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OPINIÃO | João Emanuel Carneiro deu uma fraquejada e veio Segundo Sol: pontos positivos e negativos da pior novela do autor às 21h

Beto (Emilio Dantas) e Luzia (Giovanna Antonelli) se casam em Segundo Sol (Foto: Artur Meninea/Globo)
Beto (Emilio Dantas) e Luzia (Giovanna Antonelli), protagonistas de Segundo Sol (Foto: Artur Meninea/Globo)

Chega ao fim na noite desta sexta-feira (9) a quarta novela de João Emanuel Carneiro no horário dramatúrgico mais importante da Globo. Apesar das grandes expectativas depositadas pela imprensa e pelo público, Segundo Sol se tornou a pior novela do autor no horário das 21h. Para corroborar essa afirmação, a coluna fez um balanço dos aspectos positivos e negativos que permearam o desenvolvimento do folhetim.

João Emanuel Carneiro já estreou na dramaturgia global com um tremendo sucesso. Sua primeira novela na emissora carioca, Da Cor do Pecado, exibida no horário das 19h em 2004, foi sucesso de crítica e de público. Isto o habilitou a produzir outra trama para o mesmo horário, Cobras & Lagartos em 2006. Embora não tenha atingido a qualidade e o sucesso da primeira, a segunda trama no horário atingiu bons números de audiência.

Após duas tramas às 19h, o autor ganhou a chance de ouro de adentrar no principal horário de novelas da emissora (não saiu mais) e novamente obteve um sucesso inquestionável em sua estreia. A Favorita, exibida em 2008, explodiu em audiência e manteve a crítica especializada extremamente elogiosa à qualidade do trabalho. O público vibrou e torceu muito ao assistir o embate entre Donatela (Cláudia Raia) e Flora (Patrícia Pillar).

Entretanto, foi em 2012, quatro anos depois, que JEC alcançou o auge de sua carreira no âmbito dramatúrgico. Avenida Brasil, que dispensa comentários, ganhou o Brasil e o mundo. A popularidade da novela de Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) é tamanha que, além de ter se tornado paradigma brasileiro na teledramaturgia, se tornou a telenovela mais exportada da história da Globo, superando Da Cor do Pecado (do mesmo autor), que era a líder de vendas.

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Três anos depois, em 2015, JEC voltou ao ar com A Regra do Jogo. Apesar de não ter feito o mesmo sucesso de Avenida Brasil e ter sido alvo de críticas especialmente pela demasiada complexidade do enredo, a novela de Atena (Giovanna Antonelli) e Romero Rômulo (Alexandre Nero) conseguiu manter um alto nível na qualidade geral.

Nesse contexto, após três bem sucedidas novelas em termos de qualidade no horário das 21h, João Emanuel Carneiro deu uma fraquejada e veio Segundo Sol. Sabe-se que toda obra tem seus pontos positivos e negativos, mas, na opinião da coluna, o balanço da novela é negativo, conforme exposto nos aspectos abordados a seguir.

Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves), vilãs de Segundo Sol (Foto: Reprodução/Globo)
Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves), vilãs de Segundo Sol (Foto: Divulgação/Globo)

Os principais pontos positivos visualizados pela coluna acerca de Segundo Sol foram: (1) a escolha da Bahia como cenário, fugindo do eixo-Rio/SP, tão desgastado na emissora; (2) a trilha instrumental de Laureta (Adriana Esteves), um alento aos saudosos de Carminha e Avenida; (3) os ganchos característicos do autor, que apesar de serem mais fracos em sua novela atual, conseguiram ser mais presentes do que em atrações de outros autores; (4) as grandes atuações de atores como Narcival Rubens (Galdino), Chay Suede (Ícaro), Deborah Secco (Karola), Adriana Esteves (Laureta), Kelzy Ecard (Nice), Vladimir Brichta (Remy), Fabrício Boliveira (Roberval), Letícia Colin (Rosa) e Cláudia Di Moura (Zefa); (5) o destaque de alguns núcleos coadjuvantes, como os das relações conturbadas de Roberval e Zefa e de Agenor (Roberto Bonfim) e Nice; por fim, (6) o texto de JEC, sempre muito bem produzido, afiado e com a qualidade acima da média.

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Com relação aos aspectos negativos, a coluna visualizou como principais os seguintes: (1) a ausência inicial de personagens negros na novela, merecidamente alvo de críticas e posteriormente corrigida com juízes, advogados e outras figuras de destaque; (2) a história do músico baiano que morria e fazia sucesso, que ficou no segundo plano, mesmo sendo uma ótima premissa; (3) o fraco desenvolvimento do romance do casal protagonista, Luzia (Giovanna Antonelli) e Beto (Emilio Dantas); (4) o fato de a protagonista, Luzia, ter ficado a maior parte da novela como fugitiva, contribuindo inclusive para o ponto citado anteriormente; (5) as várias repetições de clichês dramatúrgicos, tais como chantagens, golpe da barriga e personagens ricos falindo.

Continuando, (6) a desconstrução de personagens inicialmente queridos do público, como Rosa, vivida por Letícia Colin; (7) o mau desenvolvimento de alguns temas importantes, como a bissexualidade de Maura (Nanda Costa) e o vício em drogas de Manuela (Luisa Arraes); (8) os muitos personagens apagados, como Groa (André Dias), Nestor (Francisco Cuoco) e a maioria da casa de Laureta; por fim, (9) as vilãs Karola e Laureta, que tiveram seu desenvolvimento em torno de um ciclo bastante inverossímil de gato e rato com Luzia, algo bem aquém do esperado em se tratando de vilania do criador de Bárbara (Da Cor do Pecado), Flora (A Favorita) e Carminha (Avenida Brasil).

Assim, a coluna espera que JEC retome sua qualidade máxima em sua próxima novela.

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As opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do TV Foco

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