante primeira fase foi um dos melhores momentos de nossa Teledramaturgia. Ares operísticos juntando elementos do teatro e da narrativa audiovisual, conseguindo contrastes de luz em busca da ressonância do passado e mostrando-se a decadência do ciclo do café e a inserção do Brasil na Segunda Guerra Mundial. A segunda fase mostrou a modernização e a riqueza do interior paulista através da cidade de Ribeirão Preto. A capital paulista e a região do Araguaia também serviram de cenário para a trama.

Antônio Fagundes, Raul Cortez e Carlos Vereza interpretaram personagens que marcaram suas carreiras: Bruno Mezenga, Jeremias Berdinazzi e o Senador Roberto Caxias, respectivamente. Patrícia Pillar passou dez dias entre os cortadores de cana para compor sua bela e forte Luana, personagem pela qual foi muito elogiada. Primeira novela na Globo de Marcello Antony, Caco Ciocler, Lavínia Vlasak e Emílio Orciollo Neto. Foi a última novela da trilogia do autor no horário nobre sobre o interior do Brasil, iniciada com Pantanal (1990) e Renascer (1993).

Semana que vem tem mais Fez História aqui no TV Foco.

Por Alex Sampaio / Siga nas redes sociais clicando aqui. 

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